| |
“Apesar da norma em vigor contemplar a necessidade de obediência aos
dispositivos voltados a preservar a potabilidade da água, não está havendo
controle sobre o seu cumprimento, o que não só prejudica a imagem dos
rotomoldados brasileiros, como também coloca em risco a saúde da
população.
Outra preocupação do participante do grupo, que se reúne periodicamente em
São Paulo, na sede da Tecnologia de Sistemas em Engenharia (Tesis),
empresa especializada em consultoria e auditoria, contratada pela
Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais e Equipamentos para
Saneamento (Asfamas), é prever limites mínimos para a espessura de parede.
“Os fabricantes não podem reduzir o peso das caixas-d’água aleatoriamente,
como vem ocorrendo nos últimos anos. De 2003 para cá, observamos que o
peso de muitas caixas-d’água foi reduzido em 20% e até 30% e, portanto,
precisamos barrar essa economia desenfreada que pode comprometer a
qualidade das caixas-d’água”, afirmou.
A preocupação de Pereira assume maior importância perante a crescente
oferta industrial de reservatórios cada vez maiores, comportando 5 mil
litros, 10 mil litros, entre outros ainda de maior capacidade.
“O rompimento de uma das paredes de um tanque rotomoldado nessas
proporções, causado por pressão da própria água, além de provocar um
tremendo estrondo, parecido com o de uma explosão, poderia ocasionar
sérios danos e ameaçar a vida das pessoas. Por isso, a nossa preocupação
em revisar a atual norma o quanto antes, para que possamos sugerir
mecanismos que impeçam esse tipo de ocorrência”, alertou.
A norma atual prevê exigências apenas para os reservatórios de água em
polietileno de 500 litros e 1.00s0 litros, mas é certo que também deverão
ser incluídos os de volumes maiores. A exemplo dos menores, reservatórios
de grande capacidade também deverão comprovar qualidade para resistir às
deformações causadas pela ação das águas e também total estanqueidade e
alta resistência ao impacto, entre outras condições que entrarão na pauta
das discussões do grupo dedicado à revisão das normas das caixas-d’água.
Prioridades – A preocupação de elaborar normas em prol da qualidade dos
materiais produzidos por rotomoldagem, referência de mercado pela produção
de tanques sem soldas e sem tensões residuais, também se estende ao
Instituto Nacional do Plástico (INP), de São Paulo.
Credenciado como Organismo de Normalização Setorial (ONS), o instituto
tenta há algum tempo viabilizar discussões de forma abrangente entre
rotomoldadores, representantes de petroquímicas e de laboratórios
capacitados a realizar ensaios em manufaturados plásticos.
| Para Marco Nunes, da Ico Polymers do Brasil e coordenador de um dos grupos
de discussão de normas do INP, a prioridade no momento é estabelecer
requisitos para a fabricação de tanques cilíndricos verticais para
estocagem, sob quaisquer dimensões. |
 |
| Nunes reclama critérios para tanques cilíndricos |
Segundo ele, a norma brasileira para
esses tanques terá identidade própria, mas sua elaboração levará em conta
questões técnicas já tratadas em normas internacionais consagradas no
segmento, como a americana ASTM D1998 e a australiana AS/NZS 4766.
“Vamos transpor para a norma brasileira os aspectos mais positivos das
duas normas, como o dimensionamento da espessura das paredes dos tanques,
calculado pela fórmula de Barlow. Contudo, pretendemos ir além, como
incluir parâmetros para a realização do teste de fluência dos materiais,
cujo método já é tratado pela norma ASTM D2990”, explicou Nunes.
|
|