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Rotomoldagem
Mercado discute
adoção de normas para impulsionar negócios
Texto de Rose de Moraes e fotos de
Cuca Jorge
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A qualidade dos rotomoldados produzidos no País vem arregimentando
defensores em toda a cadeia. O interesse parte dos próprios rotomoldadores,
que pretendem obter homologação para produtos já lançados e para novidades
planejadas, mantidas ainda sob sigilo, e assim ter em mãos um passaporte
liberando a sua participação em grandes projetos esperados há várias
décadas, nas áreas de construção civil, saneamento básico, infra-estrutura
e agricultura.
A necessidade de produzir em conformidade com padrões técnicos adotados em
várias partes do mundo ganha novos adeptos a cada dia. Respaldada por
normas, a rotomoldagem poderá enveredar por campos ainda não explorados,
como a armazenagem de combustíveis, além de aumentar sua participação nos
mercados de caixas-d´água e de grandes reservatórios.
Por isso, sobram discussões voltadas à fixação de normas. Os profissionais
têm se empenhado ultimamente em discutir parâmetros de resistência,
durabilidade e segurança para reservatórios de vários formatos e
dimensões, prevendo diferentes tipos de instalação, como aéreas apoiadas
sobre bases, em superfícies e até mesmo subterrâneas.
Um dos pioneiros e mais consagrados frutos da rotomoldagem brasileira a
contar com requisitos técnicos de desempenho especificados em norma foram
as caixas-d’água, mercado no qual a rotomoldagem conta atualmente com mais
de 40% de participação. Com parâmetros estabelecidos desde 2002 pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e com a participação
ativa de vários produtores, os reservatórios de polietileno de 500 litros
e 1.000 litros para água potável tomaram posição dianteira nas questões de
normalização, contando com os requisitos da NBR 14799, que tanto servem de
instrumento para pontuar a qualidade, como também podem produzir efeito
moralizador sobre o mercado, uma vez estabelecida a prerrogativa de
submeter a testes produtos suspeitos de infringir requisitos de qualidade.
Embora o número de fabricantes, segundo estimam os próprios produtores,
deva ser bem maior, apenas cinco conseguiram até o momento obter
qualificação para as caixas-d’água fabricadas nos volumes previstos pela
atual norma, comercializadas sob dez diferentes marcas.
A Dalka do Brasil é um dos fabricantes que conta com qualificação para
duas marcas: a Acqualimp e a Resistec Obra. A Precon Industrial e a Tigre
Tubos e Conexões têm aprovação para as caixas-d’água produzidas sob as
marcas Precon e Tigre, respectivamente. A Tinabrás oferece ao mercado
quatro marcas de produtos qualificados: a Tinabras, a Tinabras Amanco, a
Tinaplas e a Tinaplas Amanco. A essas, soma-se ainda a Torres, que também
conta com qualificação para as marcas Fortlev e Fortplus.
Quatro anos após ser aprovada, a NBR 14799 vem à tona novamente, e será
alvo de revisão em 2007, sob vários aspectos técnicos, incluindo novas
dimensões. De acordo com Rivaldo Renato Pereira, gerente-industrial da
Torres e um dos membros do programa setorial da qualidade para
reservatórios de água em poliolefinas, vinculado ao Programa Brasileiro da
Qualidade e Produtividade do Habitat, desenvolvido pelo Ministério das
Cidades, que revisará a norma das caixas-d’água, há várias considerações
merecendo maior atenção nessa revisão.
| Segundo ele, a NBR 14799, por exemplo, obriga o fabricante a atender aos
requisitos da qualidade da água para consumo humano relativos à
potabilidade (Portaria 1469, revogada pela 518, do Ministério da Saúde). |
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| Pereira alerta para caixas-d’água de paredes muito finas |
“Muitos fabricantes também respeitam a resolução 105, da Anvisa, que
estabelece requisitos aos materiais plásticos que entram em contato com
alimentos”, diz Pereira.
Para ele, a grande questão, contudo, é também fazer da norma um
instrumento para coibir a fabricação de caixas-d’água com materiais
reciclados, e especificações para que as resinas que entrarão em contato
com a água contenham obrigatoriamente a classificação de grade alimentício
(food-grade).
Caixas-d’água fabricadas com materiais reciclados, encontradas em locais
como Rio de Janeiro e Bahia, não teriam, segundo Pereira, as mínimas
chances de comprovar padrões sanitários de preservação da potabilidade da
água a ser ingerida pela população, pois muito provavelmente apresentariam
metais pesados em sua composição.
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