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Sistemas mais precisos e com custos menores
avançam sobre a injeção tradicional com galhos
Texto de Simone Ferro
e fotos de Cuca Jorge
O promissor mercado nacional de câmara quente ganhou alguns aliados
para crescer. A consolidação do polietileno tereftalato (PET) nas
embalagens de bebidas não carbonatadas, higiene e limpeza, cosméticos e
molhos, entre outros, impulsionou as vendas, em especial, dos sistemas
valvulados. O avanço tecnológico dos insumos, tais como o aço e outras
ligas metálicas, e o aperfeiçoamento do processo produtivo, com a
modernização dos centros de usinagem, também ajudam a injeção sem canais a
ganhar espaço e credibilidade no Brasil.
Redução de custo e melhoria da qualidade são os benefícios diretos dessa
evolução. “Muitos transformadores preferiam injetar com galhos por achar
que a câmara quente tinha custo elevado e traria mais dores de cabeça.
Hoje os sistemas estão cada vez mais precisos e confiáveis”, diz Luís
Antonio Pavezzi, gerente de vendas da HDB, de Cotia-SP, representante
exclusivo da alemã Ewikon. “Sem boa usinagem e materiais adequados não se
obtém um sistema eficiente”, complementa.
São pequenas batalhas para quem enfrenta uma verdadeira guerra para provar
a eficiência da injeção sem canais sobre o processo convencional de
moldagem. O que, a bem da verdade, nem sempre ocorre. Escala e
características técnicas do produto final determinam a melhor opção. E
essa escolha deve ser muito bem fundamentada, para que o alto custo do
investimento dê o retorno desejado e não a temida enxaqueca.
Embora as vendas de câmaras quentes tenham aumentado nos últimos anos,
assim como o uso dos bicos valvulados, os fabricantes do setor afirmam que
a demanda nacional ainda está aquém do esperado. “Há muito espaço para
crescer”, diz o diretor de engenharia da Delkron, de Mairiporã-SP, Ney
Kaiser.
Fabricante brasileira de câmara quente, a Delkron lançou o primeiro
sistema nacional em 1988, quando a indústria automotiva era a principal
usuária. “Hoje a injeção sem canais está disseminada em todos os
segmentos”, afirma o diretor.
No campo dos valvulados, o PET, assim como aplicações e resinas técnicas,
desponta como importante alavanca. “Os sistemas de alta tecnologia usam o
bico valvulado a fim de baixar os ciclos e melhorar a qualidade da
pré-forma e da garrafa”, diz o diretor-geral da Husky do Brasil, de
Jundiaí-SP, Fabio Seabra.
De acordo com ele, as expectativas para 2007 continuam favoráveis devido à
substituição de embalagens e à necessidade de novos formatos de gargalo,
que demandarão desenvolvimentos, ou pelo menos grandes conversões.
Seabra confirma ainda a tendência de substituição da lata, do vidro e do
cartão pelo PET, nos segmentos de sucos, leites e chás, entre outros. “A
demanda de PET está mais forte nos mercados de água e óleo comestível. Na
área de refrigerantes não houve grandes investimentos.”
No Brasil, a Husky fabrica os sistemas de câmara quente (manifolds, hot
half e porta-moldes), além de garantir a assistência técnica (reparar,
reconstruir e manter) aos moldes de PET que equipam as injetoras da
empresa. “Oferecemos sistemas de câmaras quentes de 1 a 128 bicos. No caso
de molde de pré-formas de PET, de 2 a 216 cavidades.”
A partir de maio, entram no mercado os controladores de temperatura também
nacionais. “Ficaremos ainda mais competitivos.” As exportações da unidade
brasileira seguem para Argentina, Chile, Paraguai e Colômbia, e
representam 10% do faturamento. Recentemente, a empresa investiu em um
centro de usinagem de 5 eixos.
Tecnologia de ponta – Na avaliação de Pavezzi, da HDB, a precisão na
usinagem e o surgimento de aços com excelente condução térmica e
resistência à abrasão ampliaram a eficiência das ponteiras, antes
responsáveis pelos maiores índices de vazamentos. Favoreceu ainda a
redução de custo e facilitou a manutenção.
Os bicos valvulados pegaram carona nessa evolução e também começam a
ganhar mais mercado. Os sistemas valvulados evitam a purga da resina no
interior das cavidades, e possibilitam ainda o preenchimento seqüencial
com mais de um ponto de injeção ou a moldagem de peças com massas
diferentes em um mesmo molde.
Com isso, melhoram o acabamento superficial de peças de paredes grossas
que necessitam de bico de injeção superior a 3 mm. A válvula evita a
passagem do ar antes da injeção. “A entrada de ar pode provocar o
aparecimento de bolhas e manchas”, diz Kaiser.
Por questões de custo, a injeção de um pequeno canal residual é um
subterfúgio para melhorar o acabamento do produto final sem usar o bico
valvulado, em torno de 50% mais caro que o convencional. A marca do gate
fica no canal que vai ser descartado.
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