Para conquistar maior competitividade e enfrentar concorrência com o poliestireno, que avança sobre os mercados também disputados pelos acrílicos, o grupo Unigel
realizou investimentos de grande monta em busca de inovações tecnológicas.

Dois anos atrás, a Resarbras lançou uma nova resina 20% mais resistente ao impacto, elevando de 15 jaules/m para 18 jaules/m a resistência do material para emprego na fabricação de utilidades domésticas Para atender aos exigentes parâmetros das aplicações automotivas, a empresa quase dobrou a resistência, atingindo 30 jaules/m.

Cuca Jorge

Trevisan: acrílico substitui com vatagens o PC eo PS

O uso automotivo constitui uma das principais fontes das resinas acrílicas. Valorizadas pela alta transparência, superior à do vidro, as resinas acrílicas conquistaram reconhecimento em lentes de lanternas traseiras há um bom tempo. O setor automotivo chega a consumir 75% do volume total utilizado pelo mercado brasileiro, equivalente, em 2006, a 4.500 toneladas.
As novas resinas também prometem benefícios para as lentes dos painéis de instrumentos e para todos os pontos de luz internos, de acendimento automático, presentes em qualquer veículo, conhecidos como iluminação de cortesia.
Outro mercado ávido por maior resistência ao impacto é o de utilidades domésticas. Segunda maior aplicação das resinas acrílicas, esse ramo de atividade abocanha 15% do volume total consumido no País e, ao que contam os especialistas, não deverá se contentar apenas com essa fatia.

Questão de segurança – Confirmando tendência sinalizada pelo mercado internacional, é cada vez mais intenso o uso das resinas acrílicas em utilidades para o lar, uma vez que oferecem maior segurança ao substituir o vidro. Por isso, experiências bem-sucedidas no ramo de injeção do acrílico são relatadas com freqüência. Uma delas é a Kaballa Acrylic Products, de Flores da Cunha–RS. Fundada em 2001, inicialmente como prestadora de serviços de injeção, a empresa lançou quatro anos depois, em parceria com a Martiplast, marca própria de utilidades domésticas em acrílico, compondo mais de 30 produtos, entre copos, canecas, jarras, taças e demais utensílios de mesa.

“Podemos afirmar que, com o lançamento de produtos acrílicos com marca própria, iniciamos um novo ciclo de vida empresarial e nos surpreendemos com a alta receptividade do mercado”, afirmou Jones Pellini, gerente de marketing e desenvolvimento de novos produtos.

“Como o acrílico é excelente para conservar produtos gelados, também enxergamos oportunidades nesse setor e nos especializamos na fabricação de peças de paredes grossas e com fundo super-resistente”, ressaltou Pellini. Comparável ao cristal, o acrílico ainda conta com atributos de leveza, durabilidade, segurança de uso e menor preço.

Vez por outra, porém, os fabricantes desse setor enfrentam a concorrência com os injetados em poliestireno. “Não é raro encontrarmos empresas que copiam nossos produtos, injetam poliestireno, mas afirmam que é acrílico. Na verdade, estão fazendo propaganda enganosa, pois o poliestireno não tem as mesmas propriedades do acrílico e, por isso, disputam mercados conosco, podendo apresentar preços diferenciados”, reclamou Pellini.

Na visão do empresário, o cenário do acrílico ficaria bem mais atrativo se o poder de compra da população aumentasse e também se pudesse contar com regras promovendo a competição de igual para igual entre os produtos nacionais e os importados. Na opinião de Trevisan, há boas razões para se acreditar no crescimento do acrílico no mercado brasileiro em 2007 e nos próximos anos.

As esperadas taxas de crescimento da indústria automotiva, somadas aos resultados das vendas do setor de utilidades domésticas, devem aquecer as vendas de resinas e contribuir para aumentar em 10% o mercado de acrílicos em 2007.

Divulgação

Banheiras ganham maior brilho e durabiliadade

A resistência ao impacto, no entanto, não foi o único atributo aprimorado nessa temporada. Novas resinas para aplicações em embalagens cosméticas propiciam o efeito frost, impedindo marcas deixadas pelas impressões digitais após o manuseio.
Acompanhando a alta do mercado de resinas acrílicas, o mercado de chapas desse material também cresce ao ritmo de 7% ao ano, com perspectivas de repetir esse resultado até 2010, de acordo com projeções do setor. Em 2006, o consumo atingiu 6.600 toneladas.

Em relação ao passado, o perfil de consumo vem mudando. As chapas extrudadas apresentam níveis de crescimento bem superiores aos das chapas fundidas, do tipo cell casting (células fundidas). Segundo Trevisan, o mercado de chapas extrudadas cresce cerca de 40% ao ano. Embora ainda correspondam à menor fatia (20%) do mercado total, dominado pelas chapas do tipo cast (80%), o segmento de chapas extrudadas passou a contar com produção local do grupo Unigel só em 2001, o que significa ter pela frente muito ainda a explorar no rumo de novas expansões.

Bom exemplo fica por conta do sucesso das chapas extrudadas em alguns mercados, como o de banheiras, cujo crescimento dobra a cada ano, conforme observado nos últimos três anos, como atestam a Resarbras e a Ouro Fino Indústria de Plásticos Reforçados, de Ribeirão Pires–SP.

Com capacidade para termoformar 2.500 banheiras por turno/dia, fabricadas em mais de cem modelos e tamanhos diferentes, a empresa até poderia cogitar uma mudança de nome, incluindo o acrílico em sua razão social.

Cuca Jorge

Acríclicos espelados retomam escala de produção industrial

 Por razões históricas, entretanto, a Ouro Fino, fundada na década de 70, iniciou a produção de banheiras de plástico reforçado com fibra de vidro (PRFV), mantidas até hoje, mas em menores proporções no contexto geral da produção da empresa, que, definitivamente, enveredou pelo caminho de termoformar chapas desde 1987, experiência consolidada ao longo desses anos e hoje equivalente a 70% da produção.

 
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