|
Se for aprovado na íntegra, e as chances são reais, o projeto irá reduzir de 17% para 9% o ICMS cobrado, desde que a indústria de transformação invista no aumento de produção por meio de ampliação de plantas industriais, construções de novas instalações e geração de emprego e renda. Nessa contrapartida, os industriais deverão investir um total de R$ 300 milhões em novos ativos logo após a entrada em vigor do Geraplast. Somente se beneficiarão das vantagens tributárias aqueles que comprovarem a adesão efetiva ao programa com base em relatórios contendo o cumprimento das metas. Com efeito, o Geraplast irá oferecer outras vantagens para quem adquirir máquinas e equipamentos fabricados dentro do Estado, com isenções de alíquotas. Além disso, os transformadores teriam maiores prazos para recolhimento de ICMS com origem em outros Estados. Esse ponto é interessante porque o Rio Grande do Sul conta com três fabricantes de injetoras, dois de moinhos, construtores de roscas de extrusão e equipamentos de automação industrial, entre outros itens. A intenção é estender as isenções de forma mais ousada em termos de números para todo o conjunto da terceira geração.
A terceira geração petroquímica gaúcha se concentra em três regiões: Vale dos Sinos (Novo Hamburgo), Serra (Caxias do Sul) e Metropolitana (Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Cachoeirinha). Como explica Mosmann, a indústria é expressivamente diversificada e atua em segmentos como: calçados, embalagens rígidas e flexíveis, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos (peças e partes para a indústria automotiva, informática, telecomunicações, máquinas e implementos agrícolas, eletroeletrônica, eletrodomésticos, moveleira), construção civil, agricultura e móveis. Outros produtos acabados e semi-acabados, como cordas, descartáveis, artigos de toucador, bobinas e lâminas, também compõem o amplo espectro dessa indústria. Tal diversificação se interliga aos demais segmentos da economia por abastecer com embalagens, peças e componentes as indústrias de alimentos (embalagens para grãos, conservas, industrializados), calçados, e ainda as dos setores químico, moveleiro, têxtil, metal-mecânico (componentes para máquinas), automotivo, agricultura, fumo e bebidas, entre outros. A alternativa do Geraplast é motivo de otimismo na segunda geração petroquímica local. “Toda a projeção econômica é positiva. O Rio Grande do Sul tem um componente importante por sua vocação produtiva alicerçada na agricultura. Esse ano o setor deverá ser reaquecido por conta de uma paralisia de dois anos decorrente de uma seca e da crise financeira provocada pela quebra da safra de 2005”, acredita o diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina. Para ele, o cenário de recuperação do setor primário deverá, num primeiro momento, aumentar as encomendas de embalagens flexíveis, principalmente de insumos como defensivos e nutrientes, e de embalagens destinadas ao consumo final, pois o Estado terá uma oferta maior de alimentos e irá importar menos. A extrusão deve crescer também porque o Pólo já está em expansão para absorver nova demanda. “Começamos fazendo embalagens flexíveis para embalar as safras e os produtos da ponta do consumo. Depois vieram as caixas rígidas para bebidas que substituíram a madeira. Como as garrafas de vidro estão de volta, as caixas injetadas voltarão à cena”, projeta Tergolina.
Quanto à queda de vendas por parte da segunda geração local em 2006, Tergolina credita também à entrada no mercado do polietileno processado no Rio de Janeiro. |
|||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||