Apesar das vendas prostradas, os fabricantes se mantiveram ativos e melhoraram suas linhas, com lançamentos e inovações

Renata Pachione

À espera de definições políticas e econômicas, o mercado de periféricos pouco avançou em faturamento. No entanto, não ficou prostrado e buscou alternativas para tornar os equipamentos mais acessíveis ao transformador. Muitas linhas foram nacionalizadas, a fim de facilitar os financiamentos e, à sua maneira, os fabricantes renovaram seus produtos, com lançamentos e novas iniciativas. Essa postura se refletiu na transformação brasileira, que hoje aceita como definitiva a automatização dos processos em suas fábricas. Produzir ao menor custo, aumentar a qualidade da peça e eliminar o refugo são reconhecidos como meio de sobrevivência e não só uma vantagem competitiva. Por isso, apesar dos percalços de 2006, ainda há demanda, pelo menos para os acessórios convencionais, como os de alimentação, dosagem e desumidificação.

O equipamento resolve questões, muitas vezes, simples. O diretor-geral da Wittmann do Brasil, Reinaldo Carmo Milito, cita o caso de um fabricante de baldes de lixo. Esse transformador conseguiu aumentar sua produção em até 40% ao adotar um robô em sua fábrica. A operação consiste em retirar a peça da máquina e colocá-la na bancada. Por isso, um robô básico, sem opcional resolveu a questão. Em outras situações, a adoção de periféricos garante a sobrevivência do negócio. Esse é o caso da Quimiplast, de Dourados-MS, que fabrica peças plásticas injetadas e sopradas, como tampas e frascos, desde 1987. Há dois anos, a empresa decidiu investir em uma nova área: brincos para identificação de animais. Após várias análises, concluiu a necessidade de automatizar a colocação dos insertos metálicos no molde, antes da injeção do produto. A solução encontrada foi o robô Wittmann W 720 M1000 – de acionamento pneumático em dois eixos e servomotorizado em um eixo; sistema vibratório para alimentação de insertos e conjunto de garras para coleta, transporte e colocação no molde.
 

Antes de optar pela aquisição do robô, o sócio-administrador da Quimiplast Wilson Marchesin fez algumas tentativas manuais, mas constatou perda de dinheiro e risco ao operador. “Seria impossível fazer manualmente”, concluiu. Outro ponto a favor da automação é a rapidez do processo. Horizontal, a máquina injeta poliuretano (PU) em ciclos reduzidos de cerca de 25 segundos.

Divulgação

Aumento da escala diminuiu o preço dos manipuladores

 Dessa forma, a produção mensal oscila entre 500 e 700 conjuntos de brinco. Esse volume responde à atual demanda, porém, a expectativa da Quimiplast é de fabricar 1 milhão/mês de peças.

Esse sistema representou a primeira incursão do transformador nesse ramo de robôs. Mas nem por isso o projeto deixou de ser ousado, pois a idéia inicial era comprar dois modelos. “Estamos esperando a reação do mercado para investir no segundo”, afirma Marchesin. As intenções são boas.
 

 
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