A expansão do market share das embalagens com filmes co-extrudados nestes segmentos de mercado é apontada pelos entrevistados como o principal fator de incremento mercadológico da tecnologia para os próximos anos. Duas são as razões a estimular essa expansão. A primeira é a crescente exportação de alimentos embalados pela indústria brasileira. Os filmes co-extrudados ampliam a vida de prateleira do alimento, aumentando a viabilidade da transação.

A segunda razão é a chegada dos filmes co-extrudados aos produtos classificados como populares, cujas vendas são crescentes no País. “Hoje há muita competitividade nos segmentos de produtos populares, o que leva a indústria a promover uma sofisticação desses produtos. As embalagens com filmes co-extrudados são parte desse processo de sofisticação”, diz Rafael Fabra Navarro, gerente de marketing da Petroquímica Triunfo, fornecedora de resinas para a produção de filmes co-extrudados.

Ainda na indústria de alimentos, novas oportunidades de negócios para as embalagens com filmes co-extrudados são os segmentos de frutas, vegetais frescos, condimentos e alimentos desidratados. A tecnologia da co-extrusão também já se faz presente em embalagens de outros setores econômicos. O principal é o de ração animal, seguido pelos setores de fertilizantes e cimentos. Mani acredita que as embalagens de medicamentos são uma nova fronteira de expansão da tecnologia.

 “É uma linha de produtos que também tem necessidade de prolongar as características originais de suas substâncias”, diz o presidente da Abief.
Ana Decot, da Dixie-Toga, acrescenta à lista de novos segmentos a adotar a tecnologia, a indústria de limpeza, principalmente em embalagens para produtos agressivos. Navarro lembra ainda a agricultura como um novo mercado para a aplicação de filmes co-extrudados. Na Europa, por exemplo, é comum o uso do mulching, filmes de duas camadas na produção de frutas, como o morango. O objetivo é o controle da luz e do calor. Ou ainda o uso de filmes multicamadas em estufas para a horticultura e a fruticultura. “São aplicações ainda incipientes no Brasil, mas que tendem a se intensificar”, diz o executivo.

Evolução técnica - Além do avanço mercadológico da co-extrusão, a indústria de embalagem também vivencia uma evolução técnica dos filmes co-extrudados. A tecnologia da co-extrusão se divide em duas vertentes distintas de formação do “sanduíche”.

Em uma dessas vertentes, a co-extrusão é feita basicamente com poliolefinas (polietileno e polipropileno) e o que se busca, principalmente, é a racionalização do uso dos insumos com a co-extrusão. É uma solução bastante usual no segmento de sacarias, como o empacotamento de arroz, açúcar, sal e feijão, por exemplo.
 
O usual é a co-extrusão em três camadas, sendo que na camada interna se utiliza uma resina que privilegie a soldabilidade, como as resinas de polietilenos à base de metaloceno. A camada intermediária (o recheio) é composta por polietilenos comuns, muitas vezes materiais reciclados, reduzindo o custo da embalagem. Na camada externa, são aplicadas resinas que privilegiem as características óticas, como o brilho, melhorando o aspecto da embalagem.

A segunda vertente é a dos filmes co-extrudados compostos com resinas que tenham função de barreira. A composição mais tradicional, adotada pela indústria de carnes e laticínios, é formada por uma camada de polietileno, com função de barreira à cor, uma segunda camada de adesivo, e a terceira formada por poliamida (naílon) ou EVOH (material mais eficaz, porém, mais caro), com a finalidade de ser uma barreira ao gás, principalmente o oxigênio.

Uma tendência, informa Rafael Navarro, é a substituição do polietileno pelo copolímero EVA e do naílon pelo PVDC. Essa composição permite a fabricação de filmes encolhíveis com barreira, utilizados em embalagens que se contraem e se moldam ao formato do produto. Os filmes encolhíveis são considerados ainda mais eficazes na tarefa de barreira ao oxigênio, aumentando o shelf-life dos produtos.

Nessa vertente de filmes com barreiras, a evolução é mais acentuada. Ela ocorre pela incorporação de resinas com finalidades diferentes de barreira, processo viabilizado pela incorporação ao parque industrial de co-extrusoras capazes de produzir filmes com um maior número de camadas. A tendência, no momento, são os equipamentos para a produção de filmes de cinco e sete camadas.
Mani: embalagens preservam os produtos por mais tempo

A formação do “sanduíche”, com isso, torna-se cada vez mais versátil, podendo ser composta de acordo com a necessidade de cada produto a ser embalado.

Como diz Sérgio Carneiro, diretor da SR Embalagens Plásticas, a ampliação do número de camadas abre espaço ainda para incorporar novas tecnologias às embalagens, como os filmes inteligentes, filmes respiráveis e filmes biodegradáveis.

Investimentos altos – O principal fator a limitar o avanço da co-extrusão no mercado brasileiro, apontado praticamente por todos os entrevistados de Plástico Moderno são os altos investimentos necessários em equipamentos. Taís lembra ainda que as máquinas co-extrusoras geralmente não produzem uma diversidade muito grande de estruturas, sendo essencial, em alguns casos, equipamentos distintos para nichos de atuação.

 
 
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