As condições básicas para que isso aconteça foram estampadas em todos os veículos de comunicação ao longo do ano passado. O País ainda mantém um custo de capital elevado, convive com taxas de câmbio que tiram a competitividade da indústria nacional e tornam inviáveis as exportações, e carrega o peso de uma sobrecarga tributária. Por conseqüência, o nível de investimento no País no ano passado rastejou pelo chão sem conseguir decolar e resultou em um crescimento pífio.

“Olhando para 2007, o lado positivo é a identificação de que o Brasil precisa crescer mais. O mundo está crescendo e os países que concorrem com o Brasil avançam a taxas muito maiores e estamos ficando para trás. Dificilmente vamos conseguir acelerar nosso ritmo se os problemas não forem atacados”, pondera Roriz.

Olhando para fora, o contexto internacional de oferta e demanda deve favorecer os negócios da indústria petroquímica em 2007. O consumo mundial prenuncia aquecimento, sem a contrapartida de novos investimentos para aumentar a capacidade instalada de produção. Os projetos previstos para o Oriente Médio foram postergados e não há programação de que outras expansões significativas entrem em operação neste ano. Resultado: abastecimento no gargalo, caso as projeções de alto consumo se concretizem. “Pelo lado da balança oferta/demanda vai ser muito positivo para nós”, prevê Roriz.

Voltando o foco de investimentos para o mercado brasileiro, o transformador poderá contar com novas expansões neste e nos próximos anos. Projetos da Suzano contemplam a adição de 100 mil toneladas à capacidade de produção de polipropileno ainda neste ano, e mais 90 mil t previstas para o segundo semestre de 2008 (em 2006, concluiu expansão de 60 mil t), totalizando expansão de 250 mil t.

Em parceria com a Petrobrás, a Braskem empreende nova fábrica de R$ 750 milhões e capacidade de 300 mil t, também de polipropileno, com operação inicial prevista para o começo de 2008. Além disso, a Braskem toca projeto de internacionalização, com meta de construir fábrica, igualmente de polipropileno, na Venezuela, considerada estratégica pela empresa, para abastecimento de todo o mercado sul-americano e ainda pelo fácil acesso ao México e Estados Unidos.

A Petrobrás também colocou à mesa de discussão um projeto de US$ 6,5 bilhões, envolvendo a construção de um novo megacomplexo petroquímico no Rio de Janeiro, batizado de Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), para produção de polietileno e polipropileno. Com modelo verticalizado (como da Braskem e da Rio Polímeros), o empreendimento começará a operar gradativamente, a partir de 2012, com conclusão prevista para 2013. Os estudos apontam como localização do Comperj os municípios de Itaboraí e São Gonçalo. O complexo promete atrair cerca de 200 indústrias de transformação em seu entorno.

Os planos de expansão também contemplam o PVC. A Solvay anunciou investimentos da ordem de US$ 150 milhões para ampliar a capacidade produtiva e modernizar as unidades produtoras de resina e de cloro-soda em Santo André-SP. Com conclusão prevista para 2008, o projeto eleva para 300 mil t/ano a capacidade instalada de PVC e 170 mil t/ano de soda cáustica.

Resinas em alta – O polietileno linear de baixa densidade promete segurar o fôlego e conservar a posição privilegiada de crescimento em 2007, até por conta da maior capacidade produtiva propiciada pela entrada em operação da Rio Polímeros em 2006. “Só o fato de haver mais oferta já cria muito consumo”, avalia Roriz. A resina mantém crescimento acentuado na substituição do polietileno de baixa densidade e nos mercados de embalagens de alimentos (cesta básica, entre outros). Embora seja usado na forma de mistura com o PEBD, o PEBDL tem a maior proporção na blenda.

Outra resina promissora é o polipropileno, tradicionalmente de maior crescimento entre as commodities, graças à sua versatilidade. Roriz acredita em um melhor desempenho para o PP no segmento de agricultura em 2007, o que deve puxar sua demanda nas embalagens (fertilizantes, entre outros). O mercado de tampas para cosméticos, refrigerantes e bebidas em geral também aquece a demanda do polímero. Outras áreas usuárias da commodity que prometem avanço em ritmo acelerado são o polipropileno biorientado (BOPP), os não-tecidos e as chapas para termoformagem.

A construção civil atraiu fortes investimentos no ano passado e reaqueceu o consumo de PVC. A tendência é manter o ritmo acelerado, acredita Roriz, situando a resina entre as demandas mais promissoras para este ano.

 
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