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Evento foca polímero
de alto desempenho
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Pelo segundo ano
consecutivo, a filial brasileira da Degussa, uma das líderes no mercado
mundial de especialidades químicas, organizou o Seminário de Polímeros de
Alta Performance para informar aos clientes brasileiros as inovações
recentes desenvolvidas pela empresa. O encontro também serviu para o
lançamento de um novo polímero de alto desempenho, o Vestakeep, que
posiciona a fornecedora como umas das pouquíssimas fabricantes mundiais da
poli-éter-éter-cetona (PEEK).
| O mercado mundial desse polímero especial já havia sido agitado com a
conclusão da compra da divisão de polímeros da Gharda Chemicals pela
Solvay Advanced Polymers, no segundo semestre de 2006. A empresa indiana
descobriu uma rota alternativa de produção de PEEK utilizando o ácido
fenoxibenzóico, e agora é a Degussa quem torna público o seu interesse
pelo plástico. |
Cuca Jorge |
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| Heinrich explicou quais são as principais características do
PEEK |
De acordo com Dick Heinrich, colaborador da área de gerenciamento de
relações com os clientes da Degussa na Alemanha, o polímero será fabricado
por uma joint venture da empresa alemã com uma parceira chinesa, a Jida,
em fábrica instalada na cidade de Changchun, no nordeste chinês. A linha
de produção utiliza rota semelhante à criada pela ICI em 1978, baseada em
hidroquinona e 4,4’-difluorobenzofenona, e a resina será compostada na
Alemanha, de onde partirá para os mercados.
O consumo mundial de PEEK ainda é muito baixo, devido às características
do material e ao seu preço salgado. Em alguns locais do planeta, o
polímero é oferecido por apenas um fabricante, e a entrada da Degussa no
segmento pode tornar o plástico mais competitivo para os possíveis
clientes à medida que a demanda aumente.
Preço, no entanto, não é um fator preponderante nesse nicho, pois está em
foco uma resina que se funde aos 340º C e suporta até 260º C por longos
períodos. Esse desempenho é superior ao de materiais considerados bastante
especiais, como a polieterimida (PEI), a polifenilssulfona (PPS) e a
poliftalamida (PPA).
A hidrólise do polímero só passa a ser um problema após cerca de 250º C, e
a resistência química do PEEK é excelente, bem como a resistência à
irradiação e uma capacidade inerente de suportar chamas. Esse conjunto de
atribuições permitiu certificações do Food and Drug Administration (FDA),
o órgão norte-americano responsável pela proteção dos suprimentos de
alimentos e medicamentos, que liberou o uso em aplicações em que há
contato direto com os primeiros. O material também tem classificação V0,
segundo a norma UL-94, e os graus médicos estão em fase de testes segundo
a diretiva 93/42/EEC na Europa. Nos Estados Unidos, devem ser obtidas em
breve aprovações segundo a farmacopéia americana.
Heinrich apresentou oito novos grades: quatro não-reforçados, com
viscosidade de baixa a alta, para a injeção de peças como engrenagens e a
extrusão de semi-acabados; dois graus reforçados com fibras de vidro ou de
carbono, para a injeção de peças com maior rigidez e baixa contração
volumétrica, como carcaças; um grau autolubrificante reforçado com PTFE,
grafite e fibra de carbono para a injeção de engrenagens e componentes de
rolamentos; e um tipo não-reforçado para a extrusão de cabos.
Entretanto, a combinação incrível de propriedades do PEEK em altas
temperaturas obriga processadores a adotar cuidados redobrados em seu
processamento. O material requer altas temperaturas de operação, pois os
pontos de fusão oscilam entre cerca de 360º C até 400º C.
Para identificar a necessidade por um material desse tipo, Heinrich sugere
que em um universo de seis exigências de desempenho, os clientes sujeitos
a duas delas deveriam optar pelo PEEK. Esses requisitos tecnológicos são
temperatura de operação contínua por volta de 260º C, classificação UL-94
V0 com baixíssima emissão de fumaça, excelente resistência química,
resistência à radiação X, beta e gama, alta resistência ao desgaste e
resistência mecânica compatível com substituição de metais.
As aplicações com esse tipo de necessidade podem ser encontradas no
mercado automotivo, como nas engrenagens da transmissão e em peças das
bombas de óleo. No campo aeroespacial, o PEEK pode ser utilizado para
proteger fios e fibras ópticas, e entre as aplicações industriais, a
produção de componentes de bombas, como os rotores, é um dos filões
atraentes. A compatibilidade do polímero com resinas epóxi também favorece
o uso na indústria eletroeletrônica, pois permite a montagem direta de
peças em placas de circuito flexíveis.
Polímeros em pó – O seminário também ofereceu aos presentes
informações sobre a tecnologia de polímeros em pó destinada à aplicação em
revestimentos. A Degussa possui em seu portfólio uma poliamida (PA) 12 em
pó adequada ao uso em leitos fluidizados, minirrevestimentos, processos
eletrostáticos e aspersão por chama (flame spraying).
Esse pó termoplástico possui ponto de fusão de 176º C, e sua densidade é
bastante próxima à da água, ao redor de 1,016 g/cm3. O produto é
considerado fisiologicamente não-prejudicial, e uma camada com 500
micrômetros de espessura consome meio quilo de material por metro
quadrado. Seus grânulos possuem forma de “batata”, arredondada, e diâmetro
médio de 55 micrômetros a 100 micrômetros em D50. De modo geral, o
revestimento por leitos fluidizados demanda partículas com tamanho médio
ao redor de 100 micrômetros; os minirrevestimentos, tamanho médio maior
que 55 micrômetros; o revestimento eletrostático requer valores entre 30 e
50 micrômetros; e cerca de 100 micrômetros no caso da aspersão por chama.
Entre as vantagens da PA em pó, o palestrante Heinrich ressaltou a boa
estabilidade mecânica e a dureza, a resistência à abrasão e ao impacto, e
a elasticidade, a boa adesão a metais, e as altas resistências ao calor e
a ataques químicos. Além disso, são oferecidas em torno de 1.600 cores, a
maior parte disponível para aplicações em leitos fluidizados.
Nessa tecnologia, as peças a ser revestidas são imersas em um tanque no
qual a passagem de ar aquecido e livre de óleo por placas porosas fluidiza
o pó. O bom comportamento do material nessa situação se deve em parte ao
formato arredondado das partículas. O processo é adequado a peças de
grandes dimensões com necessidade por revestimentos de grande espessura
(de 350 a 1.500 micrômetros), e, por esse mesmo motivo, muitas vezes é
necessário um pré-aquecimento, pois a peça demora a atingir a temperatura
desejada. Já o processo de minirrevestimento consiste de uma adaptação da
tecnologia de leitos fluidizados para um equipamento fechado, adequado a
peças de pequenas dimensões e coberturas com espessura entre 100 e 150
micra. A Degussa desenvolveu um novo grade branco com alta concentração
pigmentária para esse tipo de aplicação. No entanto, ambos os métodos
permitem a cobertura de um número limitado de formatos e, no caso dos
minirrevestimentos, existe a necessidade de uma etapa adicional para
colorir a peça e outra de pós-aquecimento, destinada a melhorar o
acabamento superficial. A PA em pó também pode ser utilizada em
revestimentos eletrostáticos, porém há apenas resinas transparentes e
pretas disponíveis, e em aspersão por chama, com a ressalva de uso de
cores fortes para prevenir o risco de amarelamento.
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