PERSPECTIVAS
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Tormento quer
tornar indústria
mais competitiva



Rose de Moraes
200 7ABTB
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Há muitas certezas no horizonte das borrachas em 2007. Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha, Luis Tormento, da LT Químicos, o mercado brasileiro continuará a presenciar os avanços dos elastômeros termoplásticos, os TPEs. Muito apreciados em aplicações automotivas, industriais e calçadistas, esses materiais dispensam vulcanização e combinam propriedades, como tenacidade, elasticidade e diferentes faixas de dureza, com as mesmas facilidades de processamento dos plásticos. Mas também os TPVs, elastômeros termoplásticos vulcanizados, continuarão escalando degraus à frente. As duas categorias de borrachas já crescem ao ritmo de 9% ao ano e são as que contam com as melhores perspectivas de continuar alcançando bons níveis de crescimento até pelo menos 2010.
 
“Em substituição às borrachas tradicionais, os elastômeros termoplásticos e os TPVs mantêm níveis de crescimento ao redor de 7% e 8% ao ano no mercado europeu, e avançam de forma mais acelerada no norte-americano, onde alcançam níveis de 10% ao ano”, informou Tormento.

Em virtude desses níveis, e também das inúmeras pesquisas em andamento em universidades e centros de pesquisa espalhados pelo mundo, responsáveis pelo surgimento de novas aplicações a cada temporada e pela maior oferta de produtos, as expectativas para os TPEs e TPVs em 2007 são as mais promissoras possíveis.

Cuca Jorge

Previsões para TPE  e TPV são promissoras

“Hoje, grande parte das pesquisas sobre blendas de elastômeros e plásticos estão surgindo na China, que está se tornando a principal fabricante de produtos que utilizam esses elastômeros”, acrescentou o presidente da ABTB.
E é da China que estão surgindo as principais ameaças à produção brasileira, recaindo, em especial, sobre as produções de artefatos de borracha destinados às indústrias de calçados e de automóveis, que passaram a comprar muito mais peças e componentes dos chineses, bem como das demais procedências da Ásia.

O presidente da ABTB também confessa não estar confiante no crescimento de várias borrachas produzidas no Brasil, como a de polibutadieno (BR), as nitrílicas (NBR), e a de etileno-propileno-dieno (EPDM), entre outras. “Todas, sem exceção, já estão apresentando consumo praticamente estagnado e, com a oferta maior do que a procura, certamente deverão ter seus preços corroídos”, considerou.

A título de exemplo, Tormento menciona a NBR, com desenvolvimentos voltados para uma série de componentes automotivos, como mangueiras de óleo, dutos de ar, correias, coxins, batentes e coifas, que estariam crescendo a taxas máximas de 0,5% ao ano. Ocorre que muitas borrachas desse tipo vêm perdendo mercado para outros itens, como as borrachas nitrílicas hidrogenadas de alto desempenho (HNBR), as borrachas de epicloridrina (ECO) e os fluorpolímeros (FKM), empregados em praticamente todos os sistemas vinculados à injeção eletrônica e aos combustíveis da indústria automobilística.

De acordo com análise feita pelo presidente da ABTB, também as borrachas de polibutadieno, mais voltadas ao setor automotivo, estariam apresentando níveis de crescimento aquém do esperado, de 2,1% ao ano, enquanto as de estireno-butadieno (SBR), de maior uso no setor calçadista, estariam crescendo à taxa de 1,6% ao ano. “As taxas de crescimento dessas borrachas podem ser consideradas bastante baixas, principalmente se comparadas com os níveis de crescimento da economia e da produção mundial de automóveis, o que denota estar ocorrendo a substituição gradual desses polímeros por outros que, à primeira vista, são plásticos e borrachas termoplásticas, ficando apenas o setor de pneumáticos intocado, pois não há substituto termoplástico aos pneus, ainda”, considerou o presidente da ABTB.

Em 2007, os transformadores das borrachas também podem contar com mais uma certeza: as restrições ambientais deverão fechar mais o cerco sobre peças, componentes e todos os tipos de artefato cuja produção gera nitrosaminas, associadas a alguns tipos de aceleradores empregados na produção.

As principais restrições deliberadas em legislações mais rígidas surgiram na Europa, mas deverão se refletir diretamente sobre as exportações brasileiras de artefatos de borracha já a partir do fim de 2007, prazo final concedido às indústrias para se adaptarem às novas exigências.
A Europa também está impondo restrições aos PAHs, compostos aromáticos presentes em muitos produtos utilizados nas indústrias de borracha, principalmente cargas e plastificantes, empregados na fabricação de pneus.
 

 
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