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Os motivos que atrapalham o
crescimento mais vigoroso da transformação por aqui são bastante
conhecidos: juros altos, carga tributária excessiva, real exageradamente
valorizado, além dos problemas estruturais que há tempos dificultam o
planejamento dos empresários, caso das vias de transporte precárias e das
condições desfavoráveis dos portos. Por causa desses fatores, estimativas
feitas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)
indicam desempenho decepcionante em 2006, com queda do faturamento do
setor em torno de 1,3% em comparação ao do exercício anterior.
“Para o setor apresentar bom desempenho, seria necessário que crescêssemos
algo em torno de 5% ao ano, o que não parece ser viável dentro das
condições atuais”, lamenta Merheg Cachum, presidente da Associação
Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Mesmo se alcançasse tal
índice, o Brasil ainda estaria distante dos patamares atingidos pelos
países asiáticos, que têm obtido crescimentos da ordem de 9% a 10% ao ano.
Queixas – Os problemas enfrentados pelas empresas do setor são
avaliados pelo presidente da Abiplast. “Os transformadores brasileiros não
querem privilégios para produzir no Brasil. O que queremos é poder
competir de igual para igual com os transformadores de outros países, para
que possamos demonstrar a capacidade criativa do empresário nacional”,
resume.
Para Cachum, a concorrência desleal com os produtos importados, problema
grave em um ambiente econômico a cada dia mais globalizado, se deve a
alguns fatores. “Nossa carga tributária é a mais elevada do mundo”,
queixa-se. O pior, para o dirigente, é que a questão está longe de ser
solucionada. Mesmo com tributos que se aproximam de 40% do Produto Interno
Bruto, o governo apresenta problemas de caixa. Os gastos para o pagamento
da dívida pública são assombrosos e fazem com que sobrem verbas irrisórias
para os investimentos públicos.
Em termos de recordes mundiais, o País apresenta outro dado que não é
motivo de orgulho. “Nossos juros são os mais elevados do mundo”, acusa o
presidente do Abiplast. É verdade que em 2006 a taxa Selic, índice sob
responsabilidade do Banco Central, sofreu considerável redução. Mas ainda
está distante da praticada em outros países. “Os juros cobrados pelas
instituições financeiras são proibitivos e inibem os investimentos em
atividades produtivas”, lamenta.
Para agravar a situação, o real vem apresentando forte valorização. O
fenômeno se deve em grande parte às elevadas taxas de juros, que atraem
capital de caráter especulativo para o País. Para o setor produtivo o
fenômeno é negativo, uma vez que inibe as exportações. Mais do que isso,
favorece a entrada de artefatos plásticos importados, em especial dos
fabricados no continente asiático. “Os chineses são competentes e
agressivos, existem setores da indústria brasileira que já foram duramente
atingidos por eles e o de transformação de plástico corre sérios riscos”,
destaca o presidente da Abiplast.
Para justificar seu raciocínio, Cachum lembra que os transformadores que
atendem a indústria automobilística estiveram entre os que conseguiram bom
desempenho no ano passado. Isso porque as montadoras conseguiram exportar
um número de veículos bastante significativo. Com a desvalorização do
dólar, no entanto, existe forte risco do setor automotivo perder mercado
no exterior, o que afetaria também seus fornecedores. Sem falar que a
importação dos componentes plásticos que equipam os carros se torna mais
viável.
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