No Brasil, há alguns entraves contra o setor. Responsáveis por cerca de 70% dos custos, as resinas tiveram forte influência no rumo da indústria de embalagens flexíveis. A alta do preço de sua principal matéria-prima já é velha conhecida e teve impacto de 30% nos custos. Apesar de emperrar novos investimentos, esse cenário abre para o segmento uma nova possibilidade: a diminuição do peso das embalagens. O mercado, cada vez mais, exige leveza, campo em que se prenuncia o advento efetivo da nanotecnologia. Além da redução do uso da matéria-prima, feito importante em época de aumento de preços, há o ganho de imagem, em virtude de seu apelo ecológico.

Em consonância com essa tendência, considerada definitiva, novos materiais figuram entre as novidades, como é o caso dos bioplásticos. A escolha pelas fontes renováveis também fará a diferença no setor de flexíveis, de acordo com a Abief. Para a associação, apesar de sua comprovada eficiência e dos desenvolvimentos que despontam no mundo, como o de algumas blendas à base de milho, criadas na Alemanha, em substituição às poliolefinas, no Brasil ainda há empecilhos para o avanço do uso de materiais de fontes renováveis, como a inexistência de uma legislação consistente. Mas ele não descarta o deslanche desse ramo da indústria para o futuro.

Mani também considera que, daqui a alguns anos, a produção de embalagens será medida por unidades e não mais em toneladas. O mercado, segundo ele, deixará de se pautar somente na produção, o que vem a calhar, pois o setor de flexíveis ruma à efetivação das embalagens individuais. Essa tendência incorpora outra previsão: a demanda de embalagens tipo stand-up pouch (SUP) deve crescer. A Abief vislumbra novas aplicações para o flexível, por causa da maior aceitação da SUP. O plástico se fortalecerá, dessa forma, perante a lata, por exemplo. Também para os próximos anos, espera-se o aumento do consumo do rótulo sleeve. Capaz de promover e diferenciar o produto no ponto-de-venda, esse adesivo deve engordar o faturamento do setor.

“Há trinta anos, o flexível era sinônimo de saquinho plástico”, comenta Mani. Segundo ele, o conceito hoje é muito diferente, pois o produto embute diferenciações capazes de elevar o status do flexível. Além da proteção, a embalagem, cada vez mais, oferece condições para a sofisticação e a personalização do produto. Os formatos e os materiais empregados são específicos para cada tipo de aplicação e absorvem inovações, como a utilização de tecnologia que garante o aumento do tempo de prateleira do produto embalado. Outra novidade prevista para os próximos anos é o uso crescente de embalagens aptas a ir ao microondas. A Abief divulgou pesquisa do órgão norte-americano Packaging Strategies para sustentar sua previsão. De acordo com o levantamento, em 2006, os Estados Unidos consumiram cerca de 11 bilhões desse tipo de embalagem. Até 2011, esse segmento deve aumentar mais de 10% ao ano. “Crescerá o consumo de comidas prontas”, prevê Mani.

Consciente de que as inovações não surgem sem o empenho das indústrias, a Abief aposta no investimento do brasileiro em pesquisa e desenvolvimento. Segundo a associação, para os próximos anos, não haverá como não se voltar para essa área. “A produção por produção não faz mais sentido”, alerta. Por isso, é preciso priorizar novos desenvolvimentos e sobretudo a formação de especialistas. “O transformador deve se preocupar com a qualificação profissional”, aponta. Ele considera que a inserção de pesquisadores no elo da cadeia produtiva poderá desenhar um novo cenário para os próximos anos.
 
 
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