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PVC
Construção civil puxa
consumo de resina mas
disparada do petróleo
derruba as margens
Texto de Márcio Azevedo Fotos de Cuca Jorge
A indústria de construção baliza o humor dos mercados consumidores
mundiais de policloreto de vinila – o PVC. Os investimentos em habitação,
saneamento básico e infra-estrutura absorvem cerca de 60% das 25 milhões
de toneladas de resina processadas em todo o mundo. No Brasil, essa fatia
é um pouco maior e a manufatura de tubos e conexões, janelas, perfis para
forros, fios, cabos, cercas e outros produtos consome 64% da produção
nacional do plástico.
A cadeia da construção nacional também é responsável por 17% do Produto
Interno Bruto (PIB). Apesar da participação importante, ela vinha
computando taxas de crescimento decrescentes, e depois negativas, desde
2001. Sem torque adequado em seu principal motor, o consumo aparente
brasileiro de PVC vacilou, oscilando entre 620 mil t e 690 mil t anuais de
2001 a 2005, sem superar o recorde de 730 mil t estabelecido em 2000 Eis
que, no entanto, o Governo reeleito decidiu almejar a marca do
desenvolvimento nacional para seu segundo mandato e tomou medidas que
aceleraram o ritmo da construção civil. Como resultado, o crédito
imobiliário cresceu de R$ 3 bilhões, em 2004, para mais de R$ 4,5 bilhões
em 2005, e deve aumentar acima de 100% ao fim de 2006, atingindo cerca de
R$ 10 bilhões.
Além disso, as condições para pagamento da dívida ficaram mais
previsíveis, com a possibilidade de financiamento da casa própria com
taxas pré-fixadas e crédito consignado. Parte da cesta básica do segmento
foi contemplada com reduções das alíquotas do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), e os empreendimentos no setor foram beneficiados
com a inclusão no regime especial de tributação da Lei das Micro e
Pequenas Empresas. O ano eleitoral atraiu maiores desembolsos para a área
de saneamento e mais de R$ 2 bilhões deverão ser injetados na economia
nacional até que ele finde.
Oscilações repetidas, previsões comedidas – Os incentivos públicos
somados a um aquecimento em aplicações nas quais o PVC deslocou materiais
concorrentes resultarão em crescimento do consumo brasileiro próximo a 8%
em 2006. As estimativas no começo do ano apontavam algo entre 5% e 6%, mas
foram superadas.
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“Os dados do Siresp mostram o crescimento do consumo aparente brasileiro”,
diz Gibran João Tarantino, gerente comercial do negócio de PVC da Solvay
Indupa do Brasil, referindo-se às estatísticas do Sindicato da Indústria
de Resinas Plásticas. Os contingenciamentos recorrentes que impediram
investimentos públicos previstos em outras épocas escassearam em 2006.
“Têm ocorrido licitações em todo o território brasileiro, que estão se
convertendo em obras de saneamento básico”, avalia Tarantino, com base nas
informações de clientes atuantes no segmento de infra-estrutura. Ele
também lembra que o Governo Estadual de São Paulo reduziu o Imposto sobre
a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) incidente em
materiais da construção civil. O corte, de 18% para 12%, foi apontado como
mais um dos motivos que levaram o consumidor dito formiguinha, que
constrói o puxadinho no fundo quintal ou sobre a laje da casa, a mais uma
vez impulsionar o consumo de PVC em habitação. |
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A desoneração fiscal sobre
intermediários da construção civil provoca aceleração rápida da indústria,
e há a possibilidade de que as autoridades públicas adotem outras medidas
do tipo.
Além de tubos e conexões, tradicionalmente as aplicações de maior volume
no Brasil, 2006 foi um bom ano para os segmentos de perfis, o que inclui
divisórias, forros e esquadrias. Uma das mudanças no panorama das
esquadrias, uma eterna promessa brasileira, vem do fato que a Solvay
passou a fornecer no Brasil o mesmo grade empregado em esquadrias da
Europa, onde esses produtos estão amplamente difundidos, a madeira é cara
e há escala econômica de produção.
O ritmo de crescimento da Solvay foi o mesmo do mercado interno, entre 8%
e 10%. O problema no negócio de PVC brasileiro é que as margens estão
prejudicadas, principalmente pelo aumento de custos da matéria-prima de
origem petroquímica. O preço do eteno, no rastro do forte incremento nas
cotações dos barris de petróleo, ainda não passou por um ciclo consistente
de baixa.
Outra força negativa para a rentabilidade vem das importações de produtos
semi-transformados e acabados chineses. Elas pressionam os preços dos
clientes dos fornecedores de resinas, que reduzem as compras da
matéria-prima plástica, pois a produção oriental desembarca no Brasil
surrealmente competitiva. A maior ênfase é nos laminados de PVC, mas os
setores de brinquedos e calçados também foram penalizados, bem como todos
dependentes de melhores condições de câmbio. Mesmo assim, alguns
laminados, como os utilizados em estofamentos, móveis e embalagens
apresentaram crescimento discreto.
O incremento da demanda também alavancou o resultado das vendas da
brasileira Braskem, a principal fornecedora do mercado interno.
Segundo o diretor comercial
do negócio de PVC, Luciano Guidolin, o segmento de tubos e conexões,
tanto nas aplicações prediais, mas principalmente em infra-estrutura e
saneamento, cresceu acima de 30%, e nos perfis a expansão também teve
taxa de dois dígitos. “O crescimento do mercado brasileiro em 2006 vem
da maior liberação de recursos para investimento em saneamento básico,
da maior atividade do setor de construção civil como um todo, e nos
perfis, por que ainda há aumento do espaço que o PVC ocupa deslocando
outros materiais”, opina Guidolin. Além dos perfis para forros,
aqueles para revestimentos de concreto também estão percebendo maior
consumo. O diretor comercial cita edital licitado em Alagoas para a
construção de 1.300 residências com esse tipo de tecnologia no ano que
vem.
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| Tarantino 10 % do mercado dá escala viável a janelas de PVC |
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