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PETROQUÍMICAS DIVULGAM
APORTE EM NANOTECNOLOGIA
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Após se tornar a primeira petroquímica brasileira a depositar
patentes na área de nanotecnologia, a Braskem anuncia a produção
comercial de uma linha de resinas nanoaditivadas. O desenvolvimento, realizado
no Centro de Tecnologia e Inovação do pólo petroquímico
de Triunfo-RS, em parceria com o Departamento de Química da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, consumiu investimentos de R$ 5 milhões,
quinze meses de pesquisa e resultará em produção
que pode chegar a 10 mil t/ano em 2007. O volume pode ser duplicado a
cada seis meses, dependendo da receptividade do mercado nacional e da
evolução da demanda. O potencial estimado de vendas no Brasil
é de US$ 150 milhões, ou 100 mil t/ano.
A aplicação de nanotecnologia na produção
de termoplásticos tem se concentrado na substituição
de cargas minerais tradicionais, com dimensões da ordem de micrômetros,
por materiais cujas partículas são reduzidas ao tamanho
de nanômetros. Foi isso que a Braskem fez: criou uma linha de polipropilenos
aditivados com nanopartículas de argila, que é o material
mais usual para esse fim.
A criação original da empresa é protegida por patente,
no entanto, refere-se à maneira como a argila é delaminada
(ou esfoliada) para ser incorporada ao polímero. As argilas são
materiais lamelares e seu emprego como aditivo em plásticos requer
a separação dessas lamelas. Isso pode ser feito de duas
maneiras: por processo físico, em extrusoras, ou em reatores, por
métodos químicos. Os processos usuais transcorrem por via
física, em que não é sempre possível controlar
a extensão da esfoliação até que ela seja
completa.
A petroquímica brasileira criou um processo químico que
permite grande controle da esfoliação, e por conseqüência,
das propriedades do produto final. Esse ajuste fino permite que os novos
nanocompósitos de PP apresentem melhor balanço de propriedades
mecânicas. Os pesquisadores conseguiram obter produto que oferece,
simultaneamente, resistência ao impacto quatro vezes maior e rigidez
20% superior às das poliolefinas comuns. O método químico
também permite a incorporação das nanopartículas
de argila na própria linha de produção do polímero,
enquanto o físico demanda uma etapa mecânica adicional. Os
nanocompósitos – plásticos aditivados com nanopartículas
– requerem lamelas dispersas com dimensões menores que 50
nanômetros e o produto da Braskem possui lamelas completamente separadas
e com espessura entre 6 nanômetros e 40 nanômetros. Foram
usadas argilas importadas com o objetivo de acelerar o desenvolvimento
do produto, mas já estão sendo pesquisadas fontes nacionais,
que apresentam o inconveniente de alto teor de ferro e interferência
na cor do produto final.
O PP nanotecnológico apresenta diversas vantagens perante a resina
convencional, como maiores resistências química, térmica
e mecânica, melhores propriedades de barreira a gases, acabamento
superficial e isolamento térmico e elétrico, e facilita
processos de impressão e pintura, além de reforçar
as propriedades antichamas. Essas peculiaridades podem ser utilizadas
para a produção de embalagens inteligentes, peças
técnicas com novos designs e menor peso e, de modo geral, utensílios
com maior resistência mecânica. As aplicações
vislumbradas se inserem nas indústrias automobilística,
de embalagens, têxtil, de construção civil, de eletrodomésticos
e eletroeletrônicos, e em revestimentos.
Suzano engrossa investimento – Tam-bém chega ao mercado
a primeira família de nanocompósitos de polipropileno desenvolvida
pela Suzano Petroquímica. A novidade foi apresentada ao público
durante a realização da Nanotec 2006, evento sobre nanotecnologia
realizado em São Paulo no início de novembro. A nova linha
de resinas é enriquecida com nanopartículas de prata e apresenta
como principal característica contar com ação bactericida
e fungicida.
A família de resinas foi desenvolvida nos laboratórios de
pesquisa e desenvolvimento da Suzano e é indicada para diferentes
meios de transformação, obtidos por meio de injeção,
extrusão ou sopro. Antes de efetivar o lançamento, a empresa
realizou todos os testes necessários para garantir que o produto
não causa danos à saúde. “A prata é
um produto utilizado há séculos em aplicações
antimicrobianas”, ressalta Cláudio Marcondes, gerente de
novos produtos da Suzano. Ela é oferecida em grãos e se
adapta com facilidade aos equipamentos de transformação
existentes.
De acordo com Marcondes, o campo de aplicações da nova resina
é bastante amplo. “Essa família de resinas conta com
grande potencial de mercado”, garante. Ela pode ser utilizada, por
exemplo, em embalagens injetadas ou extrudadas de alimentos perecíveis,
que podem ganhar maior vida útil. “Ou em inúmeras
outras aplicações, como peças internas de geladeiras
ou de aparelhos de ar-condicionado, em utensílios utilizados em
hospitais e outras”, acrescenta.
Além da novidade, a Suzano Petroquímica trabalha para lançar
em breve no mercado duas novas famílias de nanocompósitos
de polipropileno. Uma delas, que deve chegar ao mercado no início
do próximo ano, é enriquecida com nanopartículas
de argila. Ela apresenta barreira contra gases de 40% a 50% maior e resistência
mecânica 50% superior em relação aos compósitos
existentes hoje. “Essas características são obtidas
sem que haja perda de resistência ao impacto”, explica Marcondes.
Uma terceira família de nanocompósitos de polipropileno,
que deve ser lançada pela empresa dentro de um ano, deve apresentar
propriedades antichama. A linha de produtos vem sendo desenvolvida pela
empresa em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
J.P.Sant’Anna e M. Azevedo
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