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EVENTO PROPÕE INOVAÇÃO
EM PLÁSTICO E BORRACHA |
Buscar a integração tecnológica de profissionais
dos segmentos de transformação de borracha e plástico
com fornecedores de produtos e serviços e centros de pesquisa.
Esse foi o objetivo do XI Seminário de Atualidades Tecnológicas
Elastômeros, Plásticos, Adesivos e Moldes, realizado
em fins de outubro, em Porto Alegre-RS. O evento é anualmente promovido
pelo Centro Tecnológico de Polímeros Senai de São
Leopoldo (Cetepo) e na edição 2006 atraiu 500 participantes
entre ouvintes e palestrantes.
O supervisor de educação e tecnologia do Cetepo, Nilso José
Pierozan, explicou os objetivos do seminário. “O evento dá
oportunidade ao intercâmbio entre todas as partes da cadeia produtiva
e mostra um caminho a ser seguido”, disse.
Nas apresentações do seminário, Amauri Gentil, da
área de desenvolvimento da General Motors, lamentou a indiferença
da indústria nacional de transformação com relação
às novas tendências em projetos de peças e componentes
empregados pela indústria automotiva de última geração.
Segundo ele, as autopeças dos carros modernos são importadas
porque no Brasil não existe desenvolvimento. Com isso as tecnologias
e as patentes estão todas no exterior.
Gentil destacou alguns componentes antes confeccionados exclusivamente
em borracha, que começam a ser fabricados dentro do conceito de
convergência de materiais. Tubulações de passagem
de combustível, do fluido do freio e de condicionadores de ar tendem
a ser manufaturadas com revestimento externo em elastômeros e camadas
internas de plásticos de engenharia, capazes de conferir barreiras
à degeneração química ocasionada pela ação
corrosiva do combustível, dos óleos e fluidos.
O diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande
do Sul, Ricardo Felizzola, reforçou a avaliação de
Gentil ao afirmar que a indústria nacional é tímida
com relação aos investimentos em inovação.
“Tem de fazer pesquisa e desenvolvimento para poder inovar”,
é preciso criar produtos novos porque o que já está
pronto é dominado pela China”, advertiu Felizzola.
Ressoi Schubert Pierozan, da Ipiranga Petroquímica, fez um apanhado
sobre as olefinas mais empregadas na indústria automotiva. Nos
pára-choques, painéis, chapas, pára-lamas, a principal
resina é o polipropileno, geralmente acrescido de cargas minerais
para melhorar suas propriedades como a estabilidade térmica e dimensional
e o aumento da rigidez por conta do uso de talco, caulim e carbonato de
cálcio, ou ainda o reforço da fibra de vidro, o qual amplifica
as propriedades térmicas e elétricas, principalmente nos
painéis feitos de chapas processados em termoformagem.
As principais aplicações do polietileno de alta densidade,
outra resina muito requisitada, se voltam aos tanques de combustíveis,
sistemas de abastecimento, reservatórios, dutos para ar-condicionado.
De acordo com o técnico da IPQ o uso do PEAD puro ocorre devido
ao peso molecular bem distribuído, o que confere densidade e boa
capacidade de aditivação.
O peso molecular influencia ainda as propriedades mecânicas do material
e interfere no processamento. “A densidade está relacionada
ao grau de organização das moléculas do polímero
no estado sólido”, explicou Ressoi. Para ele, as principais
vantagens oferecidas pelo PEAD são leveza, otimização
de espaço, resistência à corrosão e, portanto,
segurança, além de menor custo inferior de produção.
Outro tema abordado no seminário foi a evolução dos
silicones e dos materiais relacionados com a obtenção desses
polímeros. Adriana Visnardi Veríssimo, da General Electric
Silicones Advanced Materials, lembrou: esses materiais ocorrem naturalmente
como derivados da sílica ou do quartzo mineral. Apesar de abundantes
no ambiente, os silicones foram introduzidos na indústria a partir
dos anos 40, com a descoberta do processo direto de produção
de clorosilanos.
As primeiras patentes em borracha de silicone são da GE, informou
Veríssimo. “Desde então, a borracha de silicone ocupa
espaço como um material extremamente versátil. Em intervalo
de 30 anos, o silicone encontrou centenas de aplicações,
produzindo uma indústria de 1 bilhão de dólares”,
assinalou.
Quanto às propriedades, os silicones aceitam grandes deformações,
mantendo boa resistência mecânica e módulo de elasticidade
quando deformado. Veríssimo citou alguns exemplos de borrachas
de silicone como o HCE (Heat Cured Elastomer) ou HTV (High Temperature
Vulcanized), dois elastômeros de silicone com alta consistência
e cura em altas temperaturas. “São polímeros constituídos
em longas cadeias de átomos alternantes de silício e oxigênio,
a mesma ligação encontrada no quartzo, no vidro e areia,
possuindo uma natureza orgânica-inorgânica com forças
intermoleculares atrativas fracas”, explicou.
“Esta estrutura polimerizada, bem diferente dos polímeros
de longas cadeias de átomos de carbono, têm como resultado
um material muito flexível e móvel, cujas cadeias se emaranham
e desemaranham muito facilmente. A mais notável propriedade da
borracha de silicone é que esta consegue manter as características
desejadas num grande intervalo de temperatura [-100C até 315C]”,
disse a técnica da GE.
Gabriela Aguiar, da Rhodia, apresentou as principais características
dos silicones da série 700 fabricados pela empresa: resistência
ao envelhecimento natural (oxidação, UV), isolamento elétrico,
antiaderência ou aderência, hidrofobicidade, lubrificação,
permeabilidade a gases, compatibilidade com sílica e derivados,
bio compatibilidade, bom comportamento em relação ao fogo
sem a emissão de fumaças tóxicas.
Beatriz Zaki, da Degussa, apresentou as soluções da empresa
para a indústria de adesivos ao explicar o comportamento das sílicas
pirogênicas, ou dióxidos de silício nanométricos,
amorfos e de alta pureza obtidos pelo processo pirogênico (SiCl4
+ H2 + O2 = SiO2 +HCl). “Podem ser hidrofílicas ou hidrofóbicas
e têm efeitos anti-sedimentantes, reologia/tixotropia, antiescorrimento,
resistência à umidade, estabilizante, reforço”,
sentenciou, Aguiar. Por conta disso, os silicones obtidos dessas sílicas,
combatem a rugosidade durante a aplicação em adesivos de
policloropreno e policloreto de vinila.
Já os silicatos metálicos e dióxidos de silício
amorfos obtidos por precipitação ácida resultam em
efeitos antiaglomerantes e atuam como auxiliares em adesivos de policloropreno
em reforços de borracha de silicone. Sobre o uso de organosilanos,
ou silanos organo-funcionais, Zaki esclareceu que se caracterizam por
uma combinação de atividade orgânica e reatividade
do silício e reagem bem com polímeros orgânicos e
substratos inorgânicos para promoverem a adesão em substratos
inorgânicos, encapsulantes de poliuretanos. Atuam ainda como agentes
de secagem, revestimento de cargas e antiespumantes. Como aditivos em
co-polímeros, polisiloxano e com aditivos espessantes base PU,
geralmente são aplicados no processo de fabricação
de PVA, e são indicados também para adesivos PSA.
Para Marco Antonio da Silva, da Arkema, coube analisar a tecnologia desenvolvida
pela empresa para reduzir o tempo de reticulação das placas
de EVA injetadas a partir de formulações com peróxidos
orgânicos como o Luperox F40P-SP2, o qual permite o aumento da temperatura
do injetor e confere maior velocidade na injeção, com menor
tempo de cura na prensa.
Como forma de diminuir o tempo de reticulação (prensa ou
injeção), a Arkema desenvolveu a combinação
F40P-SP3 com vantagens de possibilitar a compostagem em misturador interno
ou dupla rosca, com aumento da temperatura de descarga e da rotação
e com maior geração de calor, diminuindo os tempos, com
ganhos de produtividade. “Na injeção, quanto maior
a temperatura do injetor, maior velocidade de injeção, menor
tempo de cura na prensa, com redução de até 35% no
tempo de cura”, assegurou Silva.
Marcio Amorim, da Romi, explicou as vantagens das injetoras de acionamento
100% elétrico. Para ele, esses equipamentos atendem aos mais diversos
requisitos da produção industrial planejada. Por meio de
servomotores de baixa inércia possibilitam velocidades lineares
de até 1. 200 milímetros por segundo e, como decorrência
desse recurso, conferem altíssima precisão no controle.
Diante disso, eliminam em 60% o consumo de energia comparada à
injetora hidráulica, 40% em relação à injetora
hidráulica com bomba de vazão variável, e 30% quando
confrontada com a injetora com plastificação elétrica.
“A produção é limpa porque não há
vazamento de óleo, ambiente livre de contaminantes e partículas
em suspensão, menor tempo de start up, ausência de pré-aquecimento
do óleo, economia nos custos das instalações de refrigeração
do ambiente e da máquina, consumo de água para refrigeração
5 vezes menor do que as máquinas convencionais, ambiente do molde
livre de contaminantes, uma vez que a placa móvel se movimenta
sobre guias lineares, não permitindo o contato dos tirantes com
a placa móvel, o que evita a lubrificação dos tirantes”,
analisou o engenheiro da Romi.
A precisão e a repetibilidade dos movimentos decorrem dos servomotores
com sistema de encoder óptico embutido de 18bit, com altíssima
precisão no controle de velocidade, torque e posição,
baixo coeficiente de atrito, maior precisão e rigidez no deslizamento
da placa móvel, utilização das guias lineares, repetitibilidade
de parada da placa móvel, redução do ciclo de produção.
Tais recursos facilitam a utilização de robôs e manipuladores
de peças.
O XI Seminário de atualidades tecnológicas abriu espaço
também para a engenharia de softwares, principalmente para as soluções
em virtualização de peças, componentes e simulação
do comportamento de peças acabadas em borrachas e termoplásticos,
ainda na etapa de projeto. Celso Noronha, da empresa Smartech, apresentou
uma série de exemplos nesse aspecto como testes de amortecimento
a impacto e amortecimento de vibrações de coxins em diversas
superfícies.
Nos plásticos, o Abaqus possibilita diversos tipos de análise
estrutural para componentes. No drop test corre a análise estrutural de
peças, notadamente automotivas, plásticos reforçados, estabilidade de
garrafas sopradas, cálculo do escoamento do material fundido dentro do
molde. Promove ainda o estudo da qualidade da peça, falhas de injeção,
linhas de emenda, aprisionamento de ar, congelamento e contrações,
otimização de espessura e cria condições para redução do ciclo de
produção.
Fernando Cibelli de Castro
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