“Após um grande avanço nas últimas décadas, a ampliação do uso do plástico agora ocorre de uma forma mais lenta. A tendência não é mais a inovação ocorrer em peças de uma forma isolada. A substituição de materiais agora tende ocorrer em conjuntos de peças, formando uma unidade”, diz o executivo. Mas ele também não revela o que consta nas pranchetas dos técnicos da Whirlpool.

Um passo importante para a indústria do plástico seria substituir o aço na carcaça externa dos eletrodomésticos. O que restringe esse avanço não é tanto uma questão tecnológica, mas o fato da indústria de eletrodomésticos ter seu parque fabril planejado para o uso do aço nessa função.
 

Cuca Jorge

Stockmann: uso do plástico deverá aumentar

O plástico não apresenta um custo benefício que justifique investimentos para alterar as linhas de produção, avaliam os especialistas.

Atualmente, estima Andrew Jones, diretor de produtos para monômeros de estireno e poliestireno para a Dow Chemical na América Latina, apenas os segmentos de geladeiras e freezers consomem cerca de 75 mil toneladas de polímeros anuais.

As resinas mais utilizadas pela indústria de eletrodomésticos de linha branca, conforme informa a consultora Taís Sozo Marcon, da MaxiQuim, são o poliestireno (PS) e o polipropileno (PP).  Em menor escala, as resinas ABS e SAN. O consumo brasileiro de poliestireno para peças da linha branca em 2005 foi de aproximadamente 38 mil toneladas. Já o consumo de plásticos de engenharia é limitado, com aplicações principalmente em itens como puxadores, botões e conectores.

As características que tornaram o plástico um material bastante difundido no segmento de eletrodomésticos são conhecidos. O uso do plástico é mais barato que o aço e dá maior leveza ao equipamento, reduzindo custos de transporte. O material também tem um processamento mais fácil, o que gera mais possibilidades de design e, muito importante nesta aplicação, é um material resistente à corrosão.

A ampliação do uso do plástico, dizem os especialistas no setor, se dará mediante a incorporação, com uma relação custo-benefício atraente, de novas características ao material. Entre as características mais desejadas pela indústria de eletrodomésticos estão um melhor desempenho em resistência mecânica, um avanço significativo em relação à segurança do material e o menor impacto ambiental de sua aplicação.

Estas mesmas características são relacionadas pelos especialistas quando o assunto é oportunidades de negócios no segmento de linha branca para os plásticos de engenharia em substituição às resinas consideradas commodities, como o poliestireno e o polipropileno.

Mas quando o assunto é agregar valor ao plástico, existem também outras demandas, como os plásticos com aditivos antimicrobianos e com aditivos de controle a umidade, para aplicação em equipamentos de refrigeração. Ou, ainda, por plásticos mais resistentes à agressão de produtos químicos, como produtos de limpeza; e resistentes a respingos e vapores de óleos e temperos. Outra demanda é por plásticos com efeitos estéticos, em substituição a materiais que exigem pintura.
 

 
  <<< Anterior
Próxima >>>