Sopradoras

 

Fabricantes

nacionais não

têm bom ano

e esperam 2007

com otimismo

  Divulgação
 

os três principais fabricantes nacionais de sopradoras – Pavan Zanetti, Bekum e JAC – vivem momentos semelhantes. Em relação ao desempenho das vendas em 2006, eles não têm muitos motivos para comemorar. Depois de um 2005 muito bom, amargam queda nas vendas. O crescimento da economia aquém da expectativa provocou a redução dos negócios no mercado interno e a desvalorização do dólar atrapalhou as exportações. “Não estamos vivendo um momento muito bom”, resume Newton Zanetti, diretor-comercial da Pavan Zanetti, líder em unidades de máquinas vendidas no mercado brasileiro.

Em compensação, todos estão otimistas em relação ao desempenho no próximo ano. Eles acreditam que o fim do processo eleitoral trará calmaria à economia e a volta dos investimentos por parte dos transformadores. O sentimento positivo se fortalece com a realização em 2007 da Brasilplast, que provocará lançamentos de novos modelos e a modernização das linhas de máquinas hoje
comercializadas.

Os importadores de sopradoras, por sua vez, apresentam desempenho positivo. Eles atuam no restrito nicho de elevada tecnologia e estão sendo ajudados por investimentos de grandes fábricas. Sem falar, é claro, na colaboração resultante do fortalecimento da moeda nacional. “Os transformadores estão começando a buscar melhores tecnologias, para que possam oferecer produtos em condições de competir em qualquer segmento”, avalia Ana Lúcia Murare Green, responsável pela área de marketing da SIG Beverages. A empresa importa equipamentos para a produção de embalagens de PET, nicho que apresentou desempenho positivo. O sucesso se deve muito ao crescente uso da matéria-prima nas mais variadas embalagens.

Fabricantes locais – A aceleração do índice de crescimento da economia é aguardada com ansiedade pelos produtores nacionais de máquinas. A condição é essencial para a retomada das vendas internas, garantem os representantes dessas empresas. A Pavan Zanetti, com sede na cidade de Americana-SP, é um exemplo. A empresa comemora quarenta anos e tem comercializado, desde a última metade do século passado, cem sopradoras por ano, em média.

“O mercado está um pouco saturado. Tivemos um ano bom em 2004 e um ano atípico, muito positivo, em 2005. Como hoje as máquinas são mais produtivas e a economia não cresceu em 2006 conforme o esperado, a demanda por novos equipamentos passa por fase de acomodação”, acredita Zanetti. No campo das exportações, a desvalorização do dólar não ajudou em nada. Pelo contrário, provocou a perda da competitividade das fabricantes locais. “As vendas para o exterior representam, historicamente, entre 20% e 25% do nosso faturamento. Em 2006 elas responderam por apenas 15%”, diz o executivo. Por essas e por outras, o resultado da Pavan Zanetti no ano não foi animador. “Vamos faturar de 10% a 12% menos do que em 2004”, informa.

Por motivos semelhantes, o desempenho da Bekum também deixou a desejar. A empresa, que no ano passado comercializou 34 máquinas, deve fechar 2006 com vendas em torno de 26 unidades. O principal problema foi gerado pela valorização do real, motivo da profunda alteração ocorrida no perfil dos clientes. “Em 2004, nossas vendas eram divididas em 30% para o mercado nacional e 70% para o externo. Em 2005, elas ficaram meio a meio. Esse ano ocorreu uma inversão, as exportações correspondem a apenas 30% de nossos negócios”, informa o gerente de vendas Wilson Salgueiro.

O novo quadro está provocando mudanças na estratégia de marketing da Bekum. As vendas para o mercado interno da empresa se mantiveram praticamente inalteradas este ano em comparação a 2005. A idéia é aumentá-las realizando uma campanha de conscientização entre os transformadores nacionais. “Nossas máquinas são mais sofisticadas e apresentam preço maior que os dos outros fabricantes brasileiros. Para aumentar nossas vendas no mercado interno precisamos convencer os transformadores de que a relação custo/desempenho de nosso equipamento é superior, que o retorno dos investimentos é compensador”, explica.

A medida não significa que a Bekum focará sua atuação apenas nos negócios realizados no Brasil. A empresa também quer recuperar o espaço perdido nas exportações e para obter essa façanha conta com a conquista de clientes em regiões até agora pouco exploradas. “Nossas vendas estavam mais direcionadas para os mercados norte-americano e europeu, em especial o da Alemanha. Agora queremos vender mais máquinas na África, no continente asiático e também no México”, explica Salgueiro.

A JAC espera colocar no mercado 35 máquinas em 2006, número inferior ao do ano passado, quando bateu seu recorde de vendas ao comercializar 38 unidades. “Como diz a lenda, um ano bom, outro ruim”, define Cristiano Cava, gerente-comercial da JAC. Ele ressalta, no entanto, que o ano de 2004 já havia sido muito bom. “Naquele ano também batemos o nosso recorde ao vender 32 máquinas”, destaca.

Cava lembra que o primeiro semestre começou bem, fenômeno que pode ser explicado como reflexo do ótimo desempenho do exercício anterior. “No meio do ano, no entanto, as vendas começaram a cair”, lamenta. Uma injeção de ânimo se deu com a participação da empresa na Interplast 2006, realizada em Joinville, que resultou na venda de cinco máquinas.

O mercado interno corresponde a cerca de 80% a 90% das vendas da JAC. Nos últimos três anos, as exportações passaram a merecer maior atenção. Em sua história, a empresa já comercializou 14 máquinas para países da América do Sul e Central. “Concretizamos negócios de mais de US$ 1 milhão”, explica o gerente. A JAC tem previsão bastante otimista em relação aos resultados de 2007. “Estamos nos preparando para crescer 30%”, afirma.

 

 
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