Nos últimos anos, o setor da construção civil também se tornou um grande mercado para muitos rotomoldadores da Europa, Austrália e Nova Zelândia. “A rotomoldagem de grandes peças para saneamento básico, como conexões e caixas de junção, incluindo tanques sépticos, tornou-se prática muito comum na Austrália, onde o processo compete com outros executados em concreto”, afirmou.

 

Na opinião do especialista, a tecnologia tem e continuará tendo papel muito importante no desenvolvimento da rotomoldagem e será por essa via, dominando novos conhecimentos, que os rotomoldadores poderão ingressar em novos mercados. Cuca Jorge
 
Numes promete ciclos memores com polibutileno cíclico

“O uso de técnicas de monitoramento em tempo real da temperatura interna de moldes, pressurização, resfriamento interno, múltiplas camadas, materiais, moldes e máquinas mais avançados são imprescindíveis atualmente para o desenvolvimento e abertura de novos mercados para a rotomoldagem”, afirmou Kearns.

“O emprego de polietilenos metalocênicos é prática bastante difundida na Europa, há vários anos, e tem se estendido a muitas aplicações nos Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, mas os catalisadores metalocênicos representam apenas um dos métodos utilizados pelos fornecedores de polímeros para propiciar maior controle sobre a construção das cadeias poliméricas. A reologia e, conseqüentemente, a sinterização, a densificação e a cristalinidade de um polímero também podem ser influenciadas pelo tipo de catalisador e todos esses aspectos trazem conseqüências ao processo de rotomoldagem”, continuou o especialista.

“Enquanto os metalocênicos atuam em nichos de mercado, freqüentemente em aplicações de maior exigência mecânica, conferindo aceleração da coalescência e melhoria de propriedades mecânicas e dimensionais, além de ganhos em processabilidade, os materiais convencionais continuarão em uso, hoje, e no futuro”, considerou.

Sobre a importância de uso dos fluorpolímeros para propiciar maior desenvolvimento para a rotomoldagem, Kearns considerou que esses materiais apenas são empregados por rotomoldadores que fabricam tanques de alto desempenho, para acondicionar e estocar, por exemplo, produtos químicos muito agressivos, como ácidos nítrico e sulfúrico, utilizados pelas indústrias eletroeletrônicas. Já em relação ao emprego de poliamidas em rotomoldagem, as perspectivas de uso são mais alentadoras: “As poliamidas assumem importância crescente para a rotomoldagem. Os usos de PA 6, PA 11 e PA 12, por exemplo, cresceram significativamente nos últimos cinco anos, em particular quando as exigências se referem à boa impermeabilidade a gases, abrangendo aplicações em tanques para combustíveis de motocicletas, barcos etc.” Outro uso crescente apontado pelo especialista se direciona às poliamidas em combinação com camada aderente de PE, com os quais estão sendo fabricadas peças em multicamadas.

Novos materiais – Abordando tendências tecnológicas com foco em resinas e compostos, Marco Antonio de Lima Nunes, gerente de desenvolvimento de mercado da Ico Polymers do Brasil, destacou novos materiais, como o polibutileno cíclico (CBT), cujas propriedades de resistência tanto mecânica, como térmica e química são superiores. “Em comparação com o PE, o CBT é quatro vezes mais rígido, possui três vezes mais tensão de ruptura, duas vezes mais dureza e é quase duas vezes mais resistente ao impacto”, afirmou. O novo material em fase de desenvolvimento e, portanto, ainda não disponível comercialmente, propiciará, na opinião de Nunes, drásticas reduções nos tempos de ciclo, permitindo adição de grandes quantidades de cargas minerais. “As peças que serão produzidas com esse novo material também poderão ser facilmente pintadas até mesmo de acordo com os padrões automotivos.”

Durante sua palestra, Nunes também enfatizou o uso de espumas de PE, tecnologia que permite aumentar até dez vezes a rigidez de uma peça, com a manutenção de seu peso original. Outras novidades, como materiais com efeito luminescente, e polietilenos reticulados, mais resistentes à abrasão e a baixas temperaturas, também foram destaque.

Além dos polietilenos, a rotomoldagem em países mais avançados também tem explorado as propriedades de poliamidas, polipropilenos e policarbonatos, caminho que, no futuro, também poderá ser trilhado pelos rotomoldadores brasileiros.n

                                 Rose de Moraes

 

 
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