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Injetoras
Recessão e chineses derrubam as vendas do setor Maria Aparecida de Seno Reno
Os fabricantes brasileiros de injetoras suaram a camisa para cumprir metas, frustraram as projeções de crescimento e amargaram um desempenho pífio ao longo deste ano de copa e eleições. No mercado doméstico, continuaram enfrentando a concorrência agressiva dos asiáticos e sofreram os reflexos da queda no poder de investimento da indústria de transformação, que adiou projetos ou, pior, deixou-se seduzir pelos preços baixíssimos dos chineses. Antigo remédio para os males do mercado interno, as exportações de injetoras foram prejudicadas pelo câmbio, que provocou ainda outros efeitos colaterais, como impulsionar a importação de peças plásticas acabadas e semi-acabadas, reduzindo o nível de produção da indústria transformadora brasileira. “Houve queda no consumo total de injetoras e as exportações hoje tendem a zero”, atesta Giordano Romi Jr., presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), também diretor da unidade de negócios injetoras de plásticos da Romi, uma das principais produtoras do setor. Na opinião dele, muitos fabricantes do bloco da China (Taiwan, Hong Kong e República Popular da China) usaram os valores muito baixos como estratégia para conquistar uma participação no mercado. Conseguiram. A evolução dos chineses no País foi significativa. Até 2003, as máquinas asiáticas detinham fatia irrisória. Em 2004, atingiram parcela estimada em 25%, pulando para atuais 50%, nas estimativas de Romi. A peso de iuane – Os fabricantes brasileiros mostram indignação ante os preços praticados pelos asiáticos e reclamam da inércia das autoridades em relação ao problema. Segundo eles, o preço das máquinas nacionais equivale ao das internacionais, da ordem de 7 a 10 dólares o quilo. “Se para nós os insumos têm esse custo, como as máquinas do bloco da China entram no mercado variando de 25 centavos até US$ 2,5 o quilo?”, questiona o presidente da Câmara Setorial. Segundo ele, a maioria dessas injetoras opera com produtividade muito baixa e alto consumo energético. Além disso, ressalta que esses equipamentos não oferecem os dispositivos de segurança exigidos pela legislação brasileira, com riscos para a saúde dos trabalhadores. A fim de manter um nível saudável de concorrência, no ano passado a Abimaq recorreu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com pedido de salvaguardas, porém sem resultados. “Só no Brasil há sigilo sobre as importações, com omissão do nome do fabricante, da descrição comercial da mercadoria e os detalhes da documentação, e até pagamentos de impostos; as únicas informações acessíveis são o país de origem e os valores unitários e totais”, reclama Romi.
Outro fabricante tradicional de injetoras, a Jasot, de Novo Hamburgo-RS, sentiu de modo igual o baque da agressão chinesa. “Foi um ano muito difícil e sacrificado”, resume o gerente de vendas Cleber Scherer. “A política econômica brasileira está gerando emprego na China”, provoca. Para ele, o governo favorece a importação chinesa em detrimento de qualquer setor nacional. “Independentemente do segmento, não existe um esforço político para proteger os empresários das importações irregulares; o americano e o europeu se preocuparam com a situação e taxaram as importações.”
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