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Parceria – O interesse dos fabricantes nacionais de resinas em
nanotecnologia tem causado um fenômeno ainda pouco comum no universo das
indústrias brasileiras ligadas aos mais diversos setores. Trata-se da
aproximação entre empresas e universidades, que acontece como forma de
transformar pesquisas científicas realizadas no mundo acadêmico em
produtos que cheguem ao consumidor brasileiro.
Um fato favorece as parcerias. Desde o início do século, a partir de ações
do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o País não tem ficado alheio
ao desenvolvimento da nanociência. Essas iniciativas do Governo Federal
saíram do papel em 2001, ano em que foram criadas quatro redes de
pesquisas cujo objetivo era a troca de informações sobre estudos
realizados por inúmeros institutos especializados e universidades. Cada
uma dessas redes era responsável pelo desenvolvimento de estudos em
assuntos específicos.
Em 2003, foi criado o Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da
Nanotecnologia. O número de redes foi ampliado para dez no ano passado.
Também foram feitos investimentos para desenvolver laboratórios de apoio à
pesquisa, como o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron, um dos melhores
aparelhados do Hemisfério Sul.
As verbas federais destinadas à pesquisa e desenvolvimento relativos ao
tema evoluíram de R$ 54 milhões, aplicados no período de 2001 a 2004, para
R$ 71 milhões previstos para o biênio 2005 e 2006. “A nanociência é
pesquisada em 77 instituições nacionais, que abrigam mais de mil
pesquisadores. Até o ano passado já haviam sido publicados mais de mil
artigos e desenvolvidas 97 patentes”, revela Alfredo de Souza Mendes,
coordenador geral de micro e nanotecnologias do MCT. Nesse universo, o
desenvolvimento de nanocompósitos de plástico aparece com destaque, ao
lado de estudos sobre nanobiotecnologia, desenvolvimento de sensores e de
outros materiais.
Importação - A despeito do esforço realizado, é enorme o risco do Brasil
se transformar em importador de produtos de alguma forma ligados à
nanotecnologia no futuro. Os recursos destinados pelo governo e pelas
empresas nacionais ainda estão bem distantes dos aplicados no exterior.
Estima-se que os governos dos países avançados invistam entre US$ 6
bilhões e US$ 9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, verbas consideradas
tímidas pelos especialistas, perto dos recursos investidos pelas empresas
dos mais variados segmentos da economia.
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Cuca Jorge |
No mundo dos plásticos, as “gigantes” da área química se encontram
entre as que não economizam para oferecer novidades ao mercado. Essas
multinacionais sabem que a obtenção de patentes de produtos com
potencial mercadológico satisfatório acrescenta valor agregado
substancial às commodities. Grupos muito conhecidos, como Basell, Lanxess (braço da Bayer
para a produção de resinas plásticas) e Basf, já disponibilizam resinas
enriquecidas com nanopartículas. Em recente anúncio, a DuPont promete o
lançamento em 2007de uma família de produtos com essas características. E
o número de lançamentos deve crescer bastante nos próximos meses. |
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| Marcondes: não queremos fornecer só commodities |
Propriedades – Não é por acaso que os investimentos em pesquisa e
desenvolvimento de nanocompósitos poliméricos alcançam cifras milionárias
em todo o mundo. Luiz Antonio Pessan, diretor da Associação Brasileira de
Polímeros (ABPol) e professor da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar), instituto de pesquisa dos mais conceituados do País em estudos
do gênero, explica que as partículas nanométricas proporcionam vantagens
significativas ao desempenho dos polímeros. “Elas melhoram propriedades
mecânicas (rigidez, resistência mecânica, resistência ao impacto) e
aumentam as resistência térmica, química e as propriedades de permeação e
barreira a gases e aromas”, resume.
Essas vantagens vêm acompanhadas de outro fator positivo. Enquanto para
fazer um compósito com as cargas convencionais devem ser adicionadas
quantidades em torno dos 30% do peso final do produto, um composto
nanométrico pode ser obtido com a adição de apenas 5% a 6% do peso em
partículas. Em outras palavras, os nanocompostos são bem mais leves e
fáceis de moldar. A menor presença de cargas também possibilita grande
vantagem na operação de reciclagem. É um fator que deve ser valorizado,
uma vez que a indústria está cada vez mais sujeita à promulgação de
legislações rigorosas voltadas para a proteção do meio ambiente.
Essas características são fundamentais para o desenvolvimento deste
mercado. Para os profissionais do ramo, a nanotecnologia vai permitir que
resinas consideradas commodities, hoje voltadas para aplicações pouco
nobres, em breve disputem mercado com sofisticados plásticos de
engenharia. Estes, por sua vez, ao serem aperfeiçoados com nanopartículas,
vão brigar por novos horizontes, competindo com materiais hoje absolutos
em determinadas aplicações, como o aço, por exemplo.
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