“O crescimento do plástico em detrimento de outros materiais como matéria-prima para embalagens é uma tendência forte e sem volta”, diz Otávio Carvalho, diretor da consultoria MaxiQuim, especializada em petroquímica e em transformação de plásticos. Carvalho sustenta sua argumentação no menor preço do plástico e no constante desenvolvimento de resinas que proporcionam novas propriedades ao material, ampliando seu leque de aplicações.

Existem inúmeras inovações em curso no mercado de plástico, com vários níveis de impacto. Entre as megatendências evolutivas destacadas pelos especialistas se encontram as resinas desenvolvidas com base na nanotecnologia, os bioplásticos e os plásticos biodegradáveis, além dos chamados plásticos inteligentes, que interagem com o consumidor ou com o distribuidor.

Especificamente no segmento de embalagens flexíveis, lembra Carvalho, há ainda a tendência de uma utilização cada vez maior de embalagens co-extrusadas de múltiplas camadas, que permitem a combinação de diferentes propriedades de cada resina e também resultam num filme de menor espessura.

Uma das empresas mais agressivas no desenvolvimento de soluções tendo como base a nanotecnologia é a Suzano Petroquímica, uma das maiores produtoras de resinas termoplásticas da América do Sul. Em julho, a empresa deu entrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em um pedido de patentes em nanotecnologia. A empresa informa que em breve deverá lançar sua primeira família de produtos à base de nanotecnologia para embalagens.

O presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho, é um entusiasta das possibilidades surgidas com a nanotecnologia. O executivo acredita que será possível obter um maior controle das características desejadas nos materiais. Com a nanotecnologia será mais fácil desenvolver embalagens mais resistentes, transparentes e leves e com propriedades bactericidas, fungicidas e de proteção ultravioleta.

“Poderemos aumentar significativamente a vida útil dos alimentos. Produtos como morangos, que hoje se deterioram rapidamente, poderão ser preservados por mais tempo devido às características da embalagem. Imagine as possibilidades de distribuição, até no exterior, do morango, se ele tiver um shelf-life maior”, diz o executivo.

Segundo Roriz, os investimentos programados até 2010, apenas nos Estados Unidos, para o desenvolvimento da nanotecnologia somam US$ 10 bilhões. Até lá, a expectativa é de que 40% dos produtos que utilizamos hoje sejam diferentes, transformados e melhorados pelas novas tecnologias. “Em embalagens para alimentos, mais de 36% do faturamento em 2010 será proveniente de produtos desenvolvidos com base em nanotecnologia”, prevê o presidente da Suzano.

Bioplásticos - Outra inovação que está na ordem do dia das áreas de P&D dos fabricantes de resinas são os bioplásticos e os plásticos biodegradáveis. Dois fatores contribuem para o desenvolvimento tecnológico dessas soluções.
Um é a escalada dos preços do petróleo nos últimos anos, o que despertou o interesse pela busca de materiais alternativos. O outro fator é o aperto da legislação ambiental, principalmente na Europa e no Japão, que faz com que a indústria busque alternativas que gerem menor impacto ambiental. O principal material que está sendo trabalhado para o bioplástico é o ácido poliláctico, o PLA, que tem como origem o milho.

José Torradas, gerente de desenvolvimento técnico da DuPont, reconhece que os bioplásticos disponíveis hoje no mercado ainda apresentam um desempenho limitado. O executivo afirma, porém, que as pesquisas nessa área são intensas. “Pode levar ainda alguns anos, mas a consolidação de materiais de origem biológica vai ocorrer”, diz.

Torradas diz que um grande incentivo para o desenvolvimento dos bioplásticos provém da decisão da rede norte-americana de hipermercados, a Wal-Mart, em privilegiar a compra de produtos que adotam a tecnologia. “É o consumo forçando o desenvolvimento”, afirma o executivo.
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A DuPont disponibiliza aos seus clientes uma resina biológica, a Sorona, um poliéster gerado por meio da fermentação do álcool. A norte-americana Cargill também já dispõe de um PLA. No Brasil, o bioplástico utiliza como matéria-prima de origem a cana-de-açúcar. A Usina Casa da Pedra, em parceria com a empresa de biotecnologia Biocycle, desenvolveu os primeiros produtos nessa linha. Além disso, a Braskem anunciou recentemente que estuda investir na tecnologia.
Mas se o bioplástico ainda é embrionário, o mesmo não se pode dizer dos plásticos biodegradáveis. Nos países mais desenvolvidos eles já são uma realidade e começam a chegar ao mercado brasileiro. Torradas informa que o mercado global de polímeros biodegradáveis cresceu de 30 mil toneladas para 360 mil toneladas anuais entre 1995 e 2005. Aproximadamente 60% do uso dos plásticos biodegradáveis estão relacionados ao segmento de embalagens.

A Europa é a responsável pelo consumo de 59% do material, os países da América do Norte por 22% e a região da Ásia e Pacífico pelos demais 19%. Na América Latina, o consumo de plásticos biodegradáveis ainda está para começar.

Otávio Carvalho informa que muitas empresas brasileiras de embalagem já estão em fase de testes para o lançamento de produtos elaborados com resinas biodegradáveis. A principal estratégia utilizada para se alcançar a biodegradabilidade é por meio da ação de aditivos.Se depender de Sergio Angelucci, o pioneirismo no Brasil ficará por conta da Embalagens Flexíveis Diadema, empresa da qual ele é diretor-comercial. O executivo informa que a Diadema, em parceria com a Polo Film, fornecedora de filme de polipropileno biorientado, desenvolveu uma embalagem oxibiodegradável cuja principal característica é a sua degradação no meio ambiente em 18 meses, após seu descarte.
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O produto é até 20% mais caro que os tradicionais. Mas já encontrou seu primeiro usuário. “O lançamento de um produto com embalagem oxibiodegradável está programado para ocorrer em breve”, diz Angelucci, que prefere resguardar, por enquanto, o nome de seu cliente inovador.
 

 
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