CORTE E SOLDA

Usuários não querem pagar o preço e dificultam maior salto tecnológico do setor 

Maria Aparecida De Sino Reto

Se tecnologia fosse bastante para fazer deslanchar o mercado brasileiro de máquinas de corte e solda, esse segmento da indústria do plástico seguiria hoje de vento em popa. Afinal os equipamentos fabricados no País nada devem às melhores marcas estrangeiras, atestam os dirigentes da Hece e da Maqplas, duas das principais fabricantes brasileiras do ramo. Os executivos asseguram deter conhecimento e capacidade tecnológicos.

“A tecnologia brasileira está equiparada à tecnologia internacional; o que nós não temos é o mercado seguindo o mesmo ritmo internacional”, alfineta o diretor da Hece, de São Carlos-SP, Vanderlei B. Sverzut. Na opinião dele, o setor de corte e solda deu um salto tecnológico nas últimas décadas em todo o mundo e o Brasil acompanhou essa trajetória. Segundo ele, a resposta dos fabricantes brasileiros foi forte o suficiente para torná-los muito competitivos e até para evitar o assédio de equipamentos importados.

A melhoria tecnológica embutida nas embalagens – materiais multicamadas co-extrudados, filmes de barreira, laminados etc. – forçou o aprimoramento das máquinas de corte e solda e o desenvolvimento de equipamentos periféricos. A indústria brasileira acompanhou essa evolução e agregou às máquinas recursos para atender às novas necessidades do mercado, como a produção de pouch e de soldas especiais para materiais co-extrudados, entre outras. “A tecnologia foi incorporada pelos fabricantes nacionais com a introdução de periféricos nas máquinas”, explicou o gerente-industrial da Hece, Luiz Fernando V. Sverzut, filho do Vanderlei.

Para ele, a indústria nacional detém o conhecimento de todo o nível de automação que poderia ser inserido nos equipamentos de corte e solda. “Mas o mercado brasileiro não paga, prefere muitas vezes ter pessoas colocando a mão na massa do que investir em automação”, lamenta.Maristela Simões de Miranda, diretora da Maqplas, de Osasco-SP, assina em baixo. “Nossas máquinas só não têm tudo das importadas porque não temos o cliente para comprar. Deixamos como opcional alguns recursos, pois o cliente hoje ainda compra muito preço, mas temos conhecimento para oferecer tudo o que as máquinas européias têm.”

Assim, de acordo com dois dos mais relevantes fabricantes do setor, a tecnologia embutida em corte e solda brasileira só não é maior porque o mercado usuário não está disposto a pagar por ela, à exceção de um pequeno número de grandes transformadores, mais envolvidos com a indústria alimentícia e a de ração para animais (pet food), mais exigentes em qualidade e inovação das embalagens.

Cuca Jorge

Vanderlei lamenta avanço pífio do setor

Fabricantes de menor porte, como a Brademaq, de Santo André-SP, também apresentam idêntica impressão do setor. “A maioria das empresas busca mais preço do que tecnologia, mas as que preferem a tecnologia, a encontram facilmente no Brasil, sem precisar comprar equipamentos de empresas de fora”, opina o diretor José Luiz Bramante.
 

 
  <<< Anterior