PLÁSTICO NA MEDICINA
Commodities e especialidades
dão vida a novas aplicações

 

Ventrículo artificial desenvolvido pelos pesquisadores do laboratório de biomateriais do Incor

           Texto Engo Márcio Azevedo e fotos de Cuca Jorge

A utilização de plásticos na área médica é impulsionada pelas mesmas vantagens que os polímeros oferecem na substituição de materiais concorrentes em outros segmentos. A menor massa das peças confeccionadas em resinas, a maior liberdade no desenho e a superior resistência mecânica e química abriram campos de aplicação para commodities, plásticos de engenharia e plásticos especiais, e 45% de todos os dispositivos utilizados no segmento médico são feitos de plástico.

Mas esse ramo se caracteriza por necessidades muito particulares, como a capacidade do material de sofrer esterilização e a compatibilidade com fluidos e tecidos humanos. A maior parte das aplicações requer matérias-primas de elevado desempenho e valor agregado, portanto são negócios que oferecem margens atraentes, embora os volumes comercializados correspondam a uma pequena fração dos volumes consumidos em segmentos como o automotivo, o eletroeletrônico e o de embalagens. No mercado brasileiro, onde as taxas de crescimento também são boas, os volumes comercializados são ainda menores, mas os produtores acreditam em grande potencial de expansão das vendas.

No universo dos materiais poliméricos associados à medicina, as poliolefinas e os vinílicos atendem às aplicações de menor valor agregado, respondendo pela quase totalidade dos produtos descartáveis. O polietileno (PE) é usado em frascos de soro e embalagens flexíveis. O polipropileno (PP) é o predileto para ponteiras de micropipetadores, mas também encontra emprego em frascos e embalagens, e o policloreto de vinila (PVC) entra na produção de equipos, sondas de alimentação, sendo tradicionais para esse material as aplicações como bolsas de sangue e soro, todos os sistemas de transporte de fluidos, bolsas para urina e fezes e circuitos de oxigenação em diálise.
Carlos: interior do corpo
humano é o próximo passo

Com a possibilidade de fabricação de dispositivos descartáveis oferecida pela resina, o vidro perdeu rapidamente lugar para o plástico, devido à redução drástica de contaminações em médicos e pacientes. Além disso, a transparência, a flexibilidade e a capacidade de ser soldado favoreceram a penetração do PVC no mercado médico. Afonso Telles, diretor-comercial da Dacarto Benvic, fornecedora de compostos de PVC que também atende a clientes do segmento médico, crê em grande possibilidade de crescimento do setor, embora os volumes de venda ainda sejam baixos – menos de 2% do mercado da resina de PVC. “O mercado de compostos em geral não tem tido crescimento importante nos últimos anos, mas nas formulações para a área médica as taxas de expansão são de mais de 10% ao ano”, afirma.

 

 
  <<< Anterior