COMERCIALIZAÇÃO DE RESINAS

O segundo semestre não fugiu à regra e começou com o reajuste nos preços das resinas termoplásticas. Porém, ao contrário de 2005, não há tendência de queda, sinalizando o início da recuperação da rentabilidade das indústrias petroquímicas, objetivo também do setor de distribuição. Porém, na análise do gerente de marketing da Macroplast, de São Bernardo do Campo-SP, Hermann Schumacher, na média, o varejo repassou apenas de 70% a 80% do valor aplicado pela segunda
geração.

Em agosto, a indústria petroquímica aumentou entre US$ 150 e US$ 200 o preço da tonelada, de acordo com o tipo de produto. Somados os reajustes de agosto e setembro, a alta variou de 20% a 25%. O pequeno aquecimento da demanda doméstica, impulsionado pelas vendas de fim de ano, a pressão dos custos dos insumos e a alta nas cotações internacionais respaldaram os reajustes.

O setor enfrenta ainda o câmbio valorizado, os juros altos (que oneraram o custo do capital de giro) e guerra fiscal entre os Estados e o mercado informal. “Enquanto persistirem o cenário de volatilidade na cotação do petróleo e seus derivados e a alta nos preços internacionais das resinas, não ocorrerá reversão na tendência de alta no Brasil”, avalia Schumacher.

O diretor operacional da Unipar Comercial, de Mauá-SP, José Luiz Franco dos Santos, confirma a necessidade dos aumentos. Segundo ele, tanto as centrais petroquímicas quanto os produtores de resinas tiveram os resultados comerciais comprometidos pela baixa lucratividade do setor no primeiro semestre. “As condições do mercado garantiram a zona de conforto para a tomada de decisão”, diz.

Cuca Jorge

Santos avalia que o crescimento fi cou abaixo do projetado

Santos afirma ainda que os índices ficaram aquém do necessário. “Os preços não podem permanecer num patamar que comprometa os futuros investimentos do setor.” Porém, novos reajustes vão depender da capacidade de absorção na ponta da cadeia, já bastante pressionada pelos últimos aumentos.

A volatilidade do mercado é fator de preocupação. “A curto prazo, a tendência de alta pode representar oportunidade de recuperação parcial das margens.

Cuca Jorge

A longo prazo, porém, se a majoração persistir por muito tempo e a ponto de gerar desequilíbrio em relação a outras commodities, como vidro e metal, haverá o risco do plástico, em tese, perder espaço para os demais materiais. O que seria prejudicial para toda a cadeia de negócios”, avalia Schumacher.
Schumacher: momento ajuda a recuperar parte das margens

Abaixo da meta – Para o gerente de negócios da Ipiranga Química, de São Paulo, João Miguel T. Chamma, nos últimos dezoito meses, as margens trabalhadas em toda a cadeia – do produtor petroquímico, passando pelo distribuidor, até o transformador – sofreram forte erosão. “Isso culminou em valores muito abaixo do negociável durante o segundo trimestre de 2006. Portanto, ainda hoje, toda a cadeia trabalha com margens inferiores às suas necessidades.”
 

 
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