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A partir de 1994, com o pequeno lucro obtido, os sócios da Tritec passaram
a investir pesadamente em moldes. Hoje, 60% da produção é de utilidades
domésticas. Os outros 40% se referem a produtos institucionais como as
lixeiras da Kibon, potes de sorvete da mesma marca e os palitos de picolé.
Da mesma forma, atende aos pedidos da Nestlé e demais clientes de grande
porte como as redes de supermercados de todo o País. “Quando chegamos a
Jaraguá do Sul não havia uma injetora na cidade. Hoje, são 32 fábricas
terceirizadas pela Tritec, com 200 máquinas injetando para nós, porque a
política da empresa agora é investir em moldes e fazer os terceirizados
comprarem as máquinas”, assinala Vilamill. “Se eu tenho R$ 1 milhão para
investir eu ponho tudo em molde. O meu negócio é comércio. Injeção fica
por conta dos parceiros.”
Ainda assim, a Tritec mantém algum nível de processo em produção vertical
em injeção, termoformagem e sopro (garrafas e regadores). Maurício
Vilamill conta que, recentemente, havia uma empresa em Goiás com
dificuldades. Chamou alguns de seus terceirizados e fizeram um acordo.
Baixaram do centro-oeste em caminhões as injetoras compradas pelos
parceiros e os moldes bancados pela Tritec. Agora a marca já está com uma
nova linha de produtos no mercado como cabides de polipropileno, presilhas
e maletas de ferramentas, além de caixas de dois e três litros para lixo.
Um outro benefício proporcionado pela Tritec foi o enquadramento da turma
da injeção no mercado formal. “Todos os nossos terceirizados trabalham com
nota”, garante Vilamill. Ele calcula que a Tritec processe hoje 600
toneladas por mês para atender às encomendas da clientela.
Blumenau precursora – Rubens Giese é o presidente do Sindicato das
Indústrias de Artefatos Plásticos e Brinquedos de Blumenau e região (Siapb).
São 19 associadas ao sindicato, mas 140 recolhem o imposto sindical.
juntas são responsáveis pelo processamento de 3.000 toneladas/ano e 2.800
empregos diretos.
Em Blumenau predomina a injeção como processo, mas há muita extrusão de
paredes finas ainda para abastecer a indústria de refrigeração e
frigorífica do Estado e das demais regiões do País.
| O setor começou
a surgir nos anos 70 e tem algumas empresas precursoras, uma já
fechada, a Hering Brinquedos, projeto empresarial que se extinguiu com
a abertura econômica do País e a entrada de produtos mais sofisticados
e baratos.Na mesma época vieram a Plasvale e o Grupo Círculo.
Basicamente, eram empresas prestadoras de serviços da pujante
indústria têxtil de Blumenau. |
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| Giese: há um movimento de importação de
resinas |
Injetavam os cones para enrolar os fios encaixados nos teares. Na mesma
época surgiu a Cremer, direcionada aos produtos hospitalares descartáveis.
Primeiramente processava os rolos para esparadrapos. Depois partiu para
linhas completas de materiais como seringas, luvas cirúrgicas, toucas,
cateter, hastes, bolsas de soro, fraldas descartáveis, além das próprias
formulações farmacêuticas como loções de higiene e soro.
Posteriormente surgiram mais empresas voltadas à injeção. “Começamos pelo
molde mais barato, o redondo, fazendo bacia e balde”, relembra Giese sobre
seu próprio negócio, a Giplás. Ao analisar o atual momento da indústria
ele reclama da pressão da segunda geração petroquímica em querer aumentar
os preços das resinas de uma só vez.
“Tem sido uma queda de braço. Eles querem repassar 12% numa só tacada. A
terceira geração luta por aumento escalonado em três parcelas de 4%”,
assinala o executivo. Ele adverte que, a exemplo do que ocorre no Rio
Grande do Sul, já existem movimentos de importação de resinas no Vale do
Itajaí, principalmente por parte dos transformadores beneficiados pelo
regime drawback de isenção fiscal direcionado às exportações de
peças acabadas.
Terceirização – Em Joinville, o maior centro transformador de
plásticos de Santa Catarina, existem diversas empresas atuantes como
fornecedoras de embalagens, peças e componentes para fabricantes de
produtos dirigidos ao consumidor final.
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André Bornschein Silva é diretor-executivo da AB Plast,
uma fábrica que produz frascos e embalagens especiais direcionados a
cosméticos, além de tampas por sopro com emprego de resinas como PVC
convencional e composto, polipropileno, todas as variedades de
polietilenos e o PET-G.
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| Bornschein comanda produção em sala limpa |
A AB Plast tem origem no Laboratório Catarinense, uma indústria
farmacêutica, fundada pelo avô de André, Alberto Bornschein, um
ex-farmacêutico manipulador, que se viu obrigado a abrir uma fábrica de
medicamentos em 1945, quando a legislação proibiu a produção de
medicamentos em escala, dentro das farmácias. Como farmacêutico,
Bornschein fazia questão de manter o sistema vertical de produção. Daí ter
criado uma unidade de negócios dentro do Laboratório Catarinense voltada à
fabricação de frascos de vidro e caixas de papelão.
No começo dos anos 80, os Bornschein resolveram iniciar a fabricação de
frascos de remédios em plásticos. Daí surgiu a AB Plast. A empresa foi
fundada dentro dos padrões das fábricas de embalagens para medicamentos e
adota as normas específicas da indústria farmacêutica, como a GMP (Good
Manufacturing Practices), exigida pelo FDA (Food and Drug Administration)
e Anvisa (Associação Nacional de Vigilância Sanitária). Os acessos às
linhas de produção são isolados por anticâmaras. As aberturas são
protegidas por telas e os operadores usam toucas cirúrgicas.
“Somos uma processadora de embalagens com instalações de fábrica de
medicamentos”, define o diretor-executivo. Bornschein se orgulha também da
AS 8000, certificação internacional conquistada pela empresa no âmbito da
responsabilidade social. Com tudo isso, a AB Plast está apta a atender a
qualquer indústria global dos segmentos de cosméticos, de medicamentos e
alimentício.
Em sua linha de produção, a AB Plast conta com uma série de maquinários
com tecnologia de ponta, como o cabeçote de co-extrusão vertical em um
sistema de sopro, o qual permite produzir peças em polipropileno e D-flex,
um termoplástico emborrachado para frascos de xampu. Estão injetando
também tampas da linha cosmética e farmacêutica e começam a processar
embalagens da linha de recipientes de maquiagem.
Há ainda um conjunto de máquinas japonesas que reúnem num só equipamento
os três processos (estágio único): a injeção de pré-forma, o estiramento e
o sopro. Além disso, a AB Plast oferece todas as formas de rotulagem e
decoração por serigrafia, hot stamping e tampografia.
Na carteira de clientes constam marcas importantes como Natura, Boticário,
Avon e uma empresa nova criada por causa de um desentendimento entre os
sócios da Phitoervas, denominada ÉH Cosméticos, em fase de introdução no
mercado, primeiramente com linhas de xampu e condicionadores. No ramo
farmacêutico fornece frascos para o próprio Laboratório Catarinense, o
Teuto, o Globo e Stiefel, entre outros.
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