Santa Catarina

TRANSFORMAÇÃO CRESCE EM JOINVILLE E REGIÃO


Texto e fotos de Fernando Cibelli de Castro

Guaramirim, 30 mil habitantes, Corupá, 25 mil habitantes, Jaraguá do Sul, 300 mil, Blumenau, 500 mil habitantes. Num raio de 100 quilômetros de distância de Joinville-SC, um dos maiores centros para processos termoplásticos do País, existe uma nova onda empreendedora, na qual se concentram dezenas de micro, pequenas e médias empresas da terceira geração petroquímica.

                  Divulgação

Utilidade doméstica fabricada  na Tritec Painel do Audi A3 moldado na Ilpea

“O sonho de todo gerente de empresas da terceira geração petroquímica de Santa Catarina é abrir seu próprio negócio”, confessa Orlando Berttoto, um dos proprietários da Aliança Embalagens Plásticas de Guaramirim. Após quinze anos como funcionário, ele reuniu a experiência pessoal com o capital de um empresário originário da tradicional indústria têxtil, da região próxima a Blumenau, para criar o próprio negócio em 2002.

Divulgação

Brinquedo injetado em Blumenau Gaxeta magnética extrudada na Ilpea

Berttoto domina com desenvoltura todas às áreas da Aliança: do desenvolvimento de produtos até a expedição para os clientes, passando pelo controle de qualidade das resinas, pela produção propriamente dita e pela atividade da distribuição.
A idéia inicial era operar com uma unidade de extrusão de polietileno, mas, neste curto espaço de tempo, a Aliança ampliou sua oferta de serviços. Comprou novas extrusoras, equipamentos de corte e solda e incorporou processos com laminação de poliéster e BOPP, além da impressão flexográfica. Segundo Berttoto, o objetivo é operar a embalagem desde o desenvolvimento até o rótulo como forma de resolver toda a demanda do cliente.
 
Em sua opinião, o empreendedor visionário não quer mais transformar mil toneladas por mês para vender o quilo a R$ 4,80 com margem de 5%. Precisa vender 200 quilos por mês cobrando, no mínimo, o dobro do que é cobrado por um produto commoditie e com margem de 10% para cima. “Quem briga por centavos vai morrer”, adverte.

 Divulgação

Projeto de gaxeta em sistema CAD

Mais uma dica de Berttoto: o mercado quer o fornecedor formal, comprador da indústria petroquímica de segunda geração, via vendas diretas ou distribuição, com nota fiscal. Portanto, para realizar esse sonho tem de ser competente, conhecer o segmento e atuar na forma da lei. Atualmente, a Aliança é fornecedora da Klabin, como parte de uma carteira de clientes pesos pesados da economia nacional como Wall Mart, Grupo Pão de Açúcar, a rede de supermercados gaúcha Zaffari, com filiais em São Paulo, a rede Angeloni, de Santa Catarina. Abastece também com suas embalagens transformadores importantes como a Tubos e Conexões Tigre, a Cremer, da área de descartáveis hospitalares, e também frigoríficos e cerealistas.
“A indústria precisa de empresas capazes de desenvolver e entregar a embalagem pronta dentro das especificações para poder entrar nos mais diversos ramos como higiene pessoal, higiene doméstica, produtos direcionados à construção civil, como as embalagens para conexões e acessórios em PVC, invólucros para pincéis e rolos de pintura”, complementa Berttoto. Somente o Pão de Açúcar absorve 15 toneladas mensais de embalagens nas mais diversas especificações e com sistema de entrega just in time.
 
Outro exemplo da terceira geração petroquímica de Santa Catarina é a Coplasa do Brasil Industrial Ltda, de Corupá, com dezesseis anos de atividade em processos de injeção e direcionada a mercados diversificados como a construção civil, insumos odontológicos, utilidades domésticas, embalagens rígidas e peças automotivas.
Berttoto controla a produção do início ao fim

Conforme o gerente de marketing, Amarildo César Marangoni, os pequenos empreendimentos devem sempre buscar diversificação para crescer.

Neste ano, ele prevê um incremento de 12% nas vendas em relação a 2005 com a entrada da empresa em nichos ainda inexplorados como o prato Max. Trata-se de um prato em polipropileno, o qual teve a propriedade industrial requerida há poucos meses. O objetivo da Coplasa é até o fim do ano começar a abastecer as redes fast-food, primeiramente de São Paulo, onde o produto está em etapa de testes num restaurante. “Queremos substituir os pratos de vidro”, admite Marangoni.

Na lista de produtos disponíveis no mercado consta ainda uma linha de mancais para usos diversos, produzidos em plástico de alto desempenho, indicado para movimentos longitudinais e rotativos. O mancal compensa  as perdas de alinhamento dinamicamente. Funciona a seco, suporta cargas intermitentes, resiste a produtos químicos e reduz consideravelmente os custos de montagem e manutenção. “Nesse caso estamos entrando para concorrer com peças em aço”, diz Marangoni.
Gaúcho natural de Pelotas, Maurício Bandeira Vilamill, chegou em 1990 a Jaraguá do Sul, cidade notabilizada por abrigar um dos maiores grupos empresariais do mundo na fabricação de motores elétricos, a Weg Motores. No porta-malas do carro, ele e seus futuros sócios traziam um molde de alças das embalagens do tradicional peru de Natal. Fundaram a Tritec e compraram uma injetora para processar as alças vendidas diretamente para as duas principais indústrias do País no ramo de abate de aves, Sadia e Perdigão.
 

 
  <<< Anterior