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Apreciados pelas formas, originalidade nas cores e pela articulação da
cabeça, braços e mãos, os manequins fabricados pela Plastidler, de São
Bernardo do Campo-SP, começaram a ser exportados há menos de três anos,
mas já respondem por 20% do faturamento.
| Ex-funcionário de uma indústria de brinquedos, Gino Antonio Buzon
Martinez, diretor da Plastidler, primeiro comprou a máquina de
rotomoldagem e só depois foi buscar um nicho de mercado para atuar,
fazendo sua primeira escolha como empresário, ao que tudo indica,
certeira. |
Cuca Jorge |
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| Martinez: produção de moldes é rápida |
“A rotomoldagem nos permite trabalhar com diferentes formas e
produzir novos moldes em curto espaço de tempo para que possamos
acompanhar as tendências da moda”, afirmou Martinez.
Versatilidade na produção e um pouco de ousadia empresarial realmente não
faltaram para que a empresa se candidatasse a atender ao contrato de
fornecimento de 6 mil manequins coloridos e articuláveis para a C&A, uma
das maiores redes de varejo de moda do País, que exigiu a confecção de
moldes e modelos exclusivos.
Além da novidade na escolha de diferentes cores, fugindo do convencional
bege, e passando a produzir manequins em tons de azul, amarelo, laranja,
verde e branco, a empresa inovou ainda mais no portfólio, na produção de
manequins com texturas perolizadas, purpurinadas, marmorizadas, e com
aparência de madeira. Chegou ao luxo de fabricar manequins rotomoldados
perfumados.
A vazão à criatividade continua com vários lançamentos previstos. Num
deles, o manequim foi finalizado na posição sentada e traz as pernas
cruzadas. Noutro caso, o manequim, na cor chocolate, homenageia a mistura
das raças branca e negra, uma das marcas do Brasil lá fora. Em outro,
ainda, a empresa lança seu primeiro manequim bebê para exposição de roupas
para a
primeira infância.
Potencial automotivo – O conceito de produzir suportes rotomoldados para o
setor automotivo, lançado há mais de uma década, espalhou-se por todas as
montadoras, abrindo portas para novos desenvolvimentos já na mira dos
rotomoldadores. Só a PLM, de Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba,
atuando nas proximidades de importante pólo automotivo do País, fabrica há
cinco anos quatro modelos de “berços”, como são chamados os suportes, e
calcula já ter superado a produção de mais de 40 mil unidades.
Montados sob racks metálicos em camadas, os suportes inicialmente foram
destinados a motores, mas não demorou muito tempo para que passassem a
também proteger comandos de válvulas, câmbios, entre
outras autopeças.
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Cuca Jorge |
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Plastidler molda manequim (esq.) e lança modelo
para roupa de bebê |
“O nosso primeiro cliente em berços foi a Volkswagen, mas hoje atendemos a
Ford, a Renault e a General Motors”, afirmou Sylvio Pereira, vendedor
técnico da PLM. Segundo ele, as peças rotomoldadas duram muito tempo. “Só
produzimos novos berços a cada novo modelo de motor”, afirmou. O que
parece ser um inconveniente, sob a ótica do ganho empresarial, no entanto,
nada mais é do que um trunfo, e um dos pontos mais fortes da rotomoldagem:
a alta durabilidade das peças.
Fundada há sete anos em Betim-MG, outro município com grande produção
automotiva, a MPE Max Plásticos Expandidos, descobriu sete meses atrás uma
nova vocação: produzir por rotomoldagem. Especializada na fabricação de PE
expandido como embalagem de proteção para grandes clientes, como Fiat, TNT
e Denso, a empresa aproveita sinergias para desenvolver componentes em
rotomoldagem, como bandejas, paletes e caixas especiais para armazenagem e
movimentação de
peças automotivas.
“O Brasil está muito atrasado no desenvolvimento de produtos e peças
rotomoldadas, uns vinte anos, calculo, mas as perspectivas são muito boas
porque o mercado está mais maduro para a escolha de materiais de
qualidade, encontrando-se posições mais favoráveis à substituição da
madeira, cada vez mais escassa, e do ferro, material muito pesado”,
avaliou José Roberto Papacídero,
diretor-geral da MPE.
As montadoras estão mais receptivas ao uso de produtos rotomoldados,
atraídas pela leveza e durabilidade. Depois do automotivo, a demanda
também aumenta entre setores que valorizam a possibilidade de higienização
dos materiais, como caixas e paletes, caso das indústrias de alimentos,
farmacêutica e hospitalar. “Se fecharmos 50% dos negócios que se encontram
em andamento nos próximos meses, teremos de comprar o segundo
equipamento”, concluiu Papacídero.
Quebrando resistências – A rotomoldagem também está conquistando setores
mais resistentes à sua introdução, não por pura teimosia, mas pelo fato de
que muitos empresários montaram estruturas fabris assentadas em outros
processos. Aos poucos, porém, tradicionais fabricantes de caixas-d’água de
fibra de vidro passam a reconhecer os méritos da rotomoldagem, seja pela
leveza, durabilidade e reciclabilidade dos componentes.
Esse é o caso da Hidrofiber, de Araçariguama-SP. Há mais de dez anos
fabricando tanques de fibra de vidro desde 250 litros até 10 mil litros,
destinados principalmente a acondicionar água para irrigar áreas agrícolas
e abastecer condomínios urbanos, a empresa só em agosto último começou a
fabricar reservatórios rotomoldados em PE, em três diferentes capacidades:
310 litros, 500 litros e 1.000 litros.
“Estamos complementando a nossa linha de caixas-d’água, oferecendo ao
mercado mais uma alternativa e pretendemos expandir a oferta, fabricando
modelos com maior capacidade”, afirmou o diretor Mario Dalla Costa.
Também está nos planos da empresa a produção de móveis e vários
componentes para decoração de ambientes com rotomoldagem. “Dois anos
atrás, desenvolvemos um projeto para produzir por spray-up componentes em
fibras de vidro para mobiliário em madeira, mas agora constatamos a
viabilidade por um processo mais limpo, e estamos desenvolvendo novo
projeto para rotomoldar pelo menos dez peças antes fabricadas com fibras
de vidro”, antecipou o diretor.
“A rotomoldagem é bem mais econômica se comparada com vacuum forming,
laminação ou extrusão. Os gastos com energia são bem menores e a
lucratividade é maior”, constata Francisco Rocha de Araújo, diretor da MR,
de Itapecerica da Serra-SP. A comprovação feita por ele assume maior peso,
tendo em vista a atuação de sua empresa em todos os processos mencionados.
“O processo é mais lento, mas em compensação não temos de arcar com
grandes despesas de energia, hoje principal gargalo na produção.”
Produzindo rotomoldados, como “berços”, caixas e paletes para transporte
de peças em montadoras e outras plantas industriais há doze anos,
obrigatoriamente reciclados em virtude do atendimento da ISO 14.000,
Araújo também adota por prática empresarial sair em busca de novos
mercados. Entre as especialidades desenvolvidas por sua empresa,
encontram-se banheiros químicos, tanques para detritos, maletas, estojos,
carenagens para maquinários, carcaças para lavadoras de alta pressão,
entre outros produtos que, em sua maior parte, migraram do PRFV para o PE
rotomoldado.
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