A rotomoldagem brasileira se lançou na exploração de campos inusitados: reservatórios de água com capacidade para 12 mil litros, destinados ao estudo de raios cósmicos, por meio de partículas de massa ínfima com altíssima energia, que atravessam a atmosfera terrestre. Dentro dos tanques, as partículas atingem a água, criando uma radiação azulada, captada por fotossensores (luz Cerenkov).
O projeto de investigação, sob os encargos do Pierre Auger Observatory, com sede na Argentina, foi idealizado pelo físico norte-americano James Cronin e pelo escocês Alan Watson, e conta com a participação de 16 países. Nele estão envolvidos 250 doutores em física e mais de cem engenheiros, entre os quais se destacam doutores do departamento de raios cósmicos do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, coordenadora do estudo no Brasil.
 

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Reservatórios de 12 mil litros captam água para análise de partículas cósmicas na Argentina

A escolha dos reservatórios rotomoldados passou por um processo de concorrência internacional e a empresa vencedora foi a brasileira Rotoplastic. Rotomoldados em dupla camada de polietileno, cada qual com espessura de 15 mm, esses reservatórios de grande capacidade são confeccionados com diâmetro de 3,6 m, têm 1,6 m de altura e pesam mais de meia tonelada, cada.

No total, 1.600 tanques contratados pelo projeto deverão ser entregues até o fim deste ano, com destino aos pampas argentinos. No interior do Rio Grande do Sul, no município de Carazinho, a Rotoplastyc, fornecedora da maior parte da encomenda, dedica-se à rotomoldagem desde 1999, ano de sua fundação.
Considerada uma grande fornecedora de reservatórios para o setor agrícola, mercado que anda em baixa, a empresa não hesitou em lançar mão de novas alternativas, visando manter seus fornos e negócios aquecidos.

Os tanques para captar raios cósmicos passaram a ocupar posição central na produção deste ano. A empresa fabrica cerca de 400 itens rotomoldados, desde pequenas peças de 300 gramas até artefatos de 600 quilos, principalmente tanques para colheitadeiras, sementeiras, entre outros maquinários agrícolas, além de reservatórios para acondicionar água e combustíveis.

“Foi um grande desafio desenvolver tanques para o projeto Auger, tendo em vista as exigências de durabilidade, muito severas, com cada tanque tendo de resistir à exposição solar por períodos de vinte anos”, afirmou o diretor Nelson Formentini.
Além de envolvida com a energia cósmica, a rotomoldagem brasileira também estreita os laços com Miami, nos Estados Unidos. Só neste ano, seguiram para lá dois contêineres de 40 m3, cada qual contendo 400 manequins rotomoldados em PE para exposição em sofisticadas vitrines de lojas de roupas.

 
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