EXPORT PLASTIC TEM NOVO DESAFIO

Criado em 2003, o programa de incentivo às exportações de transformados plásticos, Export Plastic, inicia a segunda fase com um aporte de R$ 9 milhões, e um grande desafio: incrementar as exportações de produtos plásticos em US$ 80 milhões e gerar mais de 710 novos postos de trabalho até 2007.
Os presidentes da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Juan Quirós, e do Instituto Nacional do Plástico (INP), Luis de Mendonça, assinaram a renovação do convênio de cooperação técnica e financeira no dia 8 de agosto, em São Paulo, com vigência para o período de junho de 2006 a junho de 2007.

O presidente da Apex-Brasil anunciou também a ampliação do centro de distribuição de Miami, nos Estados Unidos. O armazém alfandegado, mantido pela agência, já tem mais de 150 empresas em lista de espera e uma taxa de ocupação de 95%. Serão agregados mais 1.500 metros quadrados aos mil atualmente disponíveis. “Em outubro, os números serão reavaliados e, havendo necessidade, faremos nova reestruturação”, diz Quirós.

A Apex-Brasil investe mais de US$ 2 milhões na manutenção de centros de distribuição em diversos países, como Alemanha, Portugal, Polônia e Emirados Árabes. Há projetos ainda de locação de armazéns na África do Sul e China. A agência é a locatária do espaço total e subloca partes dos mesmos às empresas. Com isso, consegue preços diferenciados e melhores condições de pagamento, além de facilitar o acesso das empresas nacionais aos mercados estrangeiros. Os associados do Export Plastic estão entre os beneficiados desse sistema.
 
Parte dos recursos aprovados para a segunda fase do programa, R$ 3,6 milhões, será desembolsada pela cadeia petroquímica e associados do Export Plastic, e o restante pela Apex-Brasil. A segunda fase, com duração de doze meses, tem como alvo a inclusão de novos mercados, como Colômbia, Venezuela, Chile e África do Sul.

Nos primeiros dois anos, as prospecções focaram as exportações para os Estados Unidos, Canadá, México, Inglaterra, França e Alemanha. Ao comparar o Export Plastic com os demais projetos apoiados pela Apex-Brasil, Quirós classificou o programa como um dos mais complexos, por causa da necessidade de integrar as três gerações petroquímicas.

Cuca Jorge

Quirós: resultados positivos incitam criação de novas metas

“Foi um dos mais difíceis de ser implantado em virtude da complexidade do setor e da proposta em si”, diz.

Novos desafios – Na avaliação de Quirós, a segunda fase será mais arrojada. “Os resultados positivos nos motivaram a ampliar as metas e reforçar o investimento.” Dentre os principais benefícios alcançados, ressaltou a evolução do volume exportado. “As exportações dos associados cresceram duas vezes mais que a média das empresas transformadoras brasileiras no mesmo período .” Entre 2003 e 2005, as vendas externas do setor aumentaram mais de 37%, enquanto os integrantes do programa tiveram 67% de alta.

De acordo com dados divulgados pela coordenação do Export Plastic, o setor exportou US$ 975 milhões em 2005. “Os números representam um salto de 23% sobre 2004 e de 97% quando comparados a 2002, antes da implantação”, afirma o gerente do programa Wagner Delarovera Pinto. O montante equivale a 275 mil toneladas de transformados plásticos. Alta de 11% no comparativo com 2004 e de 93,6% em relação a 2002, quando as vendas externas do setor somaram 142 mil toneladas.
Cuca Jorge O principal destino dos produtos exportados são: Argentina, com 26% de participação; Estados Unidos, com 15%; e Chile, 8%, seguidos pelo México, 5%; Alemanha, 4,8%; e Venezuela, com 3,3%. Dentre os produtos, destacam-se os filmes de polipropileno biorientado (BOPP), filmes e chapas de polietileno e embalagens em geral.Em 2005, as importações totalizaram mais de US$ 1,2 bilhão, o equivalente a 325 mil t, gerando um déficit na balança comercial da ordem de US$ 258 milhões, correspondentes a 50 mil t. De acordo com Delarovera, o déficit em volume é o segundo menor em sete anos.

“Isso demonstra um comportamento significativamente mais acelerado dos embarques de exportação realizados pela indústria de transformação no período.”
Delarovera: exportação cresceu com implantação do programa

A parceria com a primeira geração e os resultados também foram elogiados pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Merheg Cachum. “O programa contribui para o transformador brasileiro desenvolver a cultura exportadora. Quando analisamos os resultados só podemos pensar que deveríamos ter começado antes”, afirmou em seu discurso.

De acordo com Quirós, a segunda fase também vai auxiliar o transformador a agregar mais valor aos seus produtos, principalmente, no que se refere ao design, além de fortalecer a imagem de qualidade dos manufaturados brasileiros, principalmente embalagens e utensílios domésticos. Outro objetivo é a ampliação do quadro de associados dos atuais 110 para 200 até o próximo ano.

As ações previstas incluem ainda a aquisição de bancos de dados dos mercados-alvo, a participação em feiras internacionais e a continuidade dos projetos Comprador (vinda de importadores ao Brasil para rodadas de negócios e para conhecer o potencial do setor de plásticos brasileiro) e Vendedor (rodadas de negócios no exterior). Em 2006, o Projeto Comprador será realizado nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do País.

A prospecção comercial está baseada na contratação de empresas de consultoria especializadas para a elaboração de pesquisas de mercado para 15 diferentes produtos plásticos, além da aquisição de bancos de dados internacionais que reúnam informações de importadores, distribuidores e agentes nos mercados-alvo.
Dentre os produtos de maior potencial para a segunda fase, Delarovera cita as bolsas de PVC para coleta de sangue, produtos para a indústria médico-hospitalar e farmacêutica, não-tecidos, laminados em geral, rótulos e embalagens flexíveis, entre outros.

Está prevista a realização de aproximadamente 40 cursos e seminários de comércio exterior e temas vinculados à gestão administrativa e de qualidade; a continuidade do Programa de Apoio Tecnológico à Exportação (Progex), vinculado ao Finep, com custo mínimo para os assoaciados; e a concessão de 40 bolsas-estágio às empresas associadas de pequeno e médio portes por meio de parceria entre o Instituto Euvaldo Lodi, de Brasília, e o INP. “O convênio será assinado em Brasília no mês de agosto”, explica Delarovera.                                                        Simone Ferro.
 

 
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