| |
Apesar do bom momento, nos últimos meses os participantes desse mercado
enfrentam uma dificuldade inesperada. A valorização expressiva do real
ocorrida nos últimos meses deu fôlego extra à concorrência dos importados.
Não são os moldes chineses que preocupam. Estes vêm ganhando espaço por
aqui quando o assunto é a injeção de peças simples. Os grandes
concorrentes do nicho são os fabricantes instalados em países avançados,
com destaque para os da Alemanha e Estados Unidos. “Além disso, muitas das
indústrias usuárias de embalagens injetadas são multinacionais e, não
raro, confiam mais nos moldes trazidos de fora”, adverte Tiergarten.
A favor dos fornecedores nacionais, encontra-se a qualidade dos moldes,
que não fica a dever aos produzidos no exterior. Esse quesito representou
o principal impulso do aumento da procura interna nos últimos anos, uma
vez que fortaleceu a confiança dos compradores. A possibilidade dos
transformadores participarem da elaboração do projeto da ferramenta e a
proximidade dos fornecedores na hora da manutenção são outros argumentos
que ajudam muito os fabricantes locais.
Projeto sofisticado – O processo de produção dos moldes com múltiplas
cavidades e/ou de paredes finas exige muita sofisticação. Usadas em
injetoras com ciclos rápidos e voltadas para a produção de peças, muitas
vezes com design complexo – como as tampas de embalagens flip top, por
exemplo -, essas matrizes exigem muita tecnologia. Tudo se inicia com o
desenvolvimento de projetos que precisam levar em conta as dificuldades
presentes na operação nas etapas de fechamento, enchimento dos moldes,
resfriamento e extração das peças. É difícil, por exemplo, atender à
exigência por parte dos usuários de permitir o intercâmbio fácil dos
elementos que compõem a ferramenta. A providência visa evitar as paradas
longas para manutenção.
| Também para driblar problemas que paralisem a produção, essas matrizes
precisam ser muito resistentes. “O ideal é que elas trabalhem dez anos sem
apresentar avarias. Por isso, utilizamos aços especiais, nos quais
aplicamos três tipos de tratamento térmico para chegar ao resultado
desejado”, explica Geraldo Lopes, diretor-industrial da Polyesp. |
Cuca Jorge |
 |
| Gonçalves: economia de escala fará setor crescer |
A
empresa, localizada em Curitiba-PR, tem 38 funcionários.
A tolerância dimensional das cavidades fica na casa da micra. Para chegar
a essa precisão, a operação de usinagem do material tem de ser feita em
máquinas com comandos numéricos computadorizados de última geração. “Com
máquinas comuns não conseguimos atingir o nível de qualidade exigido”,
conta Osmar Ackermann, diretor da Lanna Plásticos, empresa com nove
colaboradores, situada em São Paulo. Ackermann também destaca a
necessidade da centralização perfeita das várias placas da matriz,
característica indispensável para a produção de peças com paredes de
espessuras na casa dos décimos de milímetros.
A tecnologia necessária pode ser adquirida por ferramentarias de qualquer
tamanho. Estrutura à parte, para estarem aptas, elas precisam apresentar
um aspecto em comum: a capacitação dos profissionais responsáveis por
todas as etapas da fabricação. “É preciso reconhecer a importância das
pessoas que fazem parte do processo. As máquinas que utilizamos para fazer
esses moldes são caras e imprescindíveis, mas não poderíamos fazer nada se
não contássemos com material humano muito bem preparado”, resume
Tiergarten.
Grandes e médias – No mercado desde 1971 e com um time de 300
colaboradores, a Moltec atua exclusivamente na área de embalagens e também
produz moldes de sopro. A ferramentaria fabrica, em média, por ano,
cinqüenta moldes, entre os quais 10% são exportados para a América Latina,
Europa e Estados Unidos. No campo de moldes para injeção, suas
especialidades são tampas e pré-formas de PET.
De acordo com Gonçalves, um dos diferenciais da empresa é a utilização de
softwares aptos para o desenvolvimento de produtos, projetos e do processo
de usinagem mais adequado. “Também dispomos de uma sala de prototipagem
rápida para a confecção de mock-ups, dezenas de máquinas CNC, algumas de
alta velocidade com mesas até 2,2 metros”, revela o gerente.
No setor de engenharia, a empresa conta com mais de 30 especialistas,
entre técnicos e engenheiros. No chão da fábrica, conta com a experiência
de cerca de 200 ferramenteiros. “A soma de nossos recursos tecnológicos
com a experiência profissional garante a qualidade e a rapidez de nosso
atendimento”, orgulha-se Gonçalves.
A Btomec não fabrica apenas moldes de injeção do gênero, mas tem sido
bastante requisitada pelos interessados em matrizes que possibilitam
elevada produção. “Nos últimos anos nos preparamos bastante para atender a
esse nicho de mercado. Várias vezes visitamos feiras no exterior e
trocamos experiências com parceiros, medidas que nos abriram as portas
para esse mercado”, revela Tiergarten.
Para o diretor da Btomec, um dos diferenciais da empresa se encontra na
excelência que apresenta na hora de elaborar o projeto da ferramenta. “O
projeto representa de 80% a 90% do sucesso de seu funcionamento”, explica.
Para isso, contar com técnicos experientes é um trunfo. “Temos vários
funcionários que trabalham conosco há dezessete ou dezoito anos”, diz. Ele
também destaca o investimento que a empresa tem feito na aquisição de
máquinas de usinagem de última geração. “Para usinar cavidades com
tolerâncias de três a cinco micra, precisamos de equipamentos precisos
como um “relógio”, resume. |
|