Setor de múltiplas camadas garante competitividade em mercado pulverizado

Em terra de grande competição, quem tem um diferencial é rei. No pulverizado mercado brasileiro dos fabricantes de moldes de injeção de plásticos, conseguir sobreviver com alguma tranqüilidade em meio à inconstância do desempenho da economia é proeza para poucos. Entre os felizardos, algumas empresas se sobressaem por conseguirem atender a um segmento de mercado que exige notória especialização e está em franco crescimento. São as fabricantes de moldes para injeção com múltiplas cavidades e/ou paredes finas.

O número de cavidades dessas matrizes varia de acordo com os designs das peças que elas irão produzir. Nos casos das peças de pequeno porte pode ser muito elevado. Existem moldes com 96 ou mais cavidades – como os desenvolvidos para a fabricação de pequenas tampas de embalagens ou de talheres descartáveis. Ferramentas para a produção dos potes de sorvete de dois litros não comportam tamanha capacidade de produção. Mas como as peças contam com paredes muito finas, apresentam grande dificuldade para quem as fabrica.

Dois motivos, em especial, explicam a prosperidade desse nicho. Um deles é a competitividade do plástico, que tem feito com que a matéria-prima ganhe espaço em inúmeras aplicações, em especial, nos campos das embalagens e de produtos descartáveis. Vale ressaltar que as ferramentarias que conseguem atender a essas encomendas engordam suas receitas, pois, por serem diferenciados, os moldes possuem valor agregado bem superior ao dos comuns.

“A produção de quantidades maiores de peças proporciona uma economia de escala aos transformadores e fará esse mercado crescer bastante em um futuro próximo”, acredita Nelson Gonçalves, gerente de engenharia da paulistana Moltec, uma das maiores ferramentarias do Brasil.

A mesma opinião tem Welington Pavarini, diretor da também paulistana WPlastic, ferramentaria com apenas oito funcionários

. “A cada dia, indústrias como as de alimentos, farmacêutica, cosméticos e de higiene e limpeza se tornam grandes usuárias de potes, tampas e outros utensílios”, justifica.

Cuca Jorge

Tiergarten investe em máquina de última geração

O segundo motivo do sucesso de quem atua nesse nicho é a capacitação tecnológica. “No Brasil, há cerca de uma década, a importação era a única opção dos transformadores interessados em comprar moldes desse tipo. Nos últimos tempos, as empresas brasileiras investiram para obter know-how e hoje já surgem como opção”, explica Wiland Tiergarten, diretor da Btomec, que tem 85 funcionários e está localizada em Joinville-SC.
 

 
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