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“O primeiro semestre foi muito difícil, o grande problema do setor
foram os aumentos nos
preços das matérias-primas, que representam mais de 70% dos custos na
cadeia de
produção”, declarou o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas
Plásticas (Siresp),
José Ricardo Roriz Coelho. “Os custos da petroquímica foram fortemente
afetados pela nafta,
que acompanhou a evolução do preço do petróleo; os preços do gás e do óleo
combustível
também subiram, impactando os custos energéticos”, assina em baixo José
Carlos
Grubisich, presidente da maior petroquímica brasileira, a Braskem.
O diretor da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina, compartilha a mesma
opinião: “O
petróleo e a nafta subiram em proporção acima da capacidade do mercado de
absorver esses aumentos, a entrada da Riopol também inibiu o repasse, e houve queda na
rentabilidade”,
avalia.
O gerente regional de estirênicos da Basf, Oliver Richter, concorda. “A
dificuldade em
repassar os aumentos das matérias-primas resultou em margem baixa e a
valorização do real
prejudicou a exportação.” Outra empresa de atuação global, a Dow engrossa
o coro. De
acordo com seus executivos, os preços do petróleo podem subir ainda mais
por conta da
instabilidade política no Oriente Médio, prejudicando e reduzindo as
margens em toda a
cadeia de valor.
Na avaliação de Roriz, o
desempenho no primeiro semestre de 2006 registrou dois extremos.
Alguns segmentos amargaram perdas: produtos destinados à exportação,
têxteis e calçados,
em particular; e os voltados à agricultura, tais como embalagens de
defensivos agrícolas.
Outros, porém, apresentaram crescimento muito bom. Fazem parte desse
grupo indústrias
de alimentos, cosméticos, construção civil e produtos de limpeza. “Em
termos de volume, as vendas foram boas. O mercado melhorou e os
transformadores
repuseram estoques”, declarou Roriz. Segundo ele, o mercado também
registrou ligeira
recuperação nas exportações, com a melhora nos preços internacionais. |
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| Roriz: preços dos insumos equivalem a 70%
dos custos |
O aumento do salário mínimo acima da inflação, e a redução da taxa de
juros de longo prazo
(TJLP), usada para financiamentos produtivos, contribuíram para
impulsionar as vendas de
resinas termoplásticas ainda no primeiro semestre de 2006, sinalizando
boas expectativas
para a segunda metade do ano.
Resultados – Nos primeiros seis meses de 2006 em relação ao mesmo
período de 2005, o
consumo aparente (a soma da produção mais as importações e menos as
exportações) das
principais commodities registrou alta de 11,5% e a produção cresceu 12,2%.
Em ritmo
menor, as exportações evoluíram 9,6%. Mesmo positivos, os resultados
perdem peso porque
sua base de comparação – o primeiro semestre do ano passado – é fraca, um
período
marcado por forte retração no consumo doméstico.
De acordo com o presidente do Siresp, o cenário global começou a
melhorar no final do
primeiro semestre, propiciando melhora nas margens. “O mercado
internacional está
comprador, os preços internacionais melhoraram, e a petroquímica
brasileira está exportando
em condições mais favoráveis do que no primeiro semestre”, comemorou Roriz.
Se esse
ritmo de alta persistir no mercado externo e o interno continuar
crescendo, o terreno será
fértil para a recomposição de margens e a melhora na rentabilidade dos
produtores de
resinas.
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