Mercado aquece e dá sinais de recuperação no segundo semestre

Alta na demanda interna e nas cotações asiáticas animam a petroquímica

Maria Aparecida de Sino Reto

A indústria petroquímica passa por um momento de recuperação de mercado, na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), José Ricardo Roriz Coelho, com alta de 18,7% nas vendas domésticas de resinas termoplásticas, no período de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período no ano passado. Todas as resinas apresentaram crescimento, mas o polietileno de baixa densidade linear (PEBDL) disparou na frente, com expansão da ordem de 33%.

Produção por resinas  ( 1° TRIMESTRE DE 2005 X 2006 )

O bom desempenho é reflexo de um conjunto de fatores, como o aumento do salário mínimo acima da inflação, e o aquecimento das vendas das indústrias de cosméticos, alimentos e automóveis, na opinião de Roriz. Também o anúncio na queda da TJLP (taxa de juros de longo prazo) deve contribuir para deslanchar investimentos e o setor de plástico também deve ser beneficiado, acredita ele.
O presidente do Siresp vê bons ventos soprando os negócios no segundo semestre. Para Roriz, em junho, o polietileno e o polipropileno atingiram recordes de preço no mercado asiático, prenúncio de aumento na demanda global desses polímeros, o que deve puxar a produção.

Vendas internas por resinas ( 1° TRIMESTRE DE 2005 X 2006 )

As boas expectativas injetam novo ânimo no setor, abalado por questões como a escalada dos preços do petróleo, cotado acima dos US$ 70 dólares o barril, as pressões nos custos dos insumos básicos da cadeia – tais como a nafta e o eteno –, e a valorização do real perante o dólar, dificultando as exportações. O mercado brasileiro de polietilenos ainda enfrentou o impacto da oferta adicional de resinas, provocado pela produção da Rio Polímeros, iniciada em janeiro deste ano.

A despeito do desempenho positivo das vendas domésticas no primeiro trimestre do ano, em comparação ao mesmo período de 2005 (o PEAD cresceu 7,5%; o PEBDL, 17,8%, e o PEBD, 0,1%) aferido em levantamento da Coplast/Abiquim, as petroquímicas não encontraram terreno propício para repor os aumentos de custos. A Triunfo até tentou, mas foi boicotada. “Nossas vendas domésticas encolheram 8% no primeiro trimestre, em parte pela pretensão malsucedida de recuperação de margens. O mercado não aceitou”, admitiu a diretora Maria Regina Piña Rodrigues da Silva.

Vendas externas por resinas ( 1° TRIMESTRE DE 2005 X 2006 )

Na opinião dela, o mercado vem sentindo os efeitos da entrada da Riopol desde o ano passado, com queda nos preços e nas margens. “O PEBD não cresceu. Todo o crescimento de polietileno de baixa foi capturado pelo linear, e a oferta excedente complicou a situação”, relata. Em compensação, a Triunfo elevou em 12% as exportações, reforçadas com foco no EVA. “O EVA tem margem melhor e é um caminho que a Triunfo buscou para desenvolver novos mercados”, disse Regina.


 
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