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SIRESP PEDE PREÇO MENOR PARA NAFTA
As indústrias
petroquímicas querem pagar preço diferenciado pela nafta fornecida pela
Petrobras e, assim, garantir resina com melhores condições comerciais para
o transformador nacional. A reivindicação anunciada pelo presidente do
Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), José Ricardo Roriz
Coelho, no dia 18 de maio, em São Paulo, será apresentada no Fórum da
Competitividade, em Brasília, e conta com o apoio do presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (Abiplast), Merheg Cachum,
e do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens
Plásticas (Abief), Rogério Mani.
Reunidos na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), os dirigentes divulgaram os dados de um extenso estudo que mostra
a perda de competitividade do setor no Brasil e no exterior e sugere
algumas ações para resolver parte dos problemas enfrentados ao longo da
cadeia petroquímica. Um dos principais entraves, na avaliação de Roriz,
diz respeito ao preço dos insumos, que tem como referência regiões
altamente dependentes de importação do petróleo, e representam em média
70% dos custos de produção.
As entidades pleiteiam a revisão da fórmula atual de fixação de preços,
estabelecidos com base na cotação ARA (Antuérpia, Roterdã e Amsterdã),
acrescida de um percentual. “Não podemos sofrer os reflexos do inverno no
Hemisfério Norte ou do aumento de determinadas demandas. Temos de
considerar os preços mais altos e os mais baixos também”, afirmou Roriz.
As entidades defendem a adoção de um valor referencial que leve em conta
uma cesta de produtos com base nos preços europeus, em geral mais altos, e
de outros mercados como o Oriente Médio, cerca de 30% mais baixos. Com
isso, querem desvincular o setor nacional do cenário europeu e americano,
no caso do gás.
Outra alternativa, proposta por alguns produtores, é a definição do preço
da nafta de acordo com os seus custos de produção, pois boa parte da
oferta tem origem no próprio País. A auto-suficiência da Petrobras na
produção de petróleo e as alternativas de combustíveis renováveis, como o
álcool e o biodiesel, são vantagens que, na opinião dos representantes do
setor, devem ser repassadas à indústria nacional.
Atualmente, o Brasil consome aproximadamente dez milhões de toneladas de
nafta, das quais 30% são importadas. “Somos auto-suficientes em petróleo,
mas pagamos o mesmo preço dos países deficitários”, critica Cachum. Dentro
desse contexto, o setor defende a melhor distribuição das margens ao longo
da cadeia. “Precisamos melhorar nossa competitividade tanto no mercado
interno quanto no externo”, afirma Mani, da Abief.
Voz ativa – A reivindicação não é nova. Já faz algum tempo, os
produtores de resinas criticam a política de preços adotada pela Petrobras.
Para driblar essa situação muitas vezes optam pela importação direta. O
presidente do Siresp lamenta ainda a dificuldade de negociação com o
governo e a Petrobras e, de certa forma, a marginalização em relação a
outros segmentos com mais apelo e respaldo, como o automotivo ou de
brinquedos. “São poucos os setores brasileiros que têm a ordem de grandeza
e a importância do nosso”, diz Roriz.
| A capacidade instalada da
segunda geração ultrapassa 5,8 milhões de toneladas anuais, com
faturamento de US$ 5 bilhões/ano. Já a transformação nacional conta
com mais de 8.500 empresas instaladas, a maioria de pequeno e médio
porte, com consumo de termoplásticos superior a 4 milhões de toneladas
por ano. |
Cuca Jorge |
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| Unidos: Cachum (esq.), Roriz e Mani querem mais
competitividade |
“Para começar, precisamos ser ouvidos pelo governo e Petrobrás, mostrar
o potencial do setor”, enfatizou Roriz.O presidente do Siresp também
conclamou a união de toda a cadeia petroquímica, iniciativa elogiada pelo
presidente da Abiplast. “Estou no setor do plástico há 45 anos, passei por
todas as fases, e apenas de uns tempos pra cá eu vejo a petroquímica
querendo ser de fato nossa parceira”, afirmou Cachum.
Segundo ele, a história do setor é marcada por grandes conflitos entre o
transformador e os produtores de resinas. “Não conseguimos nos entender.
Lamentavelmente, dependemos de grandes fornecedores e estamos esmagados
entre eles e o cliente final, em geral, multinacionais.”
Cachum elogiou o desempenho da Petrobrás, mas também não poupou críticas.
“A companhia tem de lucrar, porém sem matar os outros setores que dependem
dela. Trata-se de uma das companhias de maior rentabilidade do País”,
argumenta.
Outra briga antiga do setor se refere à redução do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), dos atuais 15%, em média, para 5%. “O alto custo
das matérias-primas, a carga tributária e o câmbio são extremamente
nocivos para as indústrias de transformação”, avalia Cachum.
Enquanto a carga tributária brasileira chega a 49%, na China fica em torno
de 9%. Segundo o presidente da Abiplast, a desvalorização do dólar
facilitou a importação de produtos manufaturados, principalmente da Ásia.
“O Brasil corre o risco de se tornar um mero importador de artigos
transformados”, diz Cachum.
O estudo sobre a competitividade do setor aponta justamente para essa
direção. O documento analisa e compara a evolução da produtividade do
setor manufatureiro do Brasil, Rússia, Índia, China, Coréia, Argentina,
México e Estados Unidos. “Foram selecionados os mercados com os quais o
Brasil concorre interna e externamente”, afirma Roriz.
Abaixo da média – De acordo com dados divulgados no relatório, o
PIB brasileiro do setor manufatureiro cresceu a metade da média dos países
analisados, e a produtividade, menos de um quarto. Entre os fatores que
contribuíram para esse resultado estão os gastos do governo com relação ao
PIB, 45% maiores; a carga tributária, 46% mais elevada; e os juros médios,
144% superiores. O crédito para o setor privado no Brasil e os gastos com
pesquisa e desenvolvimento também perdem feio no comparativo com os demais
países analisados. As médias dos concorrentes ficam 77% e 50% acima dos
índices verificados no País, respectivamente.
O estudo aponta ainda que o investimento de 25% do PIB possibilitaria
crescimento da ordem de 5% ao ano, equivalente a uma evolução de 8% da
indústria manufatureira. Com isso, a produtividade da indústria
manufatureira nacional alcançaria o índice americano em 25 anos.
A taxa de crescimento anual da produtividade da manufatura chinesa é de
10,61% entre 1996 e 2005. Em segundo lugar fica a Índia (6,1%), seguida
pela Coréia (4,47%), Rússia (3,4%), Estados Unidos (2,37%), Chile (1,54%),
Brasil (0,98%) e Argentina (0,87%). O México recuou 1,38%.
Entre 1997 e 2003, os três países com piores desempenhos (Brasil,
Argentina e México) sofreram aumento da carga tributária e possuem taxas
de juros acima da média, entre outros fatores macroeconômicos. China,
Índia e Rússia, ao contrário, reduziram juros e aumentaram o crédito e os
investimentos em pesquisa e
desenvolvimento.
Segundo o estudo, caso o Brasil e a China continuem a crescer na média dos
últimos dez anos, em uma década suas produtividades manufatureiras serão
equivalentes. “A Índia se iguala ao Brasil em doze anos. Eles estão
avançando com a mesma força da China”, diz Roriz. Porém, se o Brasil
crescer com o ritmo médio dos países analisados, 3,78% ao ano, índice
quatro vezes maior que o atual, levará 107 anos para que a produtividade
da sua indústria manufatureira atinja a dos Estados Unidos.
Entre as diretrizes propostas pelo Fórum da Competitividade com base na
pesquisa estão: diminuição dos juros; aumento do crédito bancário ao setor
privado; maior investimento público e privado e do PIB; redução da carga
tributária e adequação do câmbio. “A valorização do real aumentou a
competitividade das importações e prejudicou as exportações”, diz Cachum.
Uma das metas da transformação é voltar a crescer nos patamares da década
de 90. Até 1996, a média de crescimento do setor era de 10% ao ano. Nos
períodos seguintes, os resultados patinaram entre a estagnação e a
retração, com tímidos períodos de evolução. “Estamos perdendo o bonde da
história. Algo tem de ser feito rapidamente”, afirma Cachum.
As embalagens representam 42% do mercado de artefatos plásticos. No
segmento de flexíveis, um dos mais importantes, a indústria alimentícia
responde por 50% da demanda, de acordo com Mani, da Abief. Trata-se de um
mercado com grande potencial de crescimento. “No Brasil, 21% dos alimentos
se perdem no caminho por falta de embalagens adequadas.” As embalagens
representam também o último passo de agregação de valor de qualquer
produto manufaturado.
Em 2003, a China consumiu 14,4 milhões de toneladas de resinas
termoplásticas, das quais 76% atenderam à demanda interna. “Mais de 40%
das resinas consumidas são importadas”, diz Roriz. Cerca de 70% dos
brinquedos vendidos no mundo são fabricados na China, sendo que 50% desse
volume é produzido em apenas uma cidade. “A China aumentou o valor
agregado de seus produtos, além de melhorar a
qualidade.”
S. F.
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