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Notícias
ABIMAQ ABRE ESCRITÓRIO PARA NEGOCIAR NA
CHINA
Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) abriu um escritório em
Pequim, capital da China, com o objetivo de assessorar e dar atendimento
aos associados interessados em vender e comprar bens de capital mecânico
naquele país. A novidade foi divulgada na sede da entidade, em São Paulo,
no dia 26 de junho. Na ocasião, a Abimaq apresentou o estudo “China e o
seu efeito sobre a indústria de máquinas e equipamentos do Brasil”,
elaborado pela economista Patrícia Marrone.
Para o presidente da Abimaq, Newton de Mello, a iniciativa representa um
importante marco para o setor. “Nossa tarefa é transformar a difícil
concorrência chinesa em oportunidade, procurando abrir portas e atuar
nesse imenso mercado, para o qual não podemos ficar indiferentes.”
Para comandar as atividades do escritório chinês, a entidade contratou
Fernando Guó Fenping, profissional com experiência em consultoria de
negócios empresariais bilaterais. Entre as atribuições do escritório estão
a assessoria a empresários nas negociações de joint ventures, o
fornecimento de informações gerais sobre a política econômica chinesa e
decisões governamentais de interesse do setor, além de auxiliar na
montagem de programas de visitas.
Será oferecido ainda serviço de intérprete e de levantamento de
informações de mercado. O escritório acompanhará o calendário de feiras e
exposições de interesse das 27 câmaras setoriais da Abimaq e vai colaborar
com a montagem de estande e no atendimento de visitantes e expositores.
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As demandas dos associados serão cobradas e ajudarão a cobrir os custos
do escritório chinês. As solicitações deverão ser encaminhadas à sede da
Abimaq, em São Paulo, responsável pela ponte entre os associados e a nova
base. Também será designado um profissional para esse atendimento. Para o
assessoramento jurídico, foi constituída uma comissão sob a orientação do
diretor de assuntos jurídicos da entidade, Germano Gomes.
Estudo – O projeto começou com um amplo estudo sobre a economia e a
história chinesa. Os dados levantados pela economista Patrícia Marrone,
que deram origem à publicação com 160 páginas, ajudaram a Abimaq a
entender o surpreendente desenvolvimento da China e a traçar algumas metas
naquele país. Em fevereiro, a executiva Mércia Fernandes viajou à China
para realizar os contatos necessários para a montagem do escritório.
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A China já ocupa a posição de terceiro maior comprador dos produtos
brasileiros. No ano passado, importou US$ 225 milhões em máquinas e
equipamentos, alta de 38,9% em relação ao período anterior.
Em 2005, as exportações
chinesas para o Brasil alcançaram US$ 270,4 milhões, um crescimento de
85,46% sobre os US$ 145 milhões de 2004.
Já as exportações chinesas para o mundo cresceram 48,79%. Os números
revelam que, na média, o intercâmbio comercial entre a China e o
Brasil é mais intenso do que entre a China e o resto do mundo, pelo
menos no setor de máquinas e equipamentos.
Revelam ainda uma balança comercial deficitária no setor de máquinas e
equipamentos, porém com tendência de redução. Passou de US$ 28 bilhões
em 2004 para US$ 16,8 bilhões no ano passado. Em relação ao Brasil, o
déficit de US$ 16,3 milhões de 2004 se transformou em superávit de US$
45 milhões, em 2005, segundo informações divulgadas no estudo. |
Divulgação |
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| Estudo mostra evolução chinesa |
Há segmentos em que a China é exportadora de produtos para o Brasil,
representando ameaça para os fabricantes locais, como no caso das
injetoras para plástico. “Porém, existem inúmeras oportunidades para os
fabricantes brasileiros”, diz Patrícia.
Dentre os segmentos que mais sofrem com a concorrência das máquinas
chinesas no Brasil estão o têxtil, refrigeração, transmissão, plástico e
máquinas-ferramentas. Em contrapartida, a China também é um grande
importador para todos esses mercados. “O Brasil tem condições de ampliar a
participação nas importações chinesas em diversos segmentos”, afirma
Mello.
O estudo aponta os setores agrícola, de energia e os demais relacionados à
infra-estrutura e ao saneamento como os mais promissores para as
exportações brasileiras. Equipamentos pesados para fundição, couro,
mineração, para madeira e cerâmica também apresentam boas perspectivas.
O Brasil já conta com alguns desempenhos positivos no comércio com a
China. De acordo com o estudo, de 2004 para 2005 o País passou da condição
de deficitário para superavitário em máquinas-ferramenta e ferramentaria e
modelação. Em máquinas-ferramenta o salto foi do déficit de US$ 94 mil em
2004 para o superávit de US$ 34 milhões em 2005.
A China é o maior consumidor mundial de máquinas-ferramenta,
aproximadamente 40 mil ao ano. O consumo tem crescido em média 16%. Em
2004, a China produziu US$ 3,5 bilhões em máquinas-ferramenta e consumiu
US$ 9,2 bilhões de dólares. As parcerias com os fabricantes alemães
imprimiram padrões próximos dos ocidentais.
Em ferramentaria e modelação, o saldo brasileiro era de US$ 3 milhões
negativos e passou para US$ 5,8 milhões positivos. Porém, ainda existe
muita margem para crescer. Em 2005, a China importou mais de US$ 7 bilhões
em máquinas-ferramenta. Desse total, apenas US$ 55,5 milhões do Brasil.
As importações totais do setor de ferramentaria e modelação somaram quase
US$ 2 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 14 milhões provenientes do
Brasil. As importações chinesas de máquinas para plástico superaram os US$
2,4 bilhões. A participação brasileira nesse montante não chegou a US$ 500
mil. Também nesse caso, a China é deficitária em mais de US$ 1,7 bilhão.
Crescimento – São vários os fatores capazes de justificar o
surpreendente crescimento da China nos últimos dezessete anos. Nesse
período, o país adotou uma política industrial consistente, com incentivos
contínuos à indústria de bens de capital, e implantou planos de governo
que impulsionaram 12 setores, entre eles o de máquinas.
A fabricação de máquinas e equipamentos é uma das principais indústrias da
China. O setor cresce em média 15% ao ano desde 1998. Em 2002 e 2003
chegou a crescer 32% ao ano. A participação dos produtos manufaturados
chineses no comércio internacional aumentou de 1% para 4,7% de 2000 a
2005. No Brasil, passou de 1% para 1,3%.
Os números são grandiosos também em outras áreas. Os gastos com pesquisa e
desenvolvimento atingiram US$ 72 bilhões em 2003, contra US$ 13 bilhões do
Brasil. Na época, a China contava com 810 mil profissionais atuando nessa
área, e o Brasil com 54,9 mil.
Para quem quer entender melhor o desempenho da economia chinesa, o
trabalho da economista Patrícia Marrone é leitura obrigatória. A
publicação aborda as grandes desvantagens do Brasil diante da China, os
mercados potenciais e as estatísticas do setor de bens de capital, entre
outros aspectos econômicos. O estudo traz também um relato importante da
história dessa cultura milenar desde Mao Tse-tung, que ajuda o leitor a
entender os índices de crescimento daquela nação e a motivação dos
chineses para aceitar as reformas e planos econômicos.
Para isso, aborda aspectos da cultura, da sociedade, da política, da
educação e do meio ambiente. O livro relata ainda as ações de combate à
corrupção, a política fiscal e as reformas do serviço público, da
legislação e do setor empresarial. Todos esses tópicos fazem parte do
primeiro capítulo, intitulado “Para entender a China”.
O capítulo II, “Política industrial e o setor de máquinas e equipamentos”,
relata as políticas adotadas a partir de 1989, incluindo as ações
previstas no 11º Plano Qüinqüenal, divulgado em 2006. O documento define
as diretrizes do governo para os mais diversos setores e estabelece metas
para o período de 2006 até 2010.
O plano reforça a preocupação com as questões sociais, em especial no
interior do país e na zona rural e também com a infra-estrutura de
transporte. Dentre as ações se destacam a ampliação dos gastos com
educação que passam de 3,4% do PIB em 2002 para 4% do PIB no próximo
qüinqüênio.
A escassez de mão-de-obra de nível intermediário também é um problema a
ser resolvido. Outro objetivo é manter o crescimento econômico em torno de
7% ao ano nos próximos quarenta anos, quadruplicar o PIB per capita até
2020 e desenvolver a área rural.
A China, ao longo dos anos, vem conseguindo agregar valor aos seus
produtos, além de melhorar significativamente sua qualidade. Por isso,
outro grande objetivo, traçado no âmbito da política industrial, é o de
desenvolver um país focado na inovação.
Porém, ainda se trata de um país vulnerável, cujos pontos críticos vão
desde a burocracia estatal e a ineficiência das empresas públicas, a
fragilidade do sistema financeiro, os escassos recursos naturais, a
corrupção e o nepotismo.
O terceiro capítulo, “O segmento de máquinas-ferramenta” traça o panorama
futuro, as tendências do setor e a adesão da China à OMC, entre outros
temas. O capítulo IV faz uma análise do comércio de máquinas e
equipamentos com a China. Na seqüência, a autora aborda as ações de defesa
comercial promovidas pela Abimaq para proteger o setor da concorrência
desleal. A entidade monitora cerca de mil produtos do setor de máquinas e
equipamentos e adotou a defesa comercial desde junho de 2005. No caso das
injetoras para plástico, a entidade apresentou pedido de salvaguarda por
registrar um surto de importações com danos à indústria nacional.
No último capítulo, Patrícia apresenta suas conclusões e traça os
principais desafios para a indústria brasileira. Dentre as vantagens
competitivas da China, cita a grande quantidade de trabalhadores de
baixíssimo custo e a facilidade de obtenção de economias de escala,
situações bastante exploradas pelo governo chinês.
O estudo deixa claro que tanto o Brasil quanto a China precisam encontrar
soluções para reduzir a pobreza e promover o crescimento. “Os baixos
salários da China, somados à inexistência de encargos, continuarão
irradiando a redução de salários e benefícios nos demais mercados, até
mesmo no Brasil. Por isso, a reforma trabalhista é urgente no Brasil, para
flexibilizar as condições de produção e emprego”, diz Newton de Mello.
A indústria nacional também terá de se superar em vários aspectos para
aumentar a sua competitividade, o que requer investimentos em serviços,
design, marketing e em tecnologia. Segundo Patrícia, a maior ameaça aos
fabricantes brasileiros são as grandes empresas chinesas, que estão se
organizando para assumir posição de indústria de classe mundial. O ponto
vulnerável, no entanto, diz respeito à prestação de serviços pós-venda e o
suporte em aplicações técnicas. “Esse fato poderá ser explorado pelas
empresas brasileiras”, diz Patrícia.
Simone Ferro
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