Dos males o menor. Os números refletem mais a macroeconomia do que problemas da indústria. A Abief divulga que a embalagem flexível responde por 25% de todos os plásticos utilizados no mundo e a tecnologia de orientação do propileno é uma das principais responsáveis pela conquista desse espaço.  
 O propileno orientado (OPP) cresce ao ano cerca de 7%. No caso do polipropileno biorientado (BOPP), só o consumo da indústria européia de flexíveis alcançou 862 mil toneladas, em 2005. A previsão é elevar esse volume para 1.200 mil t, até 2010.
Plástico fatura R$ 10 milhões para o mercado de embalagem

BOPP em alta - Substituto do celofane, o BOPP demonstrou forte penetração no mercado brasileiro de embalagens flexíveis. Vide os novos investimentos e produtos anunciados durante a feira. Pioneira na fabricação e comercialização dos filmes de BOPP no Brasil e na América Latina, a Polo Films, empresa do Grupo Unigel, ratificou o investimento de mais de R$ 100 milhões para a implantação de uma nova linha de produção de BOPP, em Montenegro, Porto Alegre-RS. Com o início da operação previsto para julho de 2007, a fábrica poderá produzir até 30 mil toneladas por ano. Fundada em 1980, na cidade de Varginha-MG, a unidade produz, hoje, 62 mil toneladas anuais. A empresa opera com duas tecnologias para a fabricação do filme de BOPP: plana, instalada na fábrica gaúcha, e balanceada, na mineira. Com a nova linha, além de aumentar a demanda do produto no mercado nacional, o faturamento da Polo Films pode alcançar a marca de R$ 500 milhões já em 2008.
 
Por isso, a empresa aproveitou a visibilidade da Fispal para lançar dois produtos: o Polo THB e o Polo BTW. O primeiro é um filme metalizado co-extrusado com tensão superficial e alta barreira. Indicado para aplicações em estruturas impressas e laminadas, o THB pode ser usado para embalagens de biscoitos, salgadinhos e sucos em pó, entre outros. O BTW é um filme transparente, com efeito twist (torção). De acordo com o fabricante, possui rigidez e deslizamento uniforme, o que o torna ideal para máquinas de alta vazão. O efeito torção se dá pela falta de memória do filme, em razão da alta resistência mecânica nos dois sentidos de estiramento.
Sandra: aumento da demanda de BOPP justifica lançamento do THB

Apesar da aposta no BOPP, a companhia também vislumbra novos mercados, pois deve se tornar concorrente direta da Terphane, no ramo de filmes de poliéster biorientado (BOPET), em 2008. Com investimento de R$ 90 milhões, a Polo Films irá instalar fábrica – ainda sem localização definida – para a produção de 20 mil toneladas/ano. Sabe-se de antemão que criará 100 novos empregos diretos e 250 indiretos. “Fomos responsáveis por trazer o BOPP para a América Latina. O BOPET é um desafio, teremos de aprender sobre este mercado, mas confiamos na nossa experiência”, afirma Sandra. Para o diretor-superintendente da Polo Films, Jorge Cardoso, há uma forte sinergia entre os filmes de BOPP e de BOPET, em especial, no mercado de produtos alimentícios.

Entre as vantagens do BOPET, o grupo destaca a boa resistência térmica e mecânica. Outro ponto a favor diz respeito à barreira ao oxigênio e a outros gases. As principais aplicações são: embalagens para café, massas secas e bebida pronta. É utilizado também em embalagem do tipo stand-up pouch de maionese e molhos, entre outros. Cerca de 80% das aplicações de BOPET se concentram hoje no segmento de embalagens flexíveis.

Sandra informa que a instalação da planta de BOPET tem a proposta de diversificar a linha de produtos, mas a companhia também almeja parcela de um mercado estimado em cerca de 30 mil toneladas/ano, na América Latina. No mundo, a Polo Films projeta demanda de 2 milhões de toneladas/ano da resina, que apresenta taxa média de crescimento de 5% ao ano.

Durante a Fispal, a Sigdopack S.A. também comprovou a força do BOPP. A empresa deve elevar, em um ano, a sua capacidade anual de 36.500 t para 74 mil t de filmes de BOPP. O investimento da ordem de 50 milhões de dólares se destinou à instalação de fábrica em Campana, província de Buenos Aires, prevista para entrar em operação em 2007. Com unidade em Santiago do Chile, a companhia produz, além do BOPP, náilon biorientado. A Alpes aproveitou a visibilidade da feira para divulgar novo negócio: a fabricação de filme de polietileno (PE) para paletização. Até janeiro deste ano, sua atuação se resumia ao PVC, com filmes do tipo skin, esticável (stretch) e termoencolhível. “Viemos aqui para anunciar que estamos neste novo mercado”, afirma a assistente comercial Tatiana Goldmacher. Ela se refere à nova unidade para filmes de PE, instalada em Goiás. Na área em que é tradicional, o destaque ficou por conta do flexpacking, um filme de PVC termoencolhível de espessura de 12 micras. O produto conta com sistema anti-fog, ou seja, não embaça, se exposto a baixas temperaturas.

A Milliken, por sua vez, focou sua participação na promoção da versatilidade do polipropileno (PP). Trouxe para o estande várias amostras de injeção, sopro convencional, injeção-estiramento-sopro e termoformagem.
 
 Algumas peças ainda não são comerciais e sim protótipos, mas nem por isso deixaram de despertar a curiosidade do público. Esse é o caso de um frasco capaz de comportar dois tipos de produtos, ao mesmo tempo, sem misturá-los.
No âmbito da decoração, exibiu peças com acabamentos sofisticados – com purpurina e relevo diferenciado. Potes de termoformagem com fechamento de rosca e dotado de efeito sanfona também impressionaram, assim como frascos para produtos em pó e amostras com temas infantis. Um destaque ficou por conta de pote de PP para embalar frutas em calda. Neste caso, o apelo da transparência da resina era utilizado para rivalizar o plástico com a lata. “O interesse da Milliken é estimular o uso do PP transparente”, comenta a gerente de aditivos poliméricos para o Brasil, Claudia Kaari Sevo.
As embalagens transparentes resultam da ação do agente clarificante Millad 3988. A linha Cleartint também esteve presente no estande da Milliken. Desenvolvida em parceria com a Clariant, a novidade consiste em corantes poliméricos que usam como veículo uma resina copolimérica de PP randônico. “O aditivo colore o PP transparente”, explica Claudia.
Peças em PP abusaram da transparência

 
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