A demanda européia de embalagens stand-up pouches deve alcançar 18 bilhões de unidades até 2008, contra 10 bilhões de 2004, segundo a revista Plastics in Packaging, do Reino Unido. Num mercado onde tecnologia é a palavra-chave, as principais tendências se voltam para o desenvolvimento de embalagens capazes de aumentar o tempo de prateleira do produto envasado, além de reduzir o impacto ambiental e os custos logísticos (armazenagem, transporte e distribuição).

Isso justifica o excelente potencial dos flexíveis multicamadas com função de reforço ou barreira e para o uso de resinas recicladas. Para não perderem o trem tecnológico, os fabricantes de extrusoras investem no aprimoramento desses conceitos em parceria com os produtores de resinas.
Novos materiais e processos ampliam as possibilidades estruturais dos filmes e criam demandas. A biorientação do PP (BOPP) é um bom exemplo disso. O consumo desse plástico está entre os que mais cresce. “Cada vez mais os filmes co-extrusados estão avançando em todos os segmentos, seja em stretch, termocontrátil, filmes de empacotamento automático de três camadas e para alimentos com alta barreira, de cinco a sete camadas”, diz o gerente de exportações da América Latina da Rulli, Oscar Rocha Martinez.

Outra tendência são as embalagens ativas, capazes de interagir com os produtos acondicionados, dotadas de seqüestradores de oxigênio na tampa, em sachês ou no próprio filme, e as embalagens com atmosfera modificada (MAP), consagradas na Europa. Estima-se que até 2009, o filme MAP domine 80% do mercado europeu, com crescimento médio de 8% ao ano.

Segundo os especialistas, os filmes técnicos tendem a ganhar mais mercado no Brasil, com as embalagens indo além das funções de proteção, transporte e identificação do conteúdo. “Trata-se de uma poderosa ferramenta de marketing que deveria ser avaliada como investimento e não custo”, diz o gerente comercial da Carnevalli, Fernando Machado de Paula Eduardo.

Na avaliação de Eduardo, o Brasil apresenta forte tendência para a co-extrusão de três camadas. Nos demais nichos, a migração é mais lenta, porém já se observa maior procura de extrusoras de cinco ou mais camadas, em especial para a fabricação de filmes barreira para a indústria alimentícia, entre outras.

Abaixo do esperado – As vendas de extrusoras refletem parcialmente as perspectivas positivas do setor de embalagens. O mercado tem grande potencial de crescimento, em especial na substituição de máquinas obsoletas, porém cresce abaixo do esperado.

Na avaliação de Eduardo, em 2006 o mercado interno deverá superar os índices do ano passado, mas ficará aquém das previsões iniciais. O mesmo ocorre com as exportações, prejudicadas pelo câmbio. A Carnevalli exporta entre 30% e 40% da produção. “Em 2005, o volume ficou em torno disso”, afirma.

Para manter o índice, a empresa desenvolveu novos mercados. “O foco sempre foi a América Latina, com vendas ocasionais para outros países.” Em 2006, no entanto, reforçou a atuação na Europa e Ásia. Nos últimos oito meses, participou de oito feiras internacionais e ampliou o quadro de representantes.

De acordo com Eduardo, o câmbio não é o principal entrave. “Começamos a construir gradativamente a imagem do Brasil como fabricante de produtos com tecnologia de ponta. O País ainda não tem essa tradição. É um trabalho feito no corpo a corpo, mas que já rende bons resultados. Desfeita a desconfiança inicial, o problema acaba.”

A Rulli exporta aproximadamente 30% da produção para a Europa, Ásia, América Latina, Estados Unidos e Canadá. De acordo com Martinez, tanto o câmbio quanto as linhas de crédito têm sido pouco interessantes para o fabricante nacional. Ele não arrisca projeções para 2006, principalmente porque o segundo semestre tradicionalmente é mais aquecido. “As perspectivas são sempre de superação em relação ao período anterior. Nossa meta é crescer 20% ao ano.”

Segundo o gerente da Rulli, a empresa investe constantemente na modernização de suas linhas.

 Dentre as principais características das máquinas, cita o cabeçote com reologia especial, bem como roscas específicas para cada resina (PE, adesivos, barreiras etc.). “Nossos maquinários de usinagem de alta precisão garantem a perfeita distribuição das camadas, bem como a já conhecida qualidade de plastificação das roscas.”
Martinez revela meta de crescimento de 20% no ano

 
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