BORRACHASetor enfrenta queda
Negócios das commodities
Texto de Rose de Moraes e fotos de Cuca Jorge
As baixas demandas no mercado
interno, em especial de SBR (borrachas de estireno e butadieno) e BR
(borrachas de polibutadieno), e políticas fiscais de recolhimento de ICMS
na compra de matérias-primas para produtos de exportação, sem retorno
em crédito, foram as grandes vilãs do setor de borrachas sintéticas em
2005. O desaquecimento no consumo se manifestou principalmente nos
segmentos de borrachas básicas para pneus, bandas de recauchutagem e calçados.
As exceções ficaram por conta dos negócios efetivados nos segmentos dos
látices e nas vendas crescentes de produtos para modificar asfalto, tendo
em vista a reconstrução de estradas no País afora.
Com base em estimativas, a produção nacional de
borrachas deverá alcançar 390 mil toneladas em 2005. Se confirmado esse
número, a queda será de 8% em relação a 2004. A demanda, porém,
considerando o fechamento do ano em 380 mil toneladas, indicará queda de
12% em 2005 na comparação com o ano anterior. As importações no ano
passado cresceram 11% e as exportações tiveram bom desempenho no mesmo
período, apresentando crescimento de 22%.
Na avaliação de Wanderlei Passarela, diretor comercial
da Petroflex, as condições conjunturais estão completamente desfavoráveis
a qualquer tipo de investimento no Brasil. Na tentativa de reverter esse
quadro, os produtores traçam novas estratégias e contemplam maiores
investimentos para a produção de borrachas especiais e de alto
desempenho. Látices
abrem caminhos – As vendas totais de elastômeros da
Petroflex alcançaram 322,2 mil toneladas no ano passado. O volume foi
11,4% inferior ao de 2004, quando 363,5 mil toneladas foram
comercializadas. As vendas para o mercado interno sofreram redução de
21%, mas os níveis de faturamento foram de certa forma compensados pela
evolução das exportações. A situação só não ficou mais
comprometida em virtude do desempenho de borrachas especiais, como nitrílicas
e látices sintéticos de SBR, cujas unidades de produção operaram à
plena carga. Nos cálculos da Petroflex, exatas 203,8 mil toneladas saíram
das suas unidades para abastecer o mercado interno em 2005, contra as 258
mil toneladas de 2004. Houve, portanto, queda nas vendas internas de 21%,
afetando principalmente produtos considerados básicos, como as borrachas
de SBR em emulsão a frio. O mercado externo, no entanto, absorveu 118,4 mil
toneladas de borrachas da Petroflex em 2005. Em 2004, o consumo externo
foi de 105,5% mil toneladas. Ou seja, o crescimento foi de 12,2% nas
vendas para o exterior. Por isso, a maior produtora de elastômeros da América
Latina, posicionada entre os cinco maiores fabricantes de borrachas para
pneus do mundo, em especial pela oferta de SBR, BR e SSBR, agiliza no
momento vários planos de ampliação de capacidade. A de SSBR passará de
18 mil toneladas/ano para 23 mil toneladas/ano. As TR passarão de 10 mil
toneladas/ano para 15 mil toneladas/ano. Os látices sintéticos terão
produção dobrada. Das pouco mais de 10 mil toneladas anuais, a ordem
neste ano é produzir 20 mil toneladas, com cerca de 90% desse volume
destinado às exportações. |
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