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Segundo ele, os fornecedores para componentes da construção
civil e fabricantes de material escolar conseguiram crescer no primeiro
trimestre. O segmento de autopeças, no entanto, segue em compasso
de espera em razão da queda nas exportações de ônibus
e da crise no agronegócio. O mesmo ocorre com os fornecedores de
peças e componentes da indústria de móveis, que enfrentam
grave crise decorrente da baixa demanda interna e da diminuição
expressiva das encomendas para o mercado exterior. Na opinião do presidente do Simplás, as empresas passam
por um processo de transição muito difícil neste
momento, pois a defasagem do dólar frente à moeda brasileira
já não é mais um fenômeno passageiro. Com isso,
se torna necessário um novo planejamento de custos de produção
e de diminuição das margens de lucro para adaptar o setor
ao contexto de uma moeda nacional forte. Uma das alternativas encontradas
é a importação de resinas. O Simplás registra, desde o ano passado, grandes quantidades de
ABS e PVC desembarcadas em Caxias do Sul provenientes da China. As resinas
são consideradas de boa qualidade e a preços sem concorrência
no mercado nacional. Na visão do sindicato, a importação
deve permitir à terceira geração local mais fôlego
na retomada das exportações a médio prazo, com a
diminuição do preço final dos produtos manufaturados.
“Já estamos oferecendo preços competitivos, do contrário
não teríamos sobrevivido a essa crise”, assinala Marin.
Outro aspecto com impacto negativo para os transformadores foi o fim
do subsídio da energia elétrica industrial e os três
reajustes consecutivos. A tarifa pode impactar de 3 a 7% na formação
do preço final. A energia é hoje 20% mais cara do que a
telefonia e com relação à formação
do preço final só fica atrás da mão-de-obra
com peso de 8%. Antonio Masignan, presidente do Sindicato das Indústrias de Material
Plástico do Vale dos Vinhedos (Simplavi), com sede em Bento Gonçalves,
aponta três áreas de transformação de termoplásticos
predominantes na sua base sindical: injeção de peças
e componentes direcionados ao mercado moveleiro, como puxadores, montantes,
pinos, rodízios, peças decorativas, extrusão de perfis
decorativos e de acabamento, filmes extrudados do tipo plástico
bolha, plástico retrátil e termoencolhível, sopro
para bombonas de produtos químicos, transporte de sucos a granel,
garrafas para vinhos e bebidas. Em Bento Gonçalves, a situação é definida
como muito difícil. A região tem capacidade instalada para
processar duas mil toneladas, mas estagnou em 1,5 mil toneladas ano. O
fato gerador da crise é o setor moveleiro, um dos maiores do mundo,
com capacidade instalada para produzir em larga escala e desenvolvido
para exportar. Mas a defasagem cambial e a demanda interna de bens de
consumo reprimidas colocaram o setor em crise no começo de 2004,
com reflexos negativos na petroquímica, como fornecedora de produtos
e serviços intermediários. Bento Gonçalves registra exceções positivas como
a Uniãopack, especializada em embalagens. A empresa conseguiu abrir
um canal de vendas direto na Inglaterra para onde exporta embalagens de
alimentos humanos e de animais (petfood). Hoje a região de Bento
gera 1,1 mil empregos diretos. “Poderíamos operar à
plena carga e gerar pelo menos mais cem empregos diretos”, lamenta
o presidente do Simplavi. Só a empresa de Masignan, na área
de injeção, emprega 350 trabalhadores e, segundo ele, poderia
ter contratado no mínimo 50 funcionários a mais se a economia
tivesse crescido no ano passado nos moldes de 2004. O engenheiro de plásticos Julio Reschke abriu uma empresa de compostos de polipropileno, aditivos e masterbatches de cores. No ano passado, segundo relatou, os transformadores reclamaram muito. Além disso, a entrada em vigor do supersimples, novo sistema tributário
para desonerar as microempresas, deverá beneficiar a indústria
de plásticos direta e indiretamente, porque permitirá a
diminuição dos preços de produtos no varejo, como
utilidades domésticas, brinquedos e roupas, com efeitos benéficos
na cadeia petroquímica. “Com o dólar em baixa, haverá
uma busca do fortalecimento do consumo no mercado interno; a resina em
alta é um fator que desfavorece os pequenos transformadores sem
capital de giro para importar”, acredita Reschke. |
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