O mercado brasileiro de cargas minerais ainda é dominado por commodities. São produtos com valor de centavos por quilo, utilizados muitas vezes mais para reduzir custos e menos pelas propriedades que podem adicionar a produtos como papel e celulose, plásticos, tintas, borracha, cosméticos e alimentos. Para os fornecedores que estão focados nessa faixa do mercado de baixo valor agregado, os gastos com frete são o principal componente dos custos, uma vez que as jazidas de minérios se espalham pelo País e muitas vezes se localizam em locais ermos, muito distantes dos principais centros consumidores. Esse panorama tem dominado o mercado por muitos anos e reflete, em parte, dois fatos: a baixa capacidade de investimento dos mineradores em modernos processos de extração (pois em muitas jazidas a coleta da matéria-prima é feita com o suor das mãos dos trabalhadores, por catação) e pouca especialização em processamentos pós-lavra, que também poderiam agregar valor, mas demandam pesados investimentos em equipamentos de processo e controle de qualidade. A combinação desses fatores evidencia o desperdício de bons negócios, se considerarmos que o Brasil ostenta jazidas de boa qualidade, a ponto de algumas empresas estrangeiras comprarem minérios por aqui, transformá-los em fábricas modernas no exterior, e revendê-los por preços muito mais atrativos no mercado brasileiro.

De acordo com o estudo “Recursos Minerais Industriais”, realizado em 2002 pelo engenheiro químico e consultor Renato Ciminelli, para o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) do Ministério da Ciência e Tecnologia, a cultura das mineradoras brasileiras ainda é extrativista, conservadora e direcionada para a comercialização de commodities. Por conta disso, o consultor estima que o atraso tecnológico entre a produção nacional de cargas industriais e a do mercado norte-americano poderia chegar a vinte anos em alguns casos. A situação seria reforçada pela insensibilidade do mercado doméstico, preocupado em priorizar preço em detrimento de critérios técnicos e estratégicos de compra, e pela incompetência técnica e comercial dos mineradores para valorizarem seus produtos e aproveitarem oportunidades de mercado.

O estudo indica, entretanto, que essas oportunidades foram represadas e não perdidas, pois o País detém grande número de depósitos de minerais industriais inexplorados, lavrados ou industrializados com pouca agregação de tecnologia. O mercado de cargas, entretanto, não vive apenas de commodities.


Diferenciar é preciso –
Principalmente devido às exigências dos segmentos de plásticos e tintas, há demanda por produtos de maior valor agregado e elevado desempenho técnico.
Nesse caso, de acordo com o estudo de Ciminelli, são importantes tecnologias de processamento mineral eficientes, bem como o aprimoramento do desempenho e a modificação dos produtos por meio de moagem ultrafina, calcinação ou tratamentos superficiais.

 

Cuca Jorge

Camargo: mercado interno só é viável com pé na exportação

 

 
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