quimica e derivados
 

Realizada nos dias 20 a 24 de março, a feira ocupou 13 mil m² de área líquida do prédio La Rural, em Buenos Aires, Argentina, e, na avaliação dos organizadores, se tornou a mostra de maior sucesso entre os eventos do setor de língua espanhola no continente americano. Por isso, a 12ª Argenplás, marcada para os dias 24 a 28 de março de 2008, estará maior; planeja-se ampliar a área da exposição em 30%. Essa mudança, em parte, se deve à estréia da Alcântara Machado à frente da feira. Sob o comando do escritório Ed & Events S.A., a empresa brasileira, em 2004, oficializou a compra de 70% da Argenplás; os 30% restantes ficaram sob a responsabilidade da Câmara Argentina da Indústria Plástica (Caip).

A recuperação argentina também reacendeu expectativas positivas do setor. “A macroeconomia impulsionou o nosso mercado”, comentou a presidente da Ed & Events, Patrícia Lucione. Segundo a imprensa local, a produção industrial já se restabeleceu, desde o auge da crise, em cerca de 50%. O desemprego no país também diminuiu. Em 2001, chegou a atingir 24% da população e hoje representa pouco mais de 10%. Para o presidente da Caip, Héctor Méndez, esse aquecimento da economia atraiu o grande número de expositores e, por conseqüência, de visitantes. “Ninguém vem vender, se não houver ninguém para comprar”, explicou.

A fim de se firmar como a segunda maior feira desse mercado no Cone Sul, atrás da Brasilplast – Feira Internacional da Indústria do Plástico, a Argenplás também intensificou seu caráter comercial, com a promoção de rodadas de negócios. O Programa Proargentina e parceiros organizaram cerca de 400 entrevistas, entre 103 empresas argentinas e 17 européias e oito latino-americanas. E não foram só os argentinos interessados em fazer negócio. A presença de 31 empresas internacionais representou uma das maiores participações estrangeiras da história da feira. Itália e Brasil, nesta ordem, se destacaram: a indústria italiana respondeu por 12% do total e a brasileira, 9%. “Os fabricantes italianos de máquinas têm boa penetração nos países latino-americanos”, justificou Alessandro Veronesi, da Associação Nacional dos Fabricantes de Máquinas e Impressoras de Plástico e Borracha (Assocomaplast). Para ele, o idioma aproxima os dois povos, ao contrário do que ocorre com o alemão e o chinês, por exemplo.

Apesar da América do Sul não representar a principal consumidora da Itália, a relação entre os países é estreita. No ano passado, de toda a exportação italiana de máquinas destinadas para a região sul-americana, Brasil e Argentina ficaram com 2,3% e 1,1% do total, nesta ordem. A participação italiana na feira não foi à toa. Segundo Veronesi, em 2005, as vendas para a Argentina cresceram 65,5%, em relação a 2004.

A indústria brasileira também ratificou o interesse no mercado argentino. País coirmão, o Brasil marcou de verde e amarelo o solo argentino com algumas das mais importantes empresas brasileiras de máquinas, como Rulli Standard, Carnevalli e Maqplás, além de Acmack, Pallmann, Feva, Piovan e Romi. Essas participações contaram com o apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) também esteve na Argenplás. O objetivo era divulgar os produtos dos associados no mercado internacional, sobretudo no Mercosul. “Queremos mostrar que a embalagem plástica flexível brasileira é altamente competitiva em termos de qualidade e de preço”, afirmou o presidente da Abief, Rogério Mani.

Máquinas – Enquanto alguns expositores estrangeiros possuem o idioma ou a distância como barreira, a indústria brasileira de bens de capital, como a Carnevalli, tem um inimigo mais poderoso: o dólar. “Com a moeda beirando dois reais não dá para ser muito competitivo”, argumentou o diretor comercial Waldemir Carnevalli. A co-extrusora de sete camadas Polaris, exposta na feira, é similar à apresentada, há dois anos, na K, em Düsseldorf - Alemanha. No entanto, existe uma diferença entre os dois modelos: o preço. Hoje, por causa do câmbio, a máquina está mais cara, se comparada à época da exposição alemã.

Mas nem por isso a Polaris deixou de ser uma das principais atrações do evento. Destinada à produção de filmes com barreiras de poliamidas, como náilon e EVO-H, de até 1.400 mm de largura, a co-extrusora possui anel de refrigeração com IBC eletrônico, arraste reversível horizontal, alinhador eletrônico do filme e bobinadeira automática de duas estações (back to back), entre outros.

 

Méndes e Patricia: Argenplás 2008 será maior

A tríade impostos altos, juros elevados e dólar baixo inibe perspectivas otimistas de Carnevalli. “Estou meio assustado”, desabafou. Se antes, a concorrência no mercado argentino se dava sobretudo com a indústria brasileira, hoje os fabricantes italianos também ameaçam. Situação semelhante é vivida pela Rulli Standard. No Mercosul, o fabricante está com dificuldades para vender, em parte, por conta da forte atuação dos italianos. “Neste momento, a Itália está passando em cima da gente”, comentou o gerente de exportações da Rulli Standard, Oscar Rocha. Mesmo assim, a Argentina representa um mercado importante. Em 2005, de toda a exportação, o fabricante destinou ao país 20%. Por tradição, esse índice é de 40% a 50%. Para este ano, a situação deve ficar ainda mais difícil. “As condições não são as ideais para vendermos por aqui [Argentina]”, afirmou. Segundo Rocha, o país está em pleno crescimento, mas a Itália tem sido a principal beneficiária e não o Brasil.
 

 
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