Ráfia

Teares da Topack, produtora verticalizada

Setor busca fôlego nas exportações

Transformador quer escoar sacarias no exterior para fugir da baixa demanda do mercado brasileiro

Texto de Rose de Moraes e fotos de Cuca Jorge

Sexto maior produtor mundial de sacarias de ráfia de polipropileno (PP), o Brasil prepara terreno para competir lá fora em pé de igualdade tecnológica e, se possível com diferenciais de custo, com o intuito de dar vazão aos remanescentes gerados por uma oferta superior às demandas internas, principalmente do agronegócio, enfraquecidas no ano passado em setores importantes, como de fertilizantes e de açúcar. No início de 2005, os produtores, confiantes no desempenho positivo do mercado interno, que consumiu mais de 1 bilhão de sacas de ráfia em 2004, estimavam crescer acima de 10% no fechamento do ano, mas foram frustrados pela quebra de safra em várias lavouras, amargando queda de 11% em toneladas e de 15% na comercialização de sacarias, comparativamente a 2004.

Só em sacas para as indústrias de fertilizantes, responsáveis pelo consumo de 241 milhões de unidades em 2003, e 229 milhões de unidades em 2004, 2005 encolheu 21,7% em relação a 2004, registrando consumo de 179,9 milhões de sacas, segundo estudo encomendado pela Afipol - Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas, entidade que congrega 43 produtores e convertedores, dos quais 23 focados na fabricação de sacarias.
Nas vendas de sacas para embalar açúcar, a demanda também recuou 20%, passando de 186 milhões de unidades em 2004 para 149 milhões de unidades em 2005. No ensacamento de farinhas, o impacto foi menor, mas também caiu 1,8%, de 142 milhões de unidades em 2004, para 139 milhões em 2005.

Até mercados de menor consumo, mas com grande potencial de crescimento, não conseguiram fugir à regra de fraco desempenho, como sacarias para rações animais, com retração de 13,4%; para sementes (-28,4%); sal (-28%) e sal mineral (-15,3%). O crescimento apenas foi positivo nas sacarias para farelos (5,2%) e grãos (37,7%).

As exportações em 2005 também não cresceram na proporção desejada pelo setor. Em volumes, as vendas externas de sacas e telas de ráfia levaram 3.340 toneladas, 11,9% a mais em comparação com 2004. Em sacas, os produtores exportaram 2.148 toneladas (+ 3,8%) e em telas, 1.192 toneladas (+30,3%), mas os resultados finais ainda guardaram grande distância dos níveis alcançados em 2000, quando o Brasil chegou a exportar 5.594 toneladas de sacas e telas.

 

 
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