INJETORAS

Importadas de ponta desbancam as melhores da indústria local

A defasagem tecnológica caiu, mas a injetora brasileira ainda não acompanha tops do mundo

Texto de Maria Aparecida de Sino Reto e fotos de Cuca Jorge

Conseqüência da globalização, o mercado brasileiro de injeção hoje se concentra nas mãos de poucos fabricantes genuinamente nacionais, alguns competidores globais com fábrica instalada no País, e muitos atuantes estrangeiros com escritórios locais de vendas. Após longo período de hibernação no campo tecnológico, acomodada e amparada pelos excessos de proteção contra importações, a indústria brasileira de injetoras sucumbiu às pressões da abertura e à competição mundial e encolheu, mas extraiu da lição o melhor: investiu em inovações tecnológicas e hoje colhe os bons frutos, como atestam as vozes imparciais dos usuários.

Com a palavra os transformadores: "A tecnologia nacional está muito avançada nos recursos: o modo como se consegue regular as máquinas, seus sistemas de fechamento, hidráulicos e de lubrificação as deixam muito precisas", depõe a favor James Nascimento Groschi, gerente geral da Primo Industrial Termoplásticos, de São Paulo. "Graças à globalização, os processos se diversificaram muito e a máquina nacional foi forçada a acompanhar essa evolução para sobreviver", diz.

Com capacidade instalada para transformar cerca de 45 toneladas mensais, a Primo conta com um total de 16 injetoras em operação e ainda dispõe de outras três em reforma. Desse total, seis são nacionais, todas marca Oriente, e o restante, importadas, algumas chinesas. Sobre o número de máquinas asiáticas, o gerente prefere manter sigilo.

Rigoroso, o gerente industrial da Plásticos Mueller, de São Paulo, Sidney Gozzani, classifica o melhor fabricante nacional, na opinião dele, a Romi, pelo nível intermediário, pesada na mesma balança da Sandretto e da Husky. "Em primeiro nível eu classifico fabricantes que inventam a tecnologia, surgem com inovações que fazem o diferencial, e o resultado de desempenho e a durabilidade das máquinas são comprovadamente superiores ao restante", justifica.

De opinião semelhante, Ricardo Torres Serrano Lopez, diretor da Brasmolde, de Jundiaí-SP, avalia que a tecnologia das máquinas nacionais evoluiu muito nos últimos dez anos, porém ainda não alcança patamar tecnológico similar ao das consideradas top de linha, de origens americana, européia e japonesa, tais como Arburg, Milacron e Toshiba. Sob seu ponto de vista, as principais deficiências atuais das injetoras nacionais são menor precisão e repetibilidade, aspectos muito relevantes na fabricação de peças de alta tecnologia incorporada. Também o uso de componentes de baixo custo, qualidade e confiabilidade inferior na construção das máquinas somam pontos negativos às injetoras nacionais, pois gera maior índice de manutenção, diz Lopez. "Se melhorados esses itens, ajudaria bastante."

Especializada na injeção de peças plásticas para terceiros, a Brasmolde soma em seu parque industrial cerca de 30 máquinas, elétricas, híbridas e hidráulicas, desde 60 toneladas até 1.100 toneladas de força de fechamento, cerca de metade importada, algumas das quais asiáticas.
Responsável pela confecção de produtos mais simples, portanto de menos precisão técnica, Otávio Câmara Dassie, encarregado da engenharia de operações industriais da Astra, de Jundiaí-SP, considera que as máquinas nacionais suprem bem suas necessidades e se equiparam às estrangeiras. "Depois da abertura de mercado, as diferenças tecnológicas caíram muito."

 

 
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