PERSPECTIVAS 2006

SIRESP

Mercado das resinas prevê crescimento

Apesar do grande esforço do setor plástico no ano de 2005, os resultados não atingiram a expectativa projetada.

A crise política, que inibiu os investimentos estrangeiros, os juros altos, a carga tributária excessiva, o real valorizado, o encarecimento do petróleo e a carência de investimentos em infra-estrutura foram os principais responsáveis por 2005 não ter sido o primeiro ano do chamado ciclo de ouro da petroquímica.

Cuca Jorge

Por josé Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas

Devido a esses fatores e ao desaquecimento do mercado interno, as empresas encontraram, como única solução, as exportações. O volume de resinas exportadas foi da ordem de 886,4 mil toneladas. Esta marca superou em 16,1% o mesmo período em 2004, quando o montante chegou a 763,2 mil toneladas.

Porém mesmo com o baixo desenvolvimento da economia brasileira, houve crescimento de 2% na produção, cerca de 4.150 milhões de toneladas. O consumo aparente cresceu 1,6% a mais que em 2004, passando de 3.780 milhões de toneladas para 3.793,8 milhões em 2005.
Aumentou o consumo de termoplásticos em vários países da América do Sul. Houve crescimento da demanda acima do crescimento da capacidade instalada. Nos Estados Unidos, os fenômenos climáticos prejudicaram 25% da produção de petroquímicos daquele país nos meses mais críticos. Dessa forma, os estoques americanos caíram muito.

O país, que é tradicionalmente exportador passou a importar, o que foi positivo para os produtores brasileiros. Fora isso, os outros grandes importadores do mundo ampliaram sua economia e absorveram parte de nossa produção.

O ano de 2005 foi marcado, também, por investimentos no aumento da produção brasileira de resinas e por fortes movimentos para a reestruturação do setor. Entre os investimentos, destacamos a inauguração da Riopol, o anúncio da construção de uma nova planta de polipropileno em Paulínia-SP, parceria entre Braskem e Petrobrás, o projeto de uma nova fábrica de polietileno (PE) pela Unipar, a parceria da Petrobrás e M&G para a construção de um novo pólo de produção de PET e a ampliação da Petroquímica União.

No campo da reestruturação do setor, houve a consolidação do projeto Braskem, o reposicionamento da Petrobrás na área petroquímica e a compra da participação da Basell na Polibrasil pela Suzano Petroquímica, tornando-se uma empresa operacional, e implementando projeto de ampliação da capacidade de polipropileno.

Sendo 2006 um ano eleitoral, tradicionalmente é caracterizado pelo aumento dos investimentos públicos, e existem condições para a queda de juros e menor pressão inflacionária. Outro motivo que me leva a crer que o ano será bom para o segmento é que a atividade econômica mundial segue em alta, confirmando indicadores anunciados.

Também esperamos crescimento maior de 3,5% do PIB brasileiro para o ano, o que vai levar a um crescimento de 6% a 10% na demanda por resinas. Além disso, o preço do petróleo subiu muito no ano passado e, por conta disso, as empresas petrolíferas aumentaram seus investimentos em exploração e produção.

Tudo isso é muito positivo tanto para o mercado nacional como para o internacional. Também acredito que 2006 seja o ano da consolidação de novas tecnologias, como por exemplo, a nanotecnologia, que vai revolucionar uma gama enorme de produtos e novas aplicações. Esperamos que até 2010, essa nova ciência seja uma das principais responsáveis pelo crescimento e inovação do setor.

Na economia mundial, outros países considerados emergentes, como Índia, China, Rússia e Coréia do Sul, conseguiram desenvolver seus mercados e continuarão na sua forte trajetória de evolução, puxando a média do crescimento econômico mundial. Assim como essas nações tiveram sucesso, o Brasil também tem tudo para crescer se adotar uma estratégia voltada para o desenvolvimento, com forte rigor no controle dos gastos públicos. Trabalharemos para isso.

Com essas expectativas, podemos esperar que em 2006 a economia esteja mais favorável para o crescimento da indústria petroquímica e do plástico. Tenho certeza que 2006 será um dos melhores anos desta década.

 
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