PERSPECTIVAS 2006

ABIPLAST

Setor só crescerá com
mudanças na economia

Apesar de algumas empresas terem tido um bom desempenho no primeiro semestre de 2005, o setor de transformação do plástico viveu, no ano passado, momentos de grandes dificuldades, pois tudo o que poderia acontecer de ruim, aconteceu.

Cuca Jorge

Por Merheg Cachum, presidente da Asociação Brasileira da Indústria do Plástico

Juros altos, o dólar caindo e quase inviabilizando as exportações, e uma carga tributária realmente incompatível com qualquer realidade no mundo. Isso sem falar nos problemas de ordem política que, quer queira ou não, acabaram freando o crescimento e o desenvolvimento do setor.

Diante desse quadro, muitas empresas que estavam pensando em investir tiveram de colocar o pé no freio, aguardando pelo desfecho de toda a confusão criada pelos políticos, e continuam até hoje em compasso de espera.

É bem verdade que tivemos, no ano passado, a inauguração da Rio Polímeros, fato extremamente importante para a indústria de transformação do plástico, uma vez que veio aumentar a oferta de resinas no Brasil. Houve também o aumento da capacidade de produção da Braskem e da Petroquímica Suzano, igualmente interessante aos transformadores.
Entretanto, gostaríamos mesmo era de ter vivenciado um Brasil forte, em que tivéssemos vendido mais, maior faturamento e melhor rentabilidade, ao contrário do quadro de grande dificuldade vivido pela maioria das empresas.

O que esperamos para este novo ano é que o quadro de juros elevados apresente reversão significativa, apontando para taxas condizentes com as praticadas em países de primeiro mundo. Sem essa reversão será realmente impossível retomarmos os níveis de crescimento que o País tanto necessita. Temos de ter taxas de juros que permitam ao País crescer em níveis anuais da ordem de 5%, lembrando que, mesmo assim, ainda estaremos distantes dos patamares alcançados pelos países asiáticos, que conseguem crescimentos da ordem de 9% a 10% ao ano. Mas seria um considerável avanço.

Sem uma significativa redução dos juros, sem sombra de dúvida, o câmbio continuará despencando, pois o dólar que entra é de caráter especulativo, e sai do País com muita velocidade. Não se trata de um recurso saudável, que vem na forma de investimento para montagem de uma fábrica. É um movimento financeiro, bom para quem busca um lugar atrativo para melhorar os seus ganhos financeiros. Bom para o especulador internacional.

Para as indústrias de forma geral é muito ruim, pois com o dólar despencando da forma como tem ocorrido, as exportações se tornam cada vez mais difíceis, apesar do enorme esforço feito pelo setor empresarial de maneira geral e do nosso em particular, por meio do Export Plastic. O programa envolve toda a cadeia produtiva, desde a primeira geração (as petroquímicas) até nós, os transformadores. Nesse sentido, esperamos que o quadro deste ano seja o oposto ao do ano passado. Até pelo fato de ser um ano eleitoral, é de se esperar que traga uma outra expectativa.

É provável que o governo se empenhe mais no sentido de ativar a economia por meio de grandes inaugurações e grandes obras, de maneira a propiciar um ano bom para a indústria. Até porque, deixar que seja um ano ruim, politicamente falando, é um suicídio para o atual governo.
Então, esperamos que 2006 realmente seja um ano em que todos possam recuperar as perdas passadas e trabalhar com estabilidade, tranqüilidade, e segurança, sem que precisemos ficar nos preocupando com um “tsunami” que pode chegar dali a um mês ou dois e devorar as nossas empresas.

Vale destacar, porém, que será necessária uma ampla reforma tributária, que reclamamos há décadas, e que começamos a ver sinais dela nas medidas voltadas para os ajustes no Simples, que beneficiaram pequenas empresas. É necessário que os ajustes feitos no Simples ocorram num contexto mais geral e envolvam toda a indústria de transformação.


 
  <<< Anterior
Próxima >>>