Notícias

    PETROFLEX ELEVA OFERTA
    DE BORRACHAS ESPECIAIS


C
umpridas e supera­das as metas de sua segunda onda de internacionalização, a Petroflex, maior produtora de elas­tômeros da América Latina, lança a terceira fase do processo deflagrado para alavancar o valor de mercado da companhia. Após abrir escritórios no exterior e acelerar exportações, a petroquímica brasileira quer parcerias tecnológicas internacionais, pretende consolidar custos com uma logística mais racional, e pode ter a primeira fábrica fora do País em alguns anos.

O plano estratégico traçado em 2003, com metas a serem alcançadas até 2007, pretendia elevar o valor de mercado da companhia para US$ 300 milhões, atingir rentabilidade de até 23% para o capital investido, e aumentar a utilização da capacidade instalada, então ao redor de 74%, para cerca de 95%, além de ampliar a fatia de produtos de alto desempenho e especiais, com maior valor agregado, nas vendas.

Dona de uma posição segura nas famílias de produtos básicos no mercado interno (onde a participação da empresa oscila entre 70% e 80%), a Petroflex precisou se lançar com maior entusiasmo ao mercado exterior, uma vez que o País oferece poucas oportunidades lucrativas para negócios com os produtos de maior valor. As primeiras exportações de borracha sintética aconteceram em 1978, ainda sob direção estatal, mas foi apenas em 2002, com o lançamento da segunda onda de internacionalização e o estabelecimento do primeiro escritório no exterior (em Roterdã, na Holanda), que a companhia abandonou a postura de mera comercializadora de excedentes exportáveis para se tornar uma competidora com operações no mercado externo. Ao escritório holandês somaram-se outro em Hong Kong, na China, uma filial em Wilmington, nos Estados Unidos e quatro bases de estocagem (Palmira, na Colômbia; Valência, na Venezuela; Tuscaloosa, nos EUA, e Livorno, na Itália).

A presença física no exterior, segundo o diretor comercial da Petroflex Wanderlei Passarella, trouxe profundo entendimento dos novos mercados onde a empresa passou a atuar, e esse conhecimento resultou em mudanças na sua operação. A partir de 2003, a Petroflex passou a ter foco tríplice, com nova segmentação das linhas de produtos (foram inseridos adesivos, selantes, alimentos, modificação de plásticos e de asfaltos), a criação de quatro regiões geográficas (Cone Sul, América do Norte, Ásia e Europa), e a ênfase no marketing das linhas de produtos.

Entre as conseqüências da segunda onda, que se estende até o final de 2005, Passarella destacou a racionalização do processo de precificação dos produtos, que eliminou sobrepreços e “gorduras”, e a remodelagem dos canais de comercialização, priorizando as vendas diretas e o aumento dos estoques locais.

ELASTÔMEROS E  OS AUTOMÓVEIS

Fonte: petroflex

O retorno por dólar investido passou de US$ 0,1 em 2003, para US$ 9,09 em 2005, amparado pela velocidade inesperada com que alguns novos produtos penetraram no mercado, como os copolímeros de butadieno e estireno utilizados em base para goma de mascar, e pelo bom humor do mercado entre o fim de 2004 e o começo de 2005.
Também contribuíram as reduções de custos com vendas comissionadas, os novos negócios abertos pela inteligência comercial e a logística mais eficiente.

O percentual de vendas diretas, de apenas 5% no início da segunda onda exportadora, será superior a 30% em 2006, podendo atingir os 40%.

 Na Europa, a fatia do faturamento com produtos de alto desempenho e especiais pulou de 32% para 78% em 2005, e as vendas externas serão responsáveis por 36% do faturamento da empresa em 2005 – em 2002, a fração era de 22%. A meta final é chegar próximo a 50%, revela o diretor comercial da Petroflex.

Cuca Jorge

Passarella: meta é parceira tecnólogica internacional

Nova onda – Concluída a segunda onda de internacionalização, a Petroflex se volta para uma nova etapa, em que o desenvolvimento tecnológico em parceria e a logística serão as chaves para a consolidação de reduções de custos.
“Não é possível agregar valor aos produtos e desenvolver diversas linhas de produtos sem investimento constante em P&D e tecnologia. Mas esse desenvolvimento começa a se esgotar no Brasil, pois a inteligência comercial passa a esbarrar nos limites de uma visão nacional de tecnologia”, explica Passarella. Por isso, uma grande meta da terceira etapa de internacionalização é o desenvolvimento de tecnologia no exterior, culminando com a criação de uma rede de conhecimento tecnológico.

A empresa intensifica a contratação de pessoal estrangeiro para atuação em assistência técnica e desenvolvimento, e pretende criar estrutura de serviços técnicos nos escritórios dalém-mar para atendimento mais rápido aos clientes e desenvolvimento de novas aplicações. O modelo de parcerias tecnológicas, estabelecido com instituições de ensino e pesquisa nacionais, deverá ser reaplicado nas regiões internacionais de atuação. Os futuros contratados no exterior também serão encarregados da busca pelos potenciais parceiros e o desenvolvimento de novos produtos utilizando plataformas tecnológicas de excelência. “O desenvolvimento de tecnologia pode ser limitado pelas características do mercado. Se quisermos desenvolver um produto para a área eletrônica, a região adequada para buscar parcerias é o Vale do Silício, pois é onde a plataforma tecnológica eletrônica está estabelecida. O objetivo é explorar o conhecimento de plataformas com pessoal local, que possa fazer essa integração tecnológica com a Petroflex”, esclareceu Passarella.
A área de logística também receberá atenção especial. O mix de canais de vendas será adequado a cada país e, além dos estoques locais, a direção da empresa pensa em construir centros de distribuição. Os estudos apontam Singapura, Índia, China, Alemanha, Costa Leste dos EUA e Canadá como possíveis destinos para o investimento, que pode não se limitar a CDs.

A Petroflex estuda uma provável quarta onda em que a primeira unidade produtiva fora de solo brasileiro poderia ser construída. A petroquímica brasileira possui alguns produtos patenteados no exterior, e em cerca de três anos poderia optar por produzir alguns elastômeros de maior valor agregado no Leste Europeu (que produz vários dos produtos finais consumidos na Europa rica) ou na Ásia (devido à ânsia chinesa por crescimento).

Entre esses produtos mais sofisticados com grande consumo no exterior figura o polibutadieno líquido hidroxilado (PBLH), usado em selantes do tipo double glazing (de duplo envidraçamento) para unir vidros, muito utilizado na Europa em construção civil, mas também em automóveis e na formulação de combustíveis para foguetes. Borrachas nitrílicas e látices são os produtos mais importantes no rol dos especiais. As primeiras encontram fiéis usuários nos produtores de autopeças e os látices possuem vasto campo de aplicação, incluindo base para tecidos emborrachados, indústria de carpetes, selantes de autopeças e modificação de asfaltos.

Márcio Azevedo

 

 
  <<< Anterior
Próxima >>>