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O pesar fica por conta da fonte alimentadora do portentoso índice nacional,
um batalhão de mais de 500 mil catadores informais que recolhem
os resíduos e os revendem.
Contingente de sem-tetos e desempregados que encontram o sustento no
material retirado dos lixos e encaminhado para a revalorização.
Na omissão do poder público e conseqüente falta de
sistema eficiente de coleta seletiva (a prática atinge menos de
10% dos municípios brasileiros), capaz de gerar volume suficiente
e de qualidade adequada, a reciclagem de plásticos é subsidiada
pela pobreza.
Mesmo com todos os senões, a revalorização
dos plásticos continua crescente, acredita Silvia Piedrahita
Rolim, assessora técnica do Instituto Sócio-Ambiental
dos Plásticos – Plastivida. Segundo ela, a participação
dos resíduos orgânicos na composição dos
resíduos sólidos urbanos funciona como termômetro.
Hoje o plástico representa em torno de 15% a 20% da composição
do lixo urbano. “Tem aumentado, mas não porque as pessoas
estão jogando mais resíduos orgânicos e sim porque
a participação da parcela de materiais recicláveis
nos resíduos sólidos urbanos tem diminuído bastante,
de todos os materiais é claro, incluindo o plástico”,
pondera.
Na visão dela, isso significa que menos plásticos vão
para o aterro sanitário, aumentando o volume dos orgânicos.
Também a procura por quem compra, quem vende e quem recicla plásticos
continua grande. “Eu diria que é um balanço positivo,
um sinalizador que o mercado de reciclagem, no mínimo, se manteve.”
Na ocasião da pesquisa empreendida pela Plastivida/IBGE, em 2003,
o mercado englobava em torno de 500 empresas recicladoras e totalizava
produção de 780 mil toneladas anuais, para capacidade instalada
da ordem de 1,06 milhão de toneladas/ano.
Com um pouco de esforço para expandir a coleta seletiva e ocupar
essa capacidade ociosa, o Brasil poderia assumir o posto de líder
mundial em reciclagem de plásticos, e com menos pesar.
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