Composto de PVC com até 40% de madeira reveste paredes

Demanda fraca perdura e aflige petroquímicas e composteiros

Elo estreito com os mercados de habitação e saneamento, carentes de recursos, freia a indústria de PVC

Márcio Azevedo

Não é de agora que o crescimento do consumo de PVC sofre com a falta de investimentos governamentais em saneamento básico e construção civil, como também não é recente a influência prejudicial de altas taxas de juros, condições precárias de crédito e baixo poder de compra da população brasileira.

Os entraves à abertura das comportas que represam o consumo potencial do plástico são conhecidos há tempo dos produtores, e os cenários desfavoráveis pouco se alteraram nos últimos anos.

O ano de 2005 não foi, de novo, bom para os produtores de PVC e compostos, mas a crença de que o País resolverá seus déficits de saneamento e habitação a longo prazo, e disporá de mais dinheiro para investimentos a curto, acalentam expectativas otimistas para 2006.

Mesmo com tantas dificuldades, a indústria nacional aposta em inovação para criar aplicações e elevar vendas em um cenário vacilante.

No setor de compostos, um dos grandes problemas é o excesso de capacidade instalada. Só a Karina, uma das composteiras do País, possui capacidade para fabricar cerca de 180 mil t/ano, para um mercado que não excedeu 220 mil t/ano em 2005.

A situação acarreta competição feroz em um mercado com grande interação com produtores internacionais e vulnerável pelas taxas de câmbio em voga no País.

“O real apreciado torna o mercado interno propício aos composteiros da Argentina, que exercem grande pressão sobre os produtores locais”, diz o gerente de vendas da Karina, Edson Penido.

A competição chega a ser desigual, pois o composto hermano entra no Brasil sem tarifação, o que não ocorre na mão inversa e as condições de importação da resina na Argentina favorecem ainda mais a comercialização de produtos no Brasil. Pelas contas – ainda não fechadas – de Penido, as importações de compostos de PVC rondaram entre 6% e 7% em 2005, e se concentraram no Sul do País, onde há segmentos de perfis e calçados atrativos.

 
  <<< Anterior
Próxima >>>