A companhia também destaca o PET Voridian BD445, polímero desenvolvido para fornecer melhor eficiência na produção da pré-forma e da garrafa. Segundo o fabricante, a resina visa apresentar janela do processo de injeção com ciclos mais rápidos e temperaturas de extrusão mais baixas, o que resulta em significativa redução na geração de acetaldeído, quando comparado às resinas competitivas convencionais. Esse desempenho faz do PET Voridian BD445 uma excelente escolha tanto para água carbonatada quanto sem gás, confirma Pinhel. No Brasil desde 2002 com a aquisição da Rhodia-Ster, a M&G se posiciona como responsável por 60% do mercado de PET. Em 2004, o faturamento líquido atingiu US$ 397 milhões, o equivalente a aumento de 29,3% sobre o ano anterior. No final de 2006, nova planta de PET da M&G deve entrar em operação. Localizada no pólo petroquímico de Pernambuco, a unidade terá capacidade produtiva de 450 mil t/ano. Hoje a companhia fabrica 200 mil t/ano de resina PET e 90 mil t/ano de fibra de poliéster, segundo dados da própria M&G. O grupo também anunciou investimentos em nova unidade de PTA (ácido tereftálico purificado). Com capacidade de 750 mil t/ano, a planta deve abastecer a unidade de PET. Maior produtor de resinas plásticas da América do Sul e oitavo do mundo, o Brasil tem consumo per capita de produtos estimado para este ano de 25 kg/hab/ano. Desse volume, o PET representa 1,6 kg/hab/ano. Em 2004, o consumo nacional da resina chegou a 400 mil toneladas, das quais 360 mil t se destinaram para a produção de garrafas. No ano anterior, esse índice foi de 330 mil t. O primeiro desafio da indústria do PET foi atender ao mercado de
refrigerantes, em substituição ao vidro. Combate vencido, a resina se
apoiou em suas características para entrar em outras batalhas. Nos primórdios,
o PET se voltava, quase com exclusividade, às aplicações têxteis. A
primeira amostra Porém a produção em larga escala do poliéster começou só nos anos 50, em laboratórios dos EUA e Europa. Até chegar ao setor de embalagens foram alguns anos. A indústria de embalagens só se rendeu a esse polímero na década de 70. No mercado brasileiro, demorou um pouco mais: o PET passou a ser utilizado no País em 1988, também na área têxtil. Em 1993, época em que a Rhodia-Ster (hoje M&G) comprou a Celbrás, tornou-se filão do mercado de embalagens, conforme informa a Abipet. De acordo com Sette, a resina despontou para o mercado mundial em função de suas características. No início, a produção era incipiente – em 1994, representava 80 mil toneladas. Mas nos Estados Unidos, já ocorria o boom com as embalagens para refrigerante e água, avisa Sette.
Segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de
Refrigerantes e de Bebidas Não-Alcóolicas (Abir), a companhia alega ter
sofrido danos entre 1999 e 2003 em função das importações feitas pelo
Brasil junto a esses dois países Na opinião de Pinhel, o dumping proposto pela M&G favorece em certa medida o PP. “Dessa forma, o mercado brasileiro não se desenvolve, o que contribuiu para o atraso do PET”, comenta. Para ele, independente das propriedades de cada resina, o PP não possui essa limitação, o que favorece inovações e incrementos tecnológicos. “O mercado brasileiro do PET está fechado para a Argentina e os Estados Unidos”, alerta Pinhel. Apesar de considerar esse percalço momentâneo, Pinhel aposta na atuação sólida do PET frente ao PP. Para ele, as duas resinas possuem propriedades que as tornam concorrentes diretas, no entanto, o PP se enfraquece com a falta de foco. “Em qual mercado o PP entraria? Essa indústria está atirando para todos os lados”, diz. Por sua vez, Marta reconhece que o PP não encontrou um lugar definido no mercado dos termoplásticos, porém não vê a questão como um empecilho. “O PP ainda não delimitou a área dele, mas se sabe que pode substituir diversos materiais, não só o PET”, comenta. Reciclagem – Enquanto o PP busca seu espaço entre os termoplásticos, o PET amplia sua atuação em seu próprio mercado e se volta para o PET reciclado. No ano passado, 48% das embalagens foram recuperadas e recicladas, o equivalente a 173 mil toneladas. “O reciclado já é uma nova indústria; 173 mil t não é brincadeira”, comenta Sette. Em dez anos, o volume de PET reciclado aumentou na ordem de 1.200%. No ano de 1994, o Brasil reciclava 13 mil t, anuncia Sette. Por isso, um aspecto salutar do PET responde por sua cadeia de reciclagem. A resina responde por cerca de 20% dos plásticos recicláveis presentes na coleta seletiva brasileira. No País, de acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), os plásticos correspondem em média a 10% em peso do lixo urbano. Uma das ações mais atuais da Abipet diz conta da promoção das diretrizes para a produção de embalagem PET. Trata-se de orientação tanto para transformador como para o usuário, no que tange ao favorecimento da reciclagem. A preocupação visa facilitar a identificação das embalagens de PET entre os diversos tipos de resíduos pós-consumo e ajudar seu processamento durante a reciclagem. As atenções focam, por exemplo, a impressão e a cola do rótulo. Os destinos do PET reciclado são diversos. Em geral, entre as aplicações se destacam as direcionadas para a área têxtil e outros materiais, como cabo de vassoura e corda para varal. A maior demanda do PET reciclado está na indústria têxtil, que produz fibras para usos variados. “No caso específico da fibra têxtil, o PET reciclado chega a ser até mais resistente do que o virgem”, comenta o coordenador de comunicação da Abipet Hermes Contesini. Ele também aponta que 60% do mercado nacional de veículos usa o PET reciclado nos carpetes. A indústria exigiu mais qualidade da resina reciclada e conquistou.
Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza a utilização da resina reciclada em embalagens para produtos alimentícios. Porém, Pinhel antevê que o cenário pode mudar, em breve, abrindo novas e lucrativas possibilidades. “Já há projetos na Anvisa para permitir a entrada do reciclado na indústria alimentícia”, afirma. Ele antecipa que além do crescimento do PET em novas aplicações, o mercado deve esperar, nos próximos anos, avanço da resina reciclada também. “A indústria de alimentos é grande, por isso, haverá um impacto muito positivo”, aposta. Em média, hoje a indústria do PET reciclado cresce 20% ao ano. Ou seja, o dobro da resina virgem. Para Fittipaldi, a ameaça do PP é o PET reciclado. Ele aponta que o PP poderia participar da indústria automobilística, em aplicações de carpetes para automóveis, ao invés do concorrente. “Vejo concorrência entre o PET reciclado e o PP, na área têxtil”, afirma. Fittipaldi avisa também que a companhia tem evoluído na melhoria da resina de PP, a fim de atingir valores superiores de produtividade, rigidez, permeabilidade ao oxigênio, entre outras características. “Em algumas propriedades, o PP já melhorou muito e hoje é superior ao PET”, defende.
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