Para Pinhel, em embalagens para bebidas, como sucos prontos e chás, a resina seria uma alternativa, mas não para água mineral, indústria de domínio do PET. Essa escolha se justifica em função da racionalização das linhas de envase. Ou seja, capaz de atender a produção de embalagens para água com e sem gás, o PET permite economia, na medida em que o transformador pode ter em sua planta um único tipo de processo para as duas aplicações. A tendência anunciada a quatro ventos da preferência do consumidor pela transparência das embalagens também intensifica a rivalidade entre as duas resinas. O preço do PP, se comparado ao do PET, é mais vantajoso. Porém o preço se torna menos significativo se o foco da questão for a aparência translúcida. Esse foi um dos motivos que obrigou essa indústria do PP a investir neste quesito. A primeira geração de clarificantes se voltava, com exclusividade, para área de injeção. No entanto, com transparência limitada, logo foi substituída pela segunda geração, que além de melhorar essa característica aperfeiçoava a estabilidade térmica. Porém, ainda apresentava problemas de odor e sabor. A terceira geração, o Millad 3988, veio em seguida (1995), para sanar essas dificuldades. De igual pra igual - Em 2001, o ISBM chegou para ir ao encontro do anseio dos transformadores de utilizar o PP clarificado sob o mesmo processo usado para o PET. Isto é, injeção de pré-formas que estiram e sopram para formar garrafas de baixo custo, capazes de serem envasadas a quente. Para Marta, o ISBM vai movimentar nos próximos dez anos volume semelhante ao que o PP convencional registra hoje com a injeção. No entanto, até o momento a resposta do mercado ao ISBM está aquém do planejado. “Pensei que fosse mais simples de implementar”, comenta Marta. A Braskem, parte integrante do projeto ao lado também de Sidel e Packpet, ainda está à espera do retorno do investimento. “O projeto ISBM é interessante, mas, por outro lado, é preciso considerar as limitações e aplicações do produto e avaliar sua competitividade”, reconhece o gerente de marketing da unidade de poliolefina Marco Antonio Cione. Para Marta, em 2006, a Milliken deve consolidar diversos projetos, o que permitirá o esperado avanço do ISBM. Por resina competitiva entende-se baixo custo, certo? Em parte. De acordo com Cione, o transformador precisa considerar alguns quesitos. Ao escolher entre PET e PP, por exemplo, o preço do quilo do termoplástico, não deve ser determinante. Neste ponto, alguns fabricantes concordam. As propriedades de cada uma delas em consonância com as necessidades das aplicações são a questão-chave. “Deve-se fazer uma análise de toda a cadeia”, opina Cione. Marta reconhece que o preço pode ter sido um dos impeditivos para a consolidação do ISBM, porém, o fator fundamental é a dificuldade de modificar o paradigma, ou seja, de fazer o transformador mudar sua mentalidade sobre as novas aplicações do PP, acredita.
O diretor da Ipiranga Petroquímica (IPQ) Eduardo Tergolina aponta
que além da rivalidade entre o PET e o PP, existe uma concorrência
interna. O próprio PP não fica imune ao crescimento do BOPP.
Para ele, muitos de seus clientes se queixam que o BOPP se apropria de
participação do filme de PP tradicional. “O mercado
de filme para torção (embrulho para balas) que seria aplicação
típica de filme de PP plano ou soprado está sendo tomado
pelo BOPP”, exemplifica. O gerente de marketing e comunicação
da Suzano Petroquímica Sinclair Fittipaldi também percebe
o avanço da resina. “No Brasil, o que tem crescido são
as embalagens de biorientado e os não-tecidos”, resume.
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